Durigan descarta congelamento de preços dos combustíveis em meio à crise internacional
O ministro Dario Durigan afirmou que o governo não adotará o congelamento de preços dos combustíveis, mesmo com a alta global provocada por tensões no Oriente Médio.
Imagem: iStock / Lemon Photo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na última quarta-feira (1º) que o governo federal não pretende adotar o congelamento de preços dos combustíveis, mesmo diante da pressão global provocada pelo conflito no Oriente Médio. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews e reforça a estratégia econômica adotada pelo governo para lidar com a alta do petróleo sem comprometer as contas públicas ou a governança das empresas.
A fala ocorre em um momento de forte instabilidade internacional, com tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, que têm impactado diretamente os preços da energia em todo o mundo. Segundo o ministro, repetir políticas do passado, como o congelamento de preços dos combustíveis, pode gerar distorções no mercado e prejudicar o funcionamento de companhias como a Petrobras.
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Durigan foi enfático ao afirmar que o congelamento de preços dos combustíveis não é uma alternativa viável no cenário atual. De acordo com ele, esse tipo de intervenção compromete a previsibilidade do setor e pode gerar efeitos negativos no médio e longo prazo.
“O país não pode repetir erros do passado, segurando preços administrados sem respeitar a governança das empresas”, afirmou. Ao mesmo tempo, o ministro reconheceu que deixar o Brasil totalmente exposto à volatilidade internacional também não é uma opção.
Dessa forma, o governo busca um equilíbrio entre preservar o funcionamento do mercado e proteger consumidores e setores mais sensíveis da economia.
Subsídio ao diesel ganha adesão dos estados
Como alternativa ao congelamento de preços dos combustíveis, o governo federal tem apostado em medidas pontuais. Uma delas é o subsídio ao diesel importado, que já conta com adesão de mais de 80% dos estados, em articulação com o Comsefaz.
A proposta prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro entre os meses de abril e maio. O custo total estimado é de R$ 3 bilhões, dividido igualmente entre a União e os governos estaduais.
A medida tem como principal objetivo garantir a oferta do combustível no país e reduzir os impactos da alta internacional, especialmente sobre caminhoneiros e o setor de transporte de cargas — considerados essenciais para o funcionamento da economia.
Espaço fiscal permite novas ações
Outro ponto destacado por Durigan é o aumento da arrecadação federal, impulsionado pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, esse cenário abre espaço para que o governo adote medidas de mitigação sem comprometer o equilíbrio fiscal.
“O aumento de arrecadação permite que esses recursos sejam utilizados não apenas para fins fiscais, mas também para proteger a população”, explicou.
Ainda assim, o ministro ressaltou que qualquer nova iniciativa será cuidadosamente avaliada pelo Ministério da Fazenda, com o objetivo de evitar impactos negativos nas contas públicas.
Possíveis medidas para gás e aviação
Além do diesel, o governo avalia a possibilidade de ampliar as ações para outros combustíveis. Entre eles, o gás de cozinha (GLP), que tem impacto direto no orçamento das famílias, e o querosene de aviação (QAV), essencial para o setor aéreo.
As medidas seguem a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem defendido a adoção de políticas para reduzir os efeitos da crise internacional sobre os brasileiros.
A depender da evolução do conflito no Oriente Médio, novas iniciativas podem ser anunciadas nas próximas semanas.
Foco em proteger a economia e a população
Apesar de classificar a guerra como um evento distante do Brasil, Durigan reforçou que seus impactos são reais e exigem respostas do governo. O foco, segundo ele, é proteger o interesse nacional, sem recorrer a medidas que possam comprometer a estabilidade econômica.
Nesse contexto, o congelamento de preços dos combustíveis segue descartado, dando lugar a uma estratégia baseada em ações temporárias e direcionadas.
A prioridade do governo é mitigar os efeitos da alta dos combustíveis sobre caminhoneiros, empresas e famílias brasileiras, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade fiscal e a confiança do mercado.