Os lucros distribuídos aos acionistas, conhecidos como dividendos, são frequentemente atrativos para investidores, especialmente para os que consideram esses pagamentos ao escolher ações para investir, buscando aumentar sua renda passiva.

No mercado de ações brasileiro, o Ibovespa é dominado por bancos e empresas do setor de commodities, algumas das quais pagam dividendos generosos em comparação com mercados estrangeiros.

Além disso, empresas de energia elétrica e frigoríficos também apresentam distribuições de lucros relativamente substanciais.

E um relatório do Suno Notícias levantou as cinco empresas que mais pagaram dividendos em 2023 até o momento, com base em dados atualizados pelo Status Invest. Foram consideradas apenas as empresas que fazem parte do Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores brasileira.

No entanto, é importante destacar que assim como a rentabilidade, a alta distribuição de dividendos não garante necessariamente distribuições futuras.

O dividend yield (DY), um indicador utilizado para classificar as empresas, calcula a proporção entre os dividendos distribuídos nos últimos 12 meses e a cotação atual das ações. Por exemplo, a PETR3, com um yield de 43%, não foi incluída na lista.

Maiores pagadoras de dividendos do Ibovespa

  • Petrobras (PETR4): 48%
  • Marfrig (MRFG3): 22%
  • Companhia Siderúrgica Nacional, ou CSN (CSNA3): 21%
  • CSN Mineração (CMIN3): 20%
  • Unipar (UNIP6): 16%

Petrobras

Com uma melhora significativa em sua situação financeira nos últimos anos, a Petrobras (PETR4) aumentou seus recursos monetários através da venda de ativos, aproveitou o aumento dos preços do petróleo e aprimorou consideravelmente sua relação com a dívida.

Nos últimos 12 meses, cada ação preferencial da Petrobras (PETR4) foi negociada a um preço médio de R$ 14,80, aproximadamente a metade do valor de mercado, que ficou em torno de R$ 30.

Além disso, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) não foram incluídas no ranking devido ao critério de manter apenas uma ação por empresa, mas também tiveram a mesma distribuição de R$ 14,80 por ação.

“A Petrobras adotou uma estratégia de suspensão do pagamento de dividendos entre 2015 e 2018, devido ao objetivo de reduzir a sua elevada dívida acumulada até então. Os pagamentos retornaram a partir de 2018 e vem crescendo gradualmente”, explica a XP sobre a dinâmica de pagamentos da empresa.

“Entretanto, em novembro de 2021, a Petrobras anunciou uma nova política de dividendos. Ela estabelece um dividendo mínimo anual de US$ 4 bilhões para exercícios fiscais em que os preços médios do Brent se situarem acima de US$ 40/bbl. Os dividendos da companhia são distribuídos trimestralmente e o pagamento é definido pela seguinte lógica: 60% da diferença entre fluxo de caixa das operações e investimento, uma vez que a dívida seja inferior a US$ 65 bilhões”, completa.

A XP projeta uma queda do yield para 30% neste ano de 2023, porém com cerca de 65% entre 2024 e 2027.

Marfrig

A empresa de frigoríficos apresentou um rendimento de 22,2%, com um pagamento de R$ 1,66 por ação ordinária nos últimos 12 meses.

No primeiro trimestre deste ano, a Marfrig (MRFG3) registrou um prejuízo líquido de R$ 634 milhões, e os resultados foram considerados mistos.

Analistas do Santander observaram que o cenário atual pode resultar em uma redução no pagamento de dividendos pela Marfrig no futuro.

A mudança no ciclo da pecuária nos Estados Unidos foi um dos fatores mencionados que afetou as margens da empresa. Espera-se que a Marfrig tenha alguma melhora em sua operação apenas no segundo semestre.

Dividendos CSN

A empresa distribuiu R$ 2,92 por ação ordinária em dividendos nos últimos 12 meses, resultando em um rendimento de 21%.

No início de maio, a CSN aprovou o pagamento de R$ 1,55 bilhão em dividendos referentes ao ano anterior.

No final de março, os controladores envolvidos em negociações chegaram a um acordo sobre suas participações na empresa e concordaram em votar a favor de um pagamento de R$ 2,3 bilhões em dividendos.

Essa questão complexa também inclui disputas legais entre a família controladora da Vicunha – a holding que está acima da CSN e abriga outras holdings de familiares do CEO, Benjamin Steinbruch.

CSN Mineração


Sendo em grande parte controlada pela CSN, a CSN Mineração (CMIN3) compensou R$ 0,91 por ação nos últimos 12 meses, o que equivale a um rendimento de 20% com base no preço atual das ações, que é de R$ 4,50.

A empresa costuma distribuir seus lucros de forma semelhante à sua controladora. A última distribuição ocorreu em maio, no mesmo dia que a CSN, e incluiu o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) juntamente com os rendimentos distribuídos.

Unipar

A empresa que ficou em último lugar no ranking distribuiu dividendos no valor de R$ 13,13 por ação nos últimos 12 meses, o que corresponde a um rendimento de 16% com base no preço de R$ 77 por ação.

Em meados de abril, a Unipar realizou uma transação relacionada aos proventos, aprovando uma distribuição de R$ 192 milhões aos acionistas.

Além da distribuição de dividendos, a empresa chamou a atenção do mercado ao fazer uma oferta pela participação na Braskem (BRKM5), competindo com a gestora Apollo e a ADNOC, de Abu Dhabi, pelo controle da empresa petroquímica.

Com informações de Suno Notícias

Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.