Caso Master: Polícia Federal vê risco sistêmico ao sistema financeiro em esquema investigado

A Polícia Federal identificou fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro no caso envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central.

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Última atualização:  16 de jan, 2026 às 16:04
Homem branco, de barba, vestindo um terno escuro com gravata, em pé ao lado de um grande logotipo escultural cinza que se assemelha a um pico de montanha com um triângulo no topo. Divulgação/Banco Master

A Polícia Federal concluiu que o caso Master apresenta fortes indícios de desvio de recursos e representa um risco sistêmico ao sistema financeiro brasileiro, segundo documentos analisados no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação envolve o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no fim de 2025, e uma rede de fundos, empresas e intermediários financeiros que teriam operado de forma estruturada por anos.

A avaliação consta em decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a segunda fase da operação, deflagrada na quarta-feira (14). O sigilo foi retirado nesta quinta-feira (15), revelando trechos dos relatórios da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo.

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De acordo com a PF, os elementos reunidos até o momento indicam que as irregularidades investigadas no caso Master extrapolam um problema isolado de gestão bancária. Para os investigadores, há sinais de que as práticas adotadas pelo banco e por estruturas associadas podem ter afetado a estabilidade do sistema financeiro, sobretudo pelo volume de recursos envolvidos e pela quantidade de investidores impactados.

Na decisão, Toffoli afirma que os indícios revelam “desvio de recursos” e “risco sistêmico ao sistema financeiro”, destacando que o esquema aparenta ter explorado de forma recorrente fragilidades do mercado de capitais e dos mecanismos de supervisão.

Nova fase da Operação Compliance Zero amplia investigação

A segunda fase da Operação Compliance Zero ampliou o alcance das apurações, com foco nas relações entre o Banco Master e fundos de investimento administrados por terceiros. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens que somam R$ 5,7 bilhões. As investigações apuram a prática de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Empresas com capital ínfimo e direitos creditórios milionários

Os relatórios de inteligência financeira analisados pela PF apontam que empresas com capital social considerado irrisório teriam cedido direitos creditórios de valores milionários para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao Banco Master.

Para os investigadores, essa estrutura pode ter sido utilizada para movimentar recursos de origem suspeita, mascarar prejuízos e sustentar artificialmente a operação do banco. O padrão das transações reforça a tese de que não se tratava de episódios pontuais, mas de um modelo recorrente de funcionamento.

Transferência suspeita envolve familiar de Daniel Vorcaro

Entre as movimentações financeiras consideradas atípicas, a PF identificou uma transferência de R$ 9 milhões feita por um intermediário financeiro para Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.

Com base nesses indícios, o STF autorizou mandados de busca e apreensão contra Vorcaro e familiares próximos. Os investigadores avaliam se houve benefício indireto de recursos desviados, embora a defesa negue irregularidades.

MPF aponta organização criminosa de longa duração

O Ministério Público Federal sustenta que o conjunto de fatos indica a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Segundo os procuradores, o histórico de investigações anteriores reforça que as práticas agora apuradas não decorrem de descontrole ocasional, mas de planejamento e continuidade.

O MPF também defendeu que a investigação deveria tramitar na Justiça Federal de São Paulo. Toffoli, porém, manteve o caso sob sua relatoria, afirmando que o escopo das apurações é mais amplo e envolve uso sistemático de brechas regulatórias.

Gestora Reag entra no foco e também é liquidada

A atual fase da operação concentra-se ainda na relação entre o Banco Master e fundos administrados pela gestora Reag, que foi liquidada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15). Segundo as autoridades, os recursos circulavam por uma complexa teia de fundos, dificultando o rastreamento e potencializando os riscos ao mercado.

Defesa nega irregularidades no caso Master

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele nega qualquer irregularidade e diz colaborar com as investigações. Segundo o comunicado, o Banco Master não realizou operações para beneficiar terceiros ou familiares e, antes da liquidação, o controlador teria feito aportes sucessivos de capital para tentar preservar a instituição.

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