Capital One compra fintech Brex por US$ 5,15 bilhões e reacende debate no mercado

Aquisição envolve dinheiro e ações e levanta discussões sobre valuation no setor de fintechs

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Última atualização:  23 de jan, 2026 às 10:16
adores da fintech Brex posam em escritório; empresa foi adquirida pela Capital One em negócio de US$ 5,15 bilhões. Foto: Divulgação/Brex

A Capital One Financial Corporation anunciou, nesta quinta-feira (22), a compra da fintech Brex por US$ 5,15 bilhões. O acordo envolve metade do pagamento em dinheiro e metade em ações da própria Capital One. A transação foi divulgada junto com os resultados financeiros do quarto trimestre do banco e ainda depende da aprovação de órgãos reguladores para ser concluída, o que deve ocorrer até o meio do ano.

A Brex é uma fintech fundada em 2017, nos Estados Unidos, pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras. A empresa oferece cartões corporativos, soluções de gestão de despesas e serviços financeiros integrados para empresas, especialmente do setor de tecnologia.

Com a aquisição, a Capital One amplia sua presença no mercado de pagamentos corporativos e reforça sua estratégia de competir em um segmento cada vez mais digitalizado.

Como foi estruturado o negócio

Segundo a Capital One, o valor total da operação será dividido igualmente entre pagamento em dinheiro e troca por ações.

A instituição financeira, que vale cerca de US$ 150 bilhões em valor de mercado, informou que a compra faz parte de um plano de crescimento focado em tecnologia e serviços financeiros integrados.

Apesar do anúncio, a reação inicial do mercado foi negativa. As ações da Capital One chegaram a cair cerca de 5% no after hours e fecharam o pregão seguinte com queda próxima de 3%.

Analistas apontam que a principal preocupação dos investidores foi o valor pago pela Brex em comparação com avaliações anteriores da fintech.

Valuation abaixo do pico gera debate

O preço de US$ 5,15 bilhões ficou bem abaixo do valuation de US$ 12,3 bilhões alcançado pela Brex em uma rodada de investimentos em 2022.

Desde então, o cenário para startups de tecnologia mudou, com juros mais altos e maior seletividade no crédito, o que pressionou avaliações no setor.

Ainda assim, o valor pago pela Capital One supera a estimativa mais recente do mercado secundário, que avaliava a Brex em cerca de US$ 3,9 bilhões. Para investidores que entraram nas primeiras rodadas, o retorno segue expressivo.

Fundos como Ribbit Capital, Y Combinator e Kleiner Perkins estão entre os que mais se beneficiaram com a trajetória da empresa.

Um gestor brasileiro de venture capital resumiu o sentimento do mercado ao afirmar que o valor foi considerado baixo em comparação com concorrentes, mas destacou que “os fundadores fizeram um negócio bilionário nos Estados Unidos, algo raro mesmo no universo de startups”.

Quem é a Brex e como chegou até aqui

A Brex nasceu no Vale do Silício com foco em startups que tinham dificuldade de obter cartões corporativos em bancos tradicionais.

Com o tempo, ampliou sua atuação para atender grandes empresas, principalmente de tecnologia. Atualmente, a fintech atende cerca de 25 mil clientes corporativos.

Após a crise bancária de 2023 nos Estados Unidos e a quebra do Silicon Valley Bank, a Brex conseguiu ganhar espaço ao absorver parte da demanda deixada pelo banco.

Mesmo assim, a empresa enfrentava desafios financeiros. Dois anos atrás, consumia cerca de US$ 17 milhões por mês em caixa e ainda não havia atingido o ponto de equilíbrio.

Antes da Brex, Franceschi e Dubugras fundaram a Pagar.me, fintech brasileira vendida posteriormente ao grupo Stone. Ambos chegaram a estudar em Stanford, mas abandonaram o curso para se dedicar integralmente à nova empresa.

Dubugras deixou o cargo de co-CEO em 2024 e passou a atuar como chairman. Franceschi segue como CEO e continuará no comando após a aquisição.

Estratégia da Capital One

Para a Capital One, a compra da Brex ocorre em um momento de forte disputa por clientes corporativos. Softwares de gestão de gastos e pagamentos passaram a ser uma porta de entrada estratégica para o relacionamento bancário com empresas.

“A Brex inventou a combinação integrada de cartões, gestão de despesas e banking numa única plataforma”, afirmou Richard Fairbank, fundador e CEO da Capital One.

Segundo ele, a tecnologia da fintech complementa a oferta do banco e fortalece sua posição frente a concorrentes tradicionais e novas fintechs.

A aquisição da Brex vem na sequência de outro grande movimento recente da Capital One: a compra da Discover Financial Services por cerca de US$ 35 bilhões, concluída no ano passado.

Com isso, o banco ampliou seu alcance e passou a ter acesso direto a uma rede própria de cartões, concorrente de Visa e Mastercard.

Impactos para o mercado

O negócio reforça uma tendência de consolidação no setor financeiro, com grandes bancos adquirindo fintechs para acelerar a transformação digital.

Ao mesmo tempo, reacende o debate sobre avaliações infladas durante o auge do mercado de tecnologia e os ajustes feitos nos últimos anos.

Para investidores e analistas, a transação serve como referência para novas negociações no setor de pagamentos e gestão financeira corporativa, especialmente em um cenário de crédito mais restrito e maior foco em rentabilidade.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.