"O Banco Central não pode pausar o crescimento das Stablecoin no Brasil", afirma Binance
Executivos de Binance, Ripio e Kraken debatem regulação, crescimento das stablecoins e perspectivas institucionais para o mercado cripto no Brasil durante o Smart Summit 2026.
Binance, Ripio e Kraken debateram no Smart Summit 2026 as perspectivas institucionais para o mercado cripto em 2026, com foco no avanço da regulação como vetor de evolução do setor.
Thiago Sarandy, Chefe de Assuntos Regulatórios da Binance, destacou o crescimento acelerado da base global de usuários da plataforma e a expansão do uso de stablecoins.
Segundo ele, a corretora registra entre 200 mil e 250 mil novas contas por dia, enquanto o ecossistema global já ultrapassa 800 milhões de usuários. De acordo com o executivo, o volume movimentado por stablecoins já supera, em alguns casos, o de meios tradicionais como cartões de crédito.
Para Sarandy, o avanço desse tipo de ativo reflete uma transformação estrutural no sistema financeiro digital.
“O Banco Central não pode pausar o crescimento das stablecoins no Brasil. É um movimento global, impulsionado por tecnologia e pela demanda por meios de pagamento mais eficientes”, afirmou o executivo
Banco Central enquadra stablecoins no mercado de câmbio
A discussão ocorreu em meio às mudanças regulatórias promovidas pelo Banco Central do Brasil, que passou a enquadrar operações com stablecoins (criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias, como o dólar) dentro do mercado oficial de câmbio brasileiro. A medida integra o novo marco regulatório de ativos virtuais e entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026.
Na prática, transferências internacionais feitas com criptoativos passam a ser tratadas como operações cambiais tradicionais, sujeitas às mesmas regras aplicadas a bancos e corretoras. Com isso, plataformas de cripto, chamadas de prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), precisarão de autorização do Banco Central para operar nesse tipo de transação e deverão cumprir obrigações de monitoramento, identificação de usuários e envio de relatórios ao regulador.
A norma também estabelece limite de US$ 100 mil por operação internacional quando a contraparte não for uma instituição autorizada a operar em câmbio e proíbe o uso de dinheiro em espécie nessas transações.
Outro ponto relevante é o aumento das exigências de rastreabilidade e transparência. As plataformas terão que identificar as contrapartes das operações, verificar a origem e o destino dos recursos, rastrear carteiras autocustodiadas e enviar relatórios mensais ao Banco Central. Esses dados passarão a integrar as estatísticas oficiais de câmbio a partir de 4 de maio de 2026.
Setor pede mais clareza e prazo para adaptação
Durante o painel, Renata Mancini, da Ripio, afirmou que o setor não é contrário à regulação, mas que as empresas esperam mais clareza e prazo para adaptação às novas regras.
“Se eu pudesse falar em poucas palavras, o que eu espero é um pouco mais de prazo e um pouco mais de clareza. Pode ser mudanças na regra ou alguns esclarecimentos. A gente não quer deixar de cumprir. O que a gente precisa é cumprir da forma correta”, disse.
Segundo a executiva, o envio de informações sem um formato claro pode gerar ruído regulatório. “Passar a informação por passar não vai ter muito objetivo. O setor só precisa de tempo e do formato correto para conseguir atender às exigências”.
Já Renan Ramos, da Kraken, destacou que a empresa vê o Brasil como um dos mercados prioritários para expansão no setor cripto. De acordo com ele, a corretora tem reforçado a estrutura local para acompanhar o avanço regulatório e o crescimento da demanda.
“Esperamos um ano bastante movimentado para o mercado cripto, seja no nível legislativo, regulatório ou de produto. A empresa já contratou novas pessoas para estruturar essa área de expansão no Brasil, inclusive com um gerente dedicado ao mercado local”, afirmou.
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