Tenda (TEND3) quer elevar participação de estrangeiros de 20% para mais de 50% até 2026
Construtora intensifica agenda internacional para atrair capital externo
Foto: Divulgação
A construtora Tenda (TEND3) pretende elevar a participação de investidores estrangeiros em seu capital dos atuais cerca de 20% para mais de 50% até o fim de 2026. Para alcançar esse objetivo, a empresa retomou uma agenda internacional de relacionamento com grandes gestores de recursos, intensificando roadshows e encontros fora do Brasil desde o segundo semestre de 2025.
A estratégia combina maior presença no exterior com a busca por resultados financeiros consistentes, em um momento considerado favorável para o setor imobiliário e para o mercado brasileiro como um todo.
A iniciativa envolve viagens regulares a centros financeiros como Estados Unidos, Europa e Ásia, com apresentações a investidores institucionais e reuniões individuais.
Segundo a companhia, a meta é realizar ao menos um evento internacional por trimestre, ampliando o conhecimento do mercado global sobre o modelo de negócios da Tenda, focado em habitação popular.
Agenda internacional ganha força
A retomada do contato com investidores estrangeiros começou em setembro de 2025, quando a Tenda participou de uma conferência do UBS, em Nova York.
Na ocasião, executivos da empresa também realizaram reuniões com gestores de fundos. A agenda seguiu com encontros em Londres e, em dezembro, incluiu roadshows em Cingapura e Hong Kong, importantes polos financeiros asiáticos.
Em janeiro de 2026, a construtora voltou a Londres e aos Estados Unidos para novas rodadas de reuniões. De acordo com a companhia, o plano é manter presença constante nesses mercados para reforçar a visibilidade da marca e ampliar o interesse de fundos globais.
O diretor financeiro da Tenda, Luiz Mauricio Garcia, afirma que a estratégia passa por um esforço contínuo de relacionamento. Segundo ele, tornar a empresa mais conhecida no exterior exige contato direto com investidores e presença frequente nos principais centros financeiros.
Resultados como base da estratégia
Além da agenda internacional, a Tenda aposta na entrega de resultados operacionais e financeiros consistentes como principal argumento para atrair capital estrangeiro. A empresa projeta crescimento ao longo de 2026 e mantém um guidance considerado positivo pelo mercado.
Em apresentação a investidores realizada em dezembro, a construtora estimou lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em 2026.
Para efeito de comparação, o lucro registrado em 2024 foi de R$ 210,7 milhões. O avanço reflete a recuperação operacional da companhia após um período mais desafiador para o setor de construção civil.
As vendas líquidas do segmento Tenda, voltado à construção de apartamentos em regiões metropolitanas, são estimadas entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.
Já o segmento Alea, focado na produção industrializada de casas para instalação em condomínios, deve registrar vendas entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões.
Evolução operacional e desempenho das ações
O balanço mais recente da empresa, referente ao terceiro trimestre de 2025, mostrou crescimento de 46,6% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho contribuiu para a valorização expressiva das ações da companhia na Bolsa.
Em 2025, os papéis da Tenda acumularam alta superior a 100%, refletindo a melhora dos resultados e a percepção mais positiva do mercado em relação ao futuro da empresa.
Com isso, o valor de mercado da construtora chegou a cerca de R$ 3 bilhões, patamar considerado mais atrativo para grandes fundos internacionais.
Segundo a administração, muitos investidores estrangeiros costumam adotar um valor mínimo de mercado, geralmente em torno de US$ 500 milhões, como critério para investimento. A superação desse patamar ajudou a ampliar o interesse pela companhia.
Comparação com concorrentes do setor
Dados apresentados pela própria Tenda mostram que outras construtoras do segmento já possuem uma participação significativa de investidores estrangeiros.
Empresas como Direcional e Cury têm cerca de 57% de capital estrangeiro em suas bases acionárias, enquanto a MRV registra aproximadamente 41%. A Tenda, com pouco mais de 20%, aparece abaixo desses pares, o que reforça o potencial de crescimento nessa frente.
A companhia avalia que a redução dessa diferença pode contribuir para maior liquidez das ações e melhor precificação no mercado.
Cenário econômico e setor imobiliário
A avaliação da Tenda é de que o momento é favorável tanto no cenário doméstico quanto no internacional.
O Brasil voltou ao radar de investidores focados em mercados emergentes, impulsionado por expectativas de maior estabilidade econômica e oportunidades em setores ligados ao consumo e à infraestrutura.
No mercado interno, a empresa afirma não ver riscos relevantes para o programa Minha Casa, Minha Vida, considerado essencial para o segmento de habitação popular.
Segundo a construtora, o programa é sólido e deve continuar independentemente do cenário político, dada sua importância social e econômica.
Em relação ao FGTS, uma das principais fontes de recursos para o crédito habitacional, a avaliação é de que, apesar de uma concessão de financiamentos acima da capacidade orgânica do fundo, o governo dispõe de mecanismos para sustentar o programa no curto e médio prazos.
Foco em crescimento e visibilidade global
Combinando presença internacional, melhora operacional e cenário econômico mais favorável, a Tenda busca se posicionar como uma opção relevante para investidores estrangeiros interessados no setor imobiliário brasileiro.
A expectativa da empresa é que o aumento dessa participação contribua para fortalecer sua base acionária e sustentar os planos de crescimento até 2026.
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