Setor público tem superávit de R$ 103 bi; estatais registram déficit recorde

O setor público consolidado registrou um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro de 2026, segundo o Banco Central.

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Última atualização:  27 de fev, 2026 às 17:19
Vista de baixo para cima (contra-plongée) do letreiro da Superintendência da Receita Federal do Brasil, com o logotipo azul escuro em uma estrutura metálica vertical. Imagem: Divulgação

O superávit do setor público consolidado no Brasil alcançou R$ 103,7 bilhões em janeiro de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta sexta-feira. O resultado, embora expressivo, veio acompanhado de um aumento significativo do déficit das empresas estatais, que somou R$ 4,9 bilhões no mesmo período. Esses números reforçam a complexidade das contas públicas brasileiras e mostram como o equilíbrio fiscal depende tanto do desempenho do governo quanto do resultado das estatais.

Superávit do setor público: o que significa e como foi formado

O superávit do setor público representa o saldo positivo das contas do governo, quando as receitas obtidas com impostos e tributos superam as despesas, desconsiderando os juros da dívida. Em janeiro, o saldo consolidado incluiu os resultados de União, estados, municípios e empresas estatais, com exceção do setor financeiro e da Petrobras.

O superávit do setor público em janeiro de 2026 foi ligeiramente inferior ao registrado em janeiro de 2025, quando o saldo positivo chegou a R$ 104,1 bilhões. O resultado do mês foi formado por:

  • Governo federal: superávit de R$ 87,3 bilhões
  • Estados e municípios: superávit de R$ 21,3 bilhões
  • Empresas estatais: déficit de R$ 4,9 bilhões

Essa composição mostra que, mesmo com a expressiva arrecadação do governo federal, o aumento do déficit das estatais acabou reduzindo o impacto positivo do superávit consolidado.

Déficit das estatais: causas e contexto

O déficit de R$ 4,9 bilhões das estatais chama atenção por ser quase cinco vezes maior que o resultado negativo registrado em janeiro de 2025. Ele também é praticamente equivalente ao saldo negativo acumulado por essas empresas em todo o ano anterior, que foi de R$ 5,1 bilhões.

Segundo o governo, o aumento do déficit reflete principalmente dois fatores:

  1. Investimentos mais acelerados nas empresas estatais;
  2. Pagamento de dividendos aos acionistas, que impacta o resultado final do mês.

É importante destacar que o levantamento do Banco Central não inclui empresas como Petrobras e Eletrobras, que desde 2009 seguem regras de contabilidade semelhantes às de companhias privadas. Por outro lado, o Ministério da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos (MGI) possui seu próprio indicador, que considera o lucro dessas empresas. Pelo boletim do MGI, as estatais registraram lucro líquido de R$ 136,3 bilhões em 2025, com alta de 22,5% sobre 2024, sendo a Petrobras responsável por quase 70% desse montante.

Superávit e déficit em doze meses

No acumulado de doze meses até janeiro, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB. Quando se considera o critério nominal, que engloba o pagamento de juros da dívida pública, o Brasil apresentou:

  • Superávit nominal em janeiro: R$ 40,1 bilhões
  • Déficit nominal em doze meses: R$ 1,086 trilhão (8,05% do PIB)

Esses números mostram que, embora o superávit do setor público em janeiro seja expressivo, o cenário anual ainda aponta desafios para o equilíbrio fiscal, principalmente por causa do aumento do déficit das estatais e do elevado custo dos juros da dívida.

Dívida pública: estabilidade e redução da dívida líquida

O Banco Central também divulgou os números da dívida pública. A dívida bruta do Brasil permaneceu estável em R$ 10,1 trilhões, representando 78,7% do PIB. Este indicador considera o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, sendo um dos principais parâmetros para investidores avaliarem a saúde das contas públicas.

Por outro lado, a dívida líquida, que desconta os ativos do governo, apresentou queda para R$ 8,3 trilhões, ou 65% do PIB, uma redução de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior. A diminuição da dívida líquida é vista como um indicador positivo de gestão fiscal, mostrando que o setor público conseguiu reduzir parte de suas obrigações considerando seus ativos disponíveis.

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