Braskem (BRKM5) deve pedir proteção contra credores diante de pressão financeira
A Braskem deve pedir proteção contra credores nas próximas semanas, possivelmente em abril, diante da incapacidade de honrar pagamentos de juros e da crise na subsidiária mexicana Braskem Idesa.
Imagem: Luke Sharrett
A possível decisão da Braskem (BRKM5) ocorre em um momento crítico. A empresa enfrenta dificuldades para honrar compromissos de curto prazo, especialmente o pagamento de cupons de juros de títulos internacionais com vencimento entre junho e julho, que somam mais de US$ 100 milhões.
Sem tempo hábil para renegociar suas obrigações antes desses vencimentos, a companhia deve recorrer à proteção contra credores como forma de ganhar fôlego. A medida pode abrir caminho para uma recuperação judicial ou extrajudicial, dependendo da adesão dos credores ao plano de reestruturação.
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Um dos principais fatores que pressionam a decisão envolve a situação da Braskem Idesa, subsidiária da companhia no México. A unidade já está em default após não cumprir pagamentos de juros em novembro e fevereiro.
Com uma dívida de US$ 2,25 bilhões e apenas US$ 35 milhões em caixa, a subsidiária negocia com credores uma reestruturação via Chapter 11, nos Estados Unidos. Esse cenário acende um alerta ainda maior por conta de cláusulas de cross-default, que podem obrigar a holding brasileira a assumir compromissos adicionais.
Na prática, o problema no México amplia o risco financeiro da operação como um todo e acelera a necessidade de uma solução estruturada.
Transição de controle limita reação imediata
Outro ponto relevante é a mudança no controle acionário. A gestora IG4 Capital deve assumir a participação da Novonor apenas em maio.
Até lá, a companhia opera em um cenário de transição, o que dificulta decisões estratégicas mais profundas. Sem um novo controlador efetivamente no comando, a renegociação ampla da dívida se torna inviável no curto prazo, reforçando a necessidade de uma medida emergencial.
Além disso, a Petrobras (PETR4) segue como acionista relevante, mas sem atuação direta na condução da reestruturação neste momento.
Indicadores evidenciam situação de insolvência
Os dados financeiros mais recentes reforçam o quadro delicado. A Braskem encerrou 2025 com prejuízo de R$ 9,9 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões e alavancagem de 14,7 vezes o EBITDA.
Esse nível de endividamento é considerado extremamente elevado e indica que a geração de caixa da empresa é insuficiente para cobrir suas obrigações. Fontes próximas à companhia afirmam que a situação já pode ser caracterizada como insolvência.
A auditoria da KPMG também destacou “incerteza relevante quanto à continuidade operacional”, um dos sinais mais graves em termos contábeis.
Liquidez limitada e mercado fechado
Apesar de reportar cerca de US$ 2 bilhões em caixa, metade desse valor está vinculada a uma linha de crédito de curto prazo, o que reduz a liquidez efetiva da empresa.
Ao mesmo tempo, o acesso ao mercado de capitais está praticamente fechado. A Braskem possui ratings de crédito muito baixos — CC pela Fitch e CCC- pela S&P — o que indica alta probabilidade de default.
Esse cenário impede novas emissões de dívida, restringindo ainda mais as alternativas financeiras disponíveis.
Estrutura da dívida complica negociações
A reestruturação tende a ser complexa principalmente pelo perfil dos credores:
- 75% da dívida está nas mãos de bondholders internacionais
- 15% com bancos
- restante dividido entre mercado local e instituições multilaterais
Credores estrangeiros costumam adotar posturas mais rígidas e, muitas vezes, recorrem à judicialização, o que pode prolongar o processo.
Para conduzir as negociações, a companhia já contratou assessores especializados, incluindo o banco Lazard e escritórios jurídicos no Brasil e no exterior.
Endividamento elevado e vencimentos no horizonte
Atualmente, a dívida líquida da Braskem gira em torno de US$ 7,5 bilhões, enquanto a dívida bruta soma US$ 9,4 bilhões.
Entre os principais vencimentos futuros estão:
- US$ 1,4 bilhão em 2028
- US$ 1,6 bilhão em 2030
Esses valores reforçam a necessidade de uma reestruturação profunda e coordenada.