União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 25 anos, afirmam agências

Decisão provisória abre caminho para assinatura do tratado e amplia comércio entre os blocos

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Última atualização:  09 de jan, 2026 às 09:59
Bandeiras do Mercosul e da União Europeia lado a lado, simbolizando negociações e relações comerciais entre os dois blocos. Foto: CNI/Reprodução

Os países da União Europeia (UE) aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações.

A decisão foi tomada em reunião de embaixadores em Bruxelas, na Bélgica, com apoio da maioria dos Estados-membros do bloco, apesar da oposição de países como França e Irlanda.

A aprovação abre caminho para a assinatura do tratado nos próximos dias e representa um passo importante para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

A votação ocorreu com base no critério de maioria qualificada, que exige o apoio de pelo menos 15 dos 27 países da UE, desde que eles representem ao menos 65% da população do bloco.

Segundo diplomatas ouvidos por agências internacionais, esse número foi alcançado, permitindo que o processo avance para as próximas etapas formais.

Próximos passos do acordo

Com a aprovação provisória, a expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine oficialmente o acordo com os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, já na próxima semana.

Depois disso, o texto ainda precisará passar pela análise e votação do Parlamento Europeu, etapa necessária para que o tratado entre em vigor.

Apesar do avanço, a formalização da decisão ainda depende do envio de confirmações por escrito pelos países da UE até o fim do dia, conforme o procedimento interno do bloco. A Comissão Europeia, no entanto, trata o resultado como um sinal político claro de apoio ao acordo.

O que prevê o acordo UE-Mercosul

O tratado comercial começou a ser negociado em 1999 e tem como principal objetivo reduzir ou eliminar tarifas de importação e exportação entre os dois blocos.

O acordo também estabelece regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos, compras governamentais e padrões regulatórios.

Se entrar em vigor, o acordo criará uma área de livre comércio que reúne cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado estimado em US$ 22 trilhões, tornando-se uma das maiores do mundo em termos econômicos.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de aproximadamente 451 milhões de consumidores europeus, com potencial impacto positivo não apenas para o agronegócio, mas também para setores industriais, como autopeças, máquinas, calçados e produtos químicos.

Resistências dentro da União Europeia

Mesmo com a aprovação, o acordo segue sendo alvo de críticas internas. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se posicionaram contra o texto, principalmente por preocupações com o setor agrícola.

Produtores europeus temem enfrentar concorrência de produtos sul-americanos com custos mais baixos e regras ambientais diferentes das exigidas pela UE.

Na véspera da votação, o presidente francês Emmanuel Macron reafirmou publicamente a oposição de Paris.

Em comunicado, afirmou que, embora a diversificação comercial seja importante, os benefícios econômicos do acordo seriam limitados para o crescimento francês e europeu, além de gerar riscos para agricultores locais.

A Irlanda também manifestou posição contrária, alegando que o texto atual não oferece garantias suficientes para proteger seu setor agropecuário.

Outros países optaram pela abstenção, como a Bélgica, o que também foi levado em conta no cálculo da maioria qualificada.

Papel decisivo da Itália

Um dos fatores considerados determinantes para a aprovação foi a mudança de posição da Itália.

Segundo diplomatas europeus, o país, que tem cerca de 59 milhões de habitantes, passou de uma postura contrária para favorável ao acordo nos últimos dias, o que foi decisivo para atingir o peso populacional necessário.

O governo italiano sinalizou apoio após a Comissão Europeia indicar medidas para reforçar a proteção aos agricultores do bloco, incluindo discussões sobre aumento de recursos destinados ao setor agrícola nos próximos anos.

A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou essas sinalizações como um avanço relevante nas negociações internas.

Impactos econômicos e visão do Mercosul

Do lado sul-americano, o acordo é visto como estratégico para ampliar exportações, atrair investimentos e reduzir barreiras comerciais históricas.

No entanto, há também preocupações com cláusulas de salvaguarda que permitem à União Europeia suspender benefícios tarifários caso haja aumento expressivo nas importações de determinados produtos agrícolas.

Mesmo assim, o governo brasileiro optou por não se opor às salvaguardas neste momento, priorizando a assinatura do acordo e a entrada em vigor do tratado. A avaliação é de que os ganhos no médio e longo prazo podem superar as limitações iniciais.

Um marco após décadas de negociações

Após mais de duas décadas de discussões, avanços e impasses, a aprovação provisória do acordo entre União Europeia e Mercosul representa um marco na política comercial internacional.

O tratado ainda enfrenta etapas importantes antes de entrar em vigor, mas o avanço desta sexta-feira sinaliza um novo momento nas relações entre os dois blocos.

A expectativa agora é que os próximos meses sejam decisivos para transformar o acordo negociado ao longo de 25 anos em uma realidade concreta para empresas, governos e consumidores dos dois lados do Atlântico.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.