Vale-refeição e vale-alimentação passam por mudanças no PAT e podem ser aceitos em mais locais; entenda o que muda
O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) está passando por uma reformulação que impacta diretamente o funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação no Brasil.
Foto: Vitor Vasconcelos/Secom-PR
A modernização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) está promovendo mudanças importantes no funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação no Brasil. As novas regras já começaram a ser implementadas e devem culminar, em novembro de 2026, na possibilidade de uso desses benefícios em qualquer maquininha, independentemente da bandeira ou operadora.
As alterações foram estabelecidas por decreto federal e fazem parte de um processo gradual de abertura do mercado, que busca aumentar a concorrência, reduzir custos e ampliar a rede de estabelecimentos credenciados.
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Vale-refeição e vale-alimentação: o que muda com o novo PAT
O principal impacto imediato para quem utiliza vale-refeição e vale-alimentação não está no uso direto do cartão, mas na expansão da rede de aceitação.
Isso ocorre porque as operadoras de benefícios com grande base de usuários passaram a atuar em um modelo chamado “arranjo aberto”. Na prática, isso permite que diferentes empresas participem das etapas de operação, como credenciamento de estabelecimentos e processamento de pagamentos.
Com isso, restaurantes, supermercados, padarias e outros comércios devem passar a aceitar mais cartões de benefícios, ampliando a oferta para o trabalhador.
Em uma etapa futura, prevista para novembro de 2026, o sistema deve atingir a chamada interoperabilidade total, permitindo que qualquer cartão de vale-refeição e vale-alimentação funcione em qualquer maquininha.
Como funciona o arranjo aberto do vale-refeição e vale-alimentação
O modelo anterior era conhecido como arranjo fechado, no qual grandes empresas controlavam toda a cadeia do benefício — desde a emissão do cartão até a rede de aceitação e o pagamento ao estabelecimento.
Com a abertura do sistema, esse processo passa a ser compartilhado entre diferentes participantes do mercado.
Na prática, o funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação passa a seguir uma lógica mais integrada:
- novas empresas podem credenciar estabelecimentos;
- diferentes operadoras podem interagir na mesma transação;
- há maior concorrência entre prestadores de serviço;
- os sistemas começam a se conectar gradualmente.
Esse processo é considerado uma etapa intermediária até a integração completa do sistema nacional.
Por que as regras do vale-refeição e vale-alimentação estão mudando
As mudanças no vale-refeição e vale-alimentação fazem parte de um decreto de modernização do PAT publicado pelo governo federal.
O objetivo principal é aumentar a competitividade no setor, que hoje é altamente concentrado. Segundo dados do mercado, milhões de trabalhadores são atendidos pelo sistema e o setor movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil.
Entre as medidas já implementadas estão:
- limitação de taxas cobradas dos estabelecimentos em até 3,6%;
- redução do prazo de repasse dos pagamentos para até 15 dias.
Antes das mudanças, os estabelecimentos podiam esperar cerca de 30 dias para receber.
A expectativa do governo é que a modernização do vale-refeição e vale-alimentação gere redução de custos e ampliação da rede credenciada.
Impacto no uso do vale-refeição e vale-alimentação pelo trabalhador
Para o trabalhador, o uso do vale-refeição e vale-alimentação não muda imediatamente.
O cartão continua funcionando da mesma forma no dia a dia, mas a tendência é que mais estabelecimentos passem a aceitar o benefício ao longo dos próximos meses.
O principal impacto será percebido gradualmente, com:
- aumento da rede de aceitação;
- mais opções de estabelecimentos;
- maior facilidade de uso em diferentes regiões;
- possível redução de taxas indiretas embutidas no sistema.
A etapa mais significativa deve ocorrer em novembro de 2026, quando o sistema atingir a interoperabilidade completa.
Mercado do vale-refeição e vale-alimentação e disputa entre empresas
O setor de vale-refeição e vale-alimentação é um dos maiores mercados de benefícios do país, atendendo mais de 22 milhões de trabalhadores.
Atualmente, mais de 500 empresas operam nesse segmento, mas cerca de 80% do mercado está concentrado em grandes operadoras como Alelo, VR Benefícios, Pluxee e Ticket.
Com a abertura do sistema, a expectativa é de maior concorrência e entrada de novas empresas no setor, o que pode alterar a dinâmica do mercado de vale-refeição e vale-alimentação nos próximos anos.
Críticas e desafios da modernização do vale-refeição e vale-alimentação
Apesar dos objetivos de modernização, entidades do setor demonstram preocupação com a velocidade das mudanças.
A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) afirma que a transição pode gerar riscos operacionais e dificultar a fiscalização do uso correto do benefício.
Entre os principais pontos levantados estão:
- possível aumento da complexidade no monitoramento de estabelecimentos;
- pressão financeira sobre operadoras menores;
- risco de judicialização;
- impactos em contratos públicos.
Para a entidade, a adaptação do sistema do vale-refeição e vale-alimentação deveria ocorrer de forma mais gradual.
Governo defende transição gradual no vale-refeição e vale-alimentação
O Ministério do Trabalho e Emprego, por outro lado, afirma que a implementação está sendo feita de forma escalonada, com prazos definidos até 2026.
Segundo o governo, o modelo foi desenhado para permitir adaptação do mercado e garantir que a modernização do vale-refeição e vale-alimentação ocorra sem interrupções no funcionamento do sistema.
A pasta também reforça que a fiscalização continuará sendo responsabilidade das operadoras, sob supervisão do governo federal.