Brasil mantém otimismo com acordo Mercosul–União Europeia, diz Alckmin
O governo brasileiro reafirmou otimismo quanto à conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mesmo após o adiamento da assinatura por resistências internas no bloco europeu.
Foto: Evaristo Sá/AFP
O acordo Mercosul–União Europeia segue no radar do governo brasileiro como uma das principais apostas estratégicas para fortalecer o comércio exterior e ampliar a inserção do Brasil no mercado global. Mesmo diante de resistências políticas dentro do bloco europeu, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na última terça-feira (6) que o país mantém uma postura otimista em relação à conclusão das negociações.
A declaração foi feita durante entrevista concedida após a divulgação dos dados da balança comercial brasileira de 2025, em Brasília. Segundo Alckmin, o tratado está bem encaminhado e representa o resultado de mais de duas décadas de negociações entre os países do Mercosul e da União Europeia.
Saiba mais:
De acordo com Alckmin, o acordo Mercosul–União Europeia é considerado fundamental para o fortalecimento do multilateralismo em um cenário internacional marcado por conflitos armados, instabilidade geopolítica e avanço do protecionismo comercial. Para o vice-presidente, a conclusão do tratado enviaria um sinal claro de compromisso com o livre comércio em um momento de incertezas globais.
“O acordo está bem encaminhado e é fruto de um longo trabalho, de mais de 20 anos. Estamos otimistas. Ele será muito importante não apenas para o Mercosul e para a União Europeia, mas também para o comércio global”, afirmou o ministro.
Caso seja concluído, o tratado criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo países que, juntos, representam parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) global e do fluxo internacional de mercadorias.
O que levou ao adiamento da assinatura do tratado
A assinatura do acordo estava prevista para ocorrer em dezembro, durante a última cúpula do Mercosul, mas acabou sendo adiada por falta de consenso entre os países europeus. As principais resistências surgiram dentro da própria União Europeia, especialmente por pressões políticas e econômicas internas.
Na França, agricultores e entidades do setor rural se mobilizaram contra o tratado, alegando risco de concorrência desleal com produtos agropecuários do Mercosul. A pressão levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a declarar publicamente que o país não apoiará o acordo sem a inclusão de novas salvaguardas para proteger os produtores locais.
Além da França, uma ala conservadora da Itália também demonstrou reservas em relação ao avanço do acordo, contribuindo para o adiamento da assinatura e ampliando o debate dentro do bloco europeu.
Avanços recentes e expectativa de retomada
Apesar das dificuldades políticas, a Comissão Europeia informou na segunda-feira (5) que houve avanços técnicos nas negociações, o que mantém viva a expectativa de que o acordo Mercosul–União Europeia possa avançar nos próximos meses. Ainda assim, não há uma data oficial confirmada para a assinatura do tratado.
O governo brasileiro avalia que o diálogo segue aberto e que os ajustes em discussão podem ajudar a superar as resistências, especialmente no que diz respeito a temas ambientais e às regras de comércio agrícola.
Próximos passos após eventual assinatura
Mesmo que a assinatura do acordo ocorra, o processo ainda estará longe do fim. No Brasil, o texto precisará passar por análise do Poder Executivo e, posteriormente, ser encaminhado ao Congresso Nacional, onde será discutido e votado por deputados e senadores.
Na União Europeia, o caminho também é complexo. O acordo precisará ser aprovado pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu, além de ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros do bloco. Esse trâmite pode levar anos, dependendo do ambiente político em cada país.
Impacto econômico e contexto da balança comercial
Durante a entrevista, Alckmin também destacou o bom desempenho do comércio exterior brasileiro em 2025. As exportações do país cresceram 5,7% no ano, mais que o dobro da projeção de crescimento do comércio global, estimada em 2,4% pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Um dos destaques foi a Argentina, que se consolidou como o país que mais ampliou as compras de produtos brasileiros no período, com crescimento de 31,4%. O avanço foi impulsionado principalmente pelo setor automotivo, reforçando a importância do comércio regional para a indústria nacional.
Novas frentes de negociação internacional
Além do acordo Mercosul–União Europeia, o governo brasileiro trabalha para ampliar sua agenda de acordos comerciais em 2026. Entre as prioridades estão as negociações entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos e a ampliação de preferências tarifárias com países como Índia, México e Canadá.
Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é apostar no diálogo e na construção de consensos como estratégia para fortalecer a economia brasileira e diversificar mercados de exportação.
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