Suzano (SUZB3) lucra R$ 4,3 bilhões no 1º trimestre, mas resultado cai 32%
Valorização do real e menor volume no trimestre limitaram ganhos mesmo com preços mais altos da celulose
Foto: Getty Images/Reprodução via Forbes
A Suzano (SUZB3) registrou lucro líquido de R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), o que representa uma queda de 32% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que limitou os ganhos mesmo em um cenário de preços mais altos da celulose.
Segundo a companhia, o mercado global de celulose teve desempenho positivo no período, com sucessivos aumentos de preços impulsionados por uma demanda mais aquecida, especialmente do setor de papel.
Acompanhe a cotação do ativo:
Receita e Ebitda recuam; vendas de celulose avançam
A receita líquida somou R$ 10,9 bilhões, com recuo de 5% em relação ao 1T25 e queda mais acentuada frente ao trimestre anterior, refletindo a combinação de câmbio desfavorável e menor volume sequencial de vendas.
O Ebitda ajustado atingiu R$ 4,6 bilhões, baixa de 6% na base anual, mantendo, porém, a margem estável em 42%, o que indica resiliência operacional mesmo diante de pressões externas.
O volume de vendas de celulose alcançou 2,8 milhões de toneladas, crescimento de 7% na comparação anual. Já o preço médio ficou em torno de US$ 560 por tonelada, avanço de 1%.
No negócio de papel, o desempenho foi mais fraco. Os volumes vendidos recuaram 3% na comparação anual, enquanto os preços caíram 8%. A companhia atribui esse movimento tanto ao cenário internacional quanto ao câmbio, que também afetou negativamente a competitividade dos produtos.
Custos menores e resultado ajudam a compensar
Por outro lado, o custo caixa de produção de celulose ficou em R$ 802 por tonelada, com queda de 7% em relação ao ano anterior. A redução foi favorecida por preços menores de insumos e também pelo efeito cambial. Essa melhora de eficiência ajudou a mitigar parte das pressões sobre os resultados.
O resultado financeiro foi positivo em R$ 4,6 bilhões, beneficiado principalmente pela variação cambial e operações com derivativos.
Já a geração de caixa operacional somou R$ 2,5 bilhões, com queda de 4% na comparação anual e retração mais significativa frente ao trimestre anterior.
A alavancagem da companhia encerrou o trimestre em 3,3 vezes dívida líquida/Ebitda em dólar, apresentando leve alta em relação ao trimestre anterior.
Perspectivas seguem positivas
Apesar dos impactos cambiais no curto prazo, a Suzano avalia que o cenário global permanece favorável, sustentado por demanda firme — principalmente na China — e restrições na oferta de celulose.
Ainda assim, a empresa reconhece que fatores como volatilidade cambial e incertezas geopolíticas seguem no radar e podem continuar influenciando seus resultados nos próximos trimestres.