O Banco Central divulgou que as retiradas nas cadernetas de poupança excederam os depósitos em um valor de R$ 69,23 bilhões de janeiro a maio deste ano. O montante representa o maior registro de evasão de recursos da poupança nos primeiros cinco meses de um ano desde o início da série histórica em 1995.

Veja os dados do acumulado do ano:

– Os depósitos totalizaram R$ 1,53 trilhão;

– as retiradas alcançaram R$ 1,6 trilhão.

Saque em maio mostra deterioração em relação ao ano anterior

Apenas no mês de maio, o Banco Central informou que os saques da poupança (superando os depósitos) somaram R$ 11,74 bilhões. Isso representa uma piora em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando houve um ingresso de R$ 3,51 bilhões.

Com a saída de recursos da poupança no mês passado, o estoque total de valores depositados registrou uma queda para R$ 961,5 bilhões. Em abril, esse volume totalizava R$ 967,5 bilhões.

Cenário econômico: juros elevados e endividamento

A evasão de recursos da caderneta de poupança ocorre num contexto de juros elevados. Com uma taxa básica da economia de 13,75% ao ano, a maior em seis anos e meio, os bancos têm refletido essa elevação em suas taxas cobradas. Em fevereiro, as taxas médias atingiram o patamar mais alto dos últimos cinco anos.

Indicadores também mostram que o endividamento da população continua alto, atingindo 48,5% da renda acumulada nos últimos doze meses até março deste ano, de acordo com o Banco Central.

Recentemente, o Governo Federal anunciou o Programa Desenrola, destinado à renegociação de dívidas de aproximadamente 70 milhões de brasileiros.

Rentabilidade limitada da poupança

Em 2022, a poupança registrou seu primeiro ano de rendimento real desde 2018, após três anos de ganhos abaixo da inflação oficial do país. No ano passado, a rentabilidade da poupança foi de 2%, já descontando o aumento dos preços pelo IPCA.

Apesar do ganho real, a poupança continua com rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, acrescido da variação da taxa referencial (TR), calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados.

Equipe MI

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