Vale-refeição e vale-alimentação passam por mudanças no PAT e podem ser aceitos em mais locais; entenda o que muda

O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) está passando por uma reformulação que impacta diretamente o funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação no Brasil.

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Última atualização:  18 de maio, 2026 às 09:47
Uma pessoa segura um cartão de benefícios de cor verde-limão em frente ao caixa de um estabelecimento comercial. O cartão traz a inscrição "refeição" em letras verdes, acompanhada de pequenos ícones de talheres e de um copo com canudo. Em segundo plano, desfocados, aparecem produtos expostos perto do caixa, como maços de cigarro e gomas de mascar, além de uma máquina de cartão amarela sobre o balcão de madeira. Foto: Vitor Vasconcelos/Secom-PR

A modernização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) está promovendo mudanças importantes no funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação no Brasil. As novas regras já começaram a ser implementadas e devem culminar, em novembro de 2026, na possibilidade de uso desses benefícios em qualquer maquininha, independentemente da bandeira ou operadora.

As alterações foram estabelecidas por decreto federal e fazem parte de um processo gradual de abertura do mercado, que busca aumentar a concorrência, reduzir custos e ampliar a rede de estabelecimentos credenciados.

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Vale-refeição e vale-alimentação: o que muda com o novo PAT

O principal impacto imediato para quem utiliza vale-refeição e vale-alimentação não está no uso direto do cartão, mas na expansão da rede de aceitação.

Isso ocorre porque as operadoras de benefícios com grande base de usuários passaram a atuar em um modelo chamado “arranjo aberto”. Na prática, isso permite que diferentes empresas participem das etapas de operação, como credenciamento de estabelecimentos e processamento de pagamentos.

Com isso, restaurantes, supermercados, padarias e outros comércios devem passar a aceitar mais cartões de benefícios, ampliando a oferta para o trabalhador.

Em uma etapa futura, prevista para novembro de 2026, o sistema deve atingir a chamada interoperabilidade total, permitindo que qualquer cartão de vale-refeição e vale-alimentação funcione em qualquer maquininha.

Como funciona o arranjo aberto do vale-refeição e vale-alimentação

O modelo anterior era conhecido como arranjo fechado, no qual grandes empresas controlavam toda a cadeia do benefício — desde a emissão do cartão até a rede de aceitação e o pagamento ao estabelecimento.

Com a abertura do sistema, esse processo passa a ser compartilhado entre diferentes participantes do mercado.

Na prática, o funcionamento do vale-refeição e vale-alimentação passa a seguir uma lógica mais integrada:

  • novas empresas podem credenciar estabelecimentos;
  • diferentes operadoras podem interagir na mesma transação;
  • há maior concorrência entre prestadores de serviço;
  • os sistemas começam a se conectar gradualmente.

Esse processo é considerado uma etapa intermediária até a integração completa do sistema nacional.

Por que as regras do vale-refeição e vale-alimentação estão mudando

As mudanças no vale-refeição e vale-alimentação fazem parte de um decreto de modernização do PAT publicado pelo governo federal.

O objetivo principal é aumentar a competitividade no setor, que hoje é altamente concentrado. Segundo dados do mercado, milhões de trabalhadores são atendidos pelo sistema e o setor movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil.

Entre as medidas já implementadas estão:

  • limitação de taxas cobradas dos estabelecimentos em até 3,6%;
  • redução do prazo de repasse dos pagamentos para até 15 dias.

Antes das mudanças, os estabelecimentos podiam esperar cerca de 30 dias para receber.

A expectativa do governo é que a modernização do vale-refeição e vale-alimentação gere redução de custos e ampliação da rede credenciada.

Impacto no uso do vale-refeição e vale-alimentação pelo trabalhador

Para o trabalhador, o uso do vale-refeição e vale-alimentação não muda imediatamente.

O cartão continua funcionando da mesma forma no dia a dia, mas a tendência é que mais estabelecimentos passem a aceitar o benefício ao longo dos próximos meses.

O principal impacto será percebido gradualmente, com:

  • aumento da rede de aceitação;
  • mais opções de estabelecimentos;
  • maior facilidade de uso em diferentes regiões;
  • possível redução de taxas indiretas embutidas no sistema.

A etapa mais significativa deve ocorrer em novembro de 2026, quando o sistema atingir a interoperabilidade completa.

Mercado do vale-refeição e vale-alimentação e disputa entre empresas

O setor de vale-refeição e vale-alimentação é um dos maiores mercados de benefícios do país, atendendo mais de 22 milhões de trabalhadores.

Atualmente, mais de 500 empresas operam nesse segmento, mas cerca de 80% do mercado está concentrado em grandes operadoras como Alelo, VR Benefícios, Pluxee e Ticket.

Com a abertura do sistema, a expectativa é de maior concorrência e entrada de novas empresas no setor, o que pode alterar a dinâmica do mercado de vale-refeição e vale-alimentação nos próximos anos.

Críticas e desafios da modernização do vale-refeição e vale-alimentação

Apesar dos objetivos de modernização, entidades do setor demonstram preocupação com a velocidade das mudanças.

A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) afirma que a transição pode gerar riscos operacionais e dificultar a fiscalização do uso correto do benefício.

Entre os principais pontos levantados estão:

  • possível aumento da complexidade no monitoramento de estabelecimentos;
  • pressão financeira sobre operadoras menores;
  • risco de judicialização;
  • impactos em contratos públicos.

Para a entidade, a adaptação do sistema do vale-refeição e vale-alimentação deveria ocorrer de forma mais gradual.

Governo defende transição gradual no vale-refeição e vale-alimentação

O Ministério do Trabalho e Emprego, por outro lado, afirma que a implementação está sendo feita de forma escalonada, com prazos definidos até 2026.

Segundo o governo, o modelo foi desenhado para permitir adaptação do mercado e garantir que a modernização do vale-refeição e vale-alimentação ocorra sem interrupções no funcionamento do sistema.

A pasta também reforça que a fiscalização continuará sendo responsabilidade das operadoras, sob supervisão do governo federal.