Taxas dos DIs sobem mais de 10 pontos-base após ofensiva dos EUA contra o Irã
As taxas dos DIs sobem mais de 10 pontos-base nesta segunda-feira (2), refletindo a aversão global ao risco após a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã.
Foto: Stock Adobe/Montagem IM - Leo Albertino
As taxas dos DIs sobem de forma expressiva nesta segunda-feira (2), refletindo o aumento da aversão global ao risco após a ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã no fim de semana. O movimento ocorre na B3 e atinge principalmente os vencimentos intermediários e longos da curva, com altas superiores a 10 pontos-base.
O avanço dos juros futuros acontece em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, à disparada do petróleo e ao fortalecimento do dólar frente a moedas emergentes, incluindo o real. O episódio adiciona um novo fator de incerteza ao cenário doméstico, que já vinha pressionado por dados recentes de inflação acima do esperado.
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Reação imediata: taxas dos DIs sobem em toda a curva
Logo na abertura do mercado, as taxas dos DIs sobem com força. Às 9h47, o contrato para janeiro de 2028 avançava para 12,73%, alta de 11 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2035 atingia 13,425%, também com elevação de 11 pontos-base.
O movimento indica abertura da curva de juros, fenômeno que ocorre quando investidores exigem taxas maiores para financiar prazos mais longos diante do aumento das incertezas.
No Brasil, a reação não ficou restrita aos juros. O dólar operava em alta frente ao real, enquanto investidores reduziam exposição a ativos considerados mais arriscados. Esse comportamento é típico em momentos de choque geopolítico relevante.
Escalada no Oriente Médio impulsiona petróleo e pressiona mercados
A tensão aumentou após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano. A ação resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e provocou retaliação imediata por parte do Irã.
Mísseis foram lançados contra alvos em países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuweit e Jordânia, ampliando o risco de envolvimento regional.
O principal canal de transmissão para os mercados foi o petróleo, que registrava alta superior a 6% na manhã desta segunda-feira. Como o Oriente Médio concentra parcela relevante da produção global da commodity, qualquer ameaça à oferta tende a elevar os preços rapidamente.
A alta do petróleo reacende temores inflacionários em diversas economias, inclusive no Brasil, o que ajuda a explicar por que as taxas dos DIs sobem com intensidade.
IPCA-15 já havia pressionado a curva antes do choque externo
Mesmo antes da escalada geopolítica, a curva de juros brasileira já vinha mostrando inclinação de alta. Na sexta-feira (27), o resultado do IPCA-15 — prévia da inflação oficial — superou as expectativas do mercado.
O dado indicou persistência da inflação de serviços, componente mais sensível à política monetária. Esse cenário já vinha alimentando cautela entre investidores, que passaram a reavaliar o ritmo de flexibilização da taxa básica.
Assim, o choque externo atuou como catalisador adicional, ampliando um movimento que já estava em curso.
Mercado mantém aposta em corte de 50 pontos-base da Selic
Apesar da abertura da curva e do ambiente de maior risco, as expectativas para a Selic permanecem relativamente estáveis.
A taxa básica de juros está atualmente em 15% ao ano. Segundo o boletim Focus divulgado nesta manhã, a mediana das projeções indica corte de 50 pontos-base na próxima reunião do Copom, com a Selic encerrando o ano em 12,00%. Para 2027, a estimativa segue em 10,50%.
Na B3, antes da divulgação do IPCA-15 e da ofensiva no Oriente Médio, as opções de Copom indicavam 83% de probabilidade de redução de 50 pontos-base, 13,98% de chance de corte de 25 pontos-base e 2,04% de possibilidade de redução de 75 pontos-base.
Ainda que as taxas dos DIs sobem no curto prazo, o mercado não alterou de forma significativa sua visão estrutural sobre o ciclo de queda dos juros.
Ambiente externo e Treasury reforçam cautela
No cenário internacional, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia para 3,985%, avanço de 2 pontos-base.
Embora o movimento nos Treasuries seja moderado, ele reforça o ambiente global de maior cautela. Em contextos como esse, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, enquanto reduzem posições em emergentes.
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