SuperVia vai deixar concessão dos trens no RJ; Nova Via Mobilidade assume operação em março
SuperVia deixa concessão no RJ após quase 30 anos; Transporte de 300 mil passageiros por dia passará para novo consórcio após leilão judicial no Tribunal de Justiça do Rio.
Reprodução: Supervia Trens
A SuperVia está prestes a deixar a concessão do sistema ferroviário do Rio de Janeiro após quase três décadas à frente da operação. O Consórcio Nova Via Mobilidade foi o único a apresentar proposta no leilão judicial realizado pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio e deve assumir o serviço a partir de março.
A mudança marca o fim de um ciclo iniciado em 1998, quando a SuperVia passou a operar os trens urbanos que conectam a capital fluminense a outros 11 municípios da Região Metropolitana.
Nova operadora assume trens que transportam 300 mil passageiros por dia
O sistema atualmente operado pela SuperVia transporta cerca de 300 mil passageiros diariamente e conta com cinco ramais, três extensões, 270 quilômetros de trilhos e 104 estações.
Pelo modelo definido no edital, a nova permissionária será remunerada pelo governo estadual com base na quilometragem percorrida pelas composições — estimada em R$ 17,60 por quilômetro rodado. O valor total do contrato é estimado em R$ 660 milhões.
Diferentemente do modelo tradicional de concessão, a empresa não ficará com a arrecadação das tarifas. O governo do Estado continuará responsável por definir o preço das passagens. Atualmente, a tarifa cheia é de R$ 7,60, enquanto usuários do Bilhete Único Intermunicipal pagam R$ 5.
Operação assistida marcará transição da SuperVia
A transição entre a SuperVia e a Nova Via Mobilidade deverá começar em 10 de março, caso o resultado do leilão seja homologado pela Justiça. Está prevista uma operação assistida de 90 dias, período em que a nova gestora acompanhará a rotina completa do sistema antes da saída definitiva da atual concessionária.
Após essa fase, a SuperVia deixa oficialmente a operação dos trens urbanos no estado.
Estrutura operacional contará com empresa portuguesa
O consórcio vencedor é formado por fundos de investimento e pretende subcontratar o grupo português Barraqueiro para a operação ferroviária. A companhia é considerada a maior operadora privada de transporte em Portugal e já atua no Brasil no setor rodoviário.
Outra empresa prevista para atuar no suporte técnico é a MPE Engenharia, especializada em manutenção metroferroviária.
Desafios: segurança, evasão de receitas e frota antiga
A nova gestora herdará uma operação marcada por desafios estruturais. Parte da malha ferroviária atravessa áreas com forte presença do crime organizado, o que impacta diretamente a regularidade das viagens.
Dados da Agetransp indicam que, somente nos primeiros dez meses do ano passado, centenas de viagens foram canceladas ou interrompidas por questões de segurança pública, furtos de cabos e atos de vandalismo.
Outro problema recorrente é a evasão de receitas. Estimativas apontam que milhares de passageiros utilizam o sistema diariamente sem pagamento de tarifa, afetando o equilíbrio financeiro da operação.
Além disso, a frota atual inclui trens antigos — alguns da década de 1960 — ainda utilizados em determinados ramais, especialmente nos trechos movidos a diesel.
O que muda para o passageiro?
No curto prazo, a troca da SuperVia pela Nova Via Mobilidade não altera o valor da passagem nem o funcionamento imediato do sistema. A expectativa do governo estadual é que o novo modelo de remuneração aumente a previsibilidade financeira e permita melhorias graduais no serviço.
A saída da SuperVia encerra uma das concessões mais longas do transporte público fluminense e abre um novo capítulo para o sistema ferroviário do Rio de Janeiro.
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