GPA a R$ 2,50; ações despencam após pedido de recuperação extrajudicial

Os papéis da companhia caíram quase 7% na B3 após anúncio do plano de reestruturação de dívidas não operacionais.

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Última atualização:  10 de mar, 2026 às 12:28
Logotipo do supermercado Pão de Açúcar. Imagem: Wirestock Creators/Shutterstock/Reprodução.

As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) registraram forte queda na bolsa nesta terça-feira (10) após a companhia anunciar um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Por volta das 10h25 (horário de Brasília), os papéis da empresa recuavam 6,96%, cotados a R$ 2,54, entre as maiores baixas do pregão na B3.

A medida faz parte de um plano de reestruturação financeira voltado a obrigações consideradas não operacionais, ou seja, dívidas que não envolvem despesas correntes da companhia, como pagamentos a fornecedores, aluguel de lojas ou salários de funcionários.

Acompanhe as movimentações das ações do GPA, em tempo real:

Plano busca reorganizar perfil da dívida

Em entrevista ao Broadcast, o presidente da empresa, Alexandre Santoro, afirmou que a iniciativa marca o início de um processo mais amplo de reorganização do endividamento.

Segundo o executivo, cerca de 46% dos credores já aderiram ao plano, que tem como objetivo alongar prazos e melhorar o perfil financeiro da companhia.

Santoro destacou que a decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, composto por acionistas que representam aproximadamente 70% do capital da empresa.

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Parte das dívidas vence nos próximos meses

O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, explicou que parte relevante das obrigações incluídas no processo possui vencimentos de curto prazo.

De acordo com ele:

  • Cerca de R$ 500 milhões vencem em maio;
  • Entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão vencem em julho.

O executivo ressaltou que passivos trabalhistas e tributários não fazem parte da recuperação extrajudicial, sendo tratados separadamente pela companhia.

Empresa terá 90 dias para negociar com credores

Com o protocolo do pedido, o GPA passa a contar com um prazo de até 90 dias para avançar nas negociações com os credores envolvidos.

Durante esse período, os pagamentos relacionados às dívidas incluídas no processo ficam suspensos. Para que o acordo seja homologado, será necessário obter a aprovação de mais de 50% dos credores afetados.

No último balanço divulgado, a companhia informou que sua dívida líquida totalizou R$ 2 bilhões ao final de 2025, considerando também recebíveis de cartões de crédito não antecipados.

O valor representa um aumento de R$ 729 milhões em relação ao nível registrado no fim de 2024.

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Analistas mantêm visão cautelosa

Analistas do JPMorgan mantêm recomendação underweight para os papéis do GPA, equivalente a exposição abaixo da média do mercado.

Segundo o banco, as ações são negociadas atualmente a cerca de 5,4 vezes o múltiplo EV/Ebitda, em meio a desafios operacionais e ao nível elevado de alavancagem.

Ainda assim, os analistas avaliam positivamente as iniciativas voltadas à reestruturação da dívida e à preservação das operações da empresa.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.