Copa do Mundo 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo, estima CNC
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a Copa do Mundo 2026 movimentará R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, um crescimento real de 6,5% em relação ao Mundial de 2022.
Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress
A Copa do Mundo 2026 deve movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa um crescimento real de 6,5% em comparação com o faturamento registrado durante o Mundial de 2022.
A expectativa da entidade é que o torneio, que será realizado entre os dias 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, impulsione principalmente as vendas de alimentos, bebidas, vestuário e artigos de consumo imediato. O cenário é favorecido pelo mercado de trabalho mais aquecido e pela desaceleração da inflação, fatores que ampliam o poder de compra das famílias brasileiras.
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Copa do Mundo 2026 deve impulsionar vendas no comércio
De acordo com a CNC, o desempenho positivo esperado para o varejo está relacionado à melhora das condições econômicas observadas nos últimos meses. Apesar dos juros elevados e do crédito mais restrito, o consumidor continua disposto a gastar durante grandes eventos esportivos, especialmente em produtos voltados para reuniões familiares e confraternizações.
A projeção indica que a maior parte do faturamento ficará concentrada nos hipermercados e supermercados, segmento que deve responder por aproximadamente R$ 3,97 bilhões em vendas. O resultado representa quase 70% de toda a movimentação econômica prevista para o período da competição.
O comportamento do consumidor também demonstra uma mudança em relação aos últimos mundiais. Em vez de direcionar os gastos para bens duráveis de maior valor, a tendência é priorizar produtos de consumo imediato, como alimentos, bebidas e itens relacionados às comemorações dos jogos.
Supermercados lideram projeção de faturamento
Além dos supermercados, outros setores da economia devem se beneficiar do aumento da demanda durante a Copa do Mundo 2026.
As estimativas da CNC apontam que o segmento de vestuário e acessórios poderá registrar faturamento de R$ 803,7 milhões. A busca por camisetas de seleções, roupas temáticas e acessórios costuma crescer em períodos de grandes competições esportivas.
Já o setor de artigos de uso pessoal e doméstico deve movimentar cerca de R$ 262,6 milhões. Na sequência aparecem os segmentos de informática e comunicação, com previsão de R$ 198,5 milhões, e móveis e eletrodomésticos, com faturamento estimado em R$ 80,2 milhões.
Os números mostram que, embora diferentes áreas do varejo sejam beneficiadas pelo evento, a maior concentração de recursos continuará direcionada para o consumo cotidiano.
Procura por televisores cresce, mas segue abaixo de anos anteriores
Tradicionalmente, as Copas do Mundo estimulam a venda de televisores. No entanto, o cenário observado para 2026 é diferente do registrado em edições passadas.
Levantamento da CNC, realizado com base em dados do Google Trends, mostra que a procura por Smart TVs cresceu 8,4% em maio na comparação com abril. Apesar da alta, o interesse dos consumidores permanece abaixo dos níveis observados antes da Copa do Mundo de 2022.
Segundo a entidade, as buscas atuais estão 15,6% inferiores às registradas às vésperas do último Mundial. O indicador também permanece distante dos patamares observados nas Copas de 2014 e 2018.
A avaliação é que o custo do crédito continua sendo um fator determinante para a decisão de compra dos consumidores, especialmente em produtos de maior valor agregado.
Queda nos preços não foi suficiente para estimular vendas
Outro dado destacado pela CNC envolve a redução dos preços dos aparelhos de televisão. Conforme informações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), os televisores ficaram, em média, 18,9% mais baratos entre a Copa de 2022 e a edição de 2026.
Mesmo com essa queda significativa nos preços, a entidade observa que o consumidor ainda demonstra cautela na hora de substituir ou adquirir novos equipamentos.
O comportamento reflete um cenário em que as famílias continuam priorizando despesas essenciais e experiências de consumo ligadas ao dia a dia, reduzindo a disposição para assumir novos financiamentos ou parcelamentos longos.
Mundial deve reforçar atividade econômica no Brasil
A Copa do Mundo 2026 será a primeira realizada simultaneamente por três países — Estados Unidos, Canadá e México — e promete gerar reflexos econômicos também fora dos países-sede.
No Brasil, a expectativa é que o torneio contribua para aquecer o comércio durante os meses de competição, beneficiando principalmente supermercados, lojas de vestuário e estabelecimentos ligados ao entretenimento e à alimentação.
Com previsão de movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, a Copa do Mundo 2026 reforça o potencial dos grandes eventos esportivos para estimular o consumo e impulsionar diferentes segmentos da economia nacional, mesmo em um cenário de crédito mais caro e maior seletividade por parte dos consumidores.