Venezuela inicia soltura de cidadãos americanos presos, confirma Departamento de Estado dos EUA

A Venezuela começou a libertar cidadãos americanos presos no país, segundo confirmou o Departamento de Estado dos Estados Unidos.

imagem do autor
Última atualização:  14 de jan, 2026 às 14:21
Sobreposição das bandeiras dos Estados Unidos e da Venezuela em um efeito de desfoque, destacando as estrelas da bandeira venezuelana em primeiro plano. Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

A Venezuela iniciou a soltura de cidadãos americanos presos no país, segundo confirmou na última terça-feira (13) o Departamento de Estado dos Estados Unidos. A liberação ocorre em meio a negociações diplomáticas entre Caracas e Washington e faz parte de um processo mais amplo conduzido pelo governo interino venezuelano, que afirma estar libertando presos políticos desde a semana passada.

A confirmação oficial dos Estados Unidos marca um novo capítulo na relação entre os dois países, historicamente marcada por tensões políticas, sanções econômicas e disputas diplomáticas. Apesar do anúncio, o número exato de americanos libertados ainda não foi divulgado oficialmente, o que reforça as críticas sobre a falta de transparência por parte das autoridades venezuelanas.

Leia também:

Um funcionário do Departamento de Estado, que falou sob condição de anonimato, afirmou que mais de um cidadão americano foi libertado pelas autoridades venezuelanas. Segundo ele, o gesto representa “um passo importante na direção certa” por parte do governo interino do país sul-americano.

Embora o governo dos EUA tenha evitado detalhar datas, locais ou identidades dos libertados, outras fontes diplomáticas indicam que cinco americanos teriam sido soltos, sendo quatro nesta terça-feira (13) e um na segunda-feira (12). As informações, no entanto, ainda não foram confirmadas oficialmente.

A libertação ocorre na Venezuela, país onde diversos cidadãos estrangeiros, incluindo americanos, foram detidos nos últimos anos sob acusações que vão desde conspiração até crimes contra a segurança nacional.

Soltura faz parte de liberação mais ampla de presos políticos

A libertação dos cidadãos americanos presos na Venezuela está inserida em um processo mais amplo iniciado na última quinta-feira (8), quando o governo interino liderado por Delcy Rodríguez anunciou o início da soltura de presos políticos, incluindo estrangeiros.

Na noite de terça-feira (13), a ONG Foro Penal, referência no monitoramento de detenções políticas no país, confirmou a libertação de 56 presos políticos. A organização, no entanto, criticou duramente a ausência de informações oficiais sobre quem foi libertado, quando ocorreram as solturas e sob quais critérios.

Segundo a entidade, a falta de dados públicos impede a verificação independente e levanta dúvidas sobre a real dimensão das libertações anunciadas pelo governo.

Governo venezuelano contesta números e não apresenta comprovações

Enquanto a ONG Foro Penal fala em 56 libertações confirmadas, o governo interino da Venezuela afirma que cerca de 400 pessoas já foram soltas. No entanto, até o momento, não foram apresentados documentos, listas nominais ou registros oficiais que comprovem esse número.

Essa divergência reforça as críticas internacionais sobre a condução do processo e dificulta determinar quantos dos libertados eram, de fato, presos políticos, e quantos estavam detidos por outros motivos.

Negociações anteriores envolveram troca de presos e migrantes

Não é a primeira vez que a libertação de cidadãos americanos presos na Venezuela ocorre no contexto de negociações com os Estados Unidos. Em julho, o governo venezuelano libertou dez cidadãos americanos em troca da repatriação de dezenas de migrantes que haviam sido deportados pelos EUA para El Salvador.

Esses acordos pontuais fazem parte de uma estratégia de aproximação gradual entre os dois países, especialmente em meio a pressões internacionais por avanços em direitos humanos e garantias democráticas.

Trump comemora libertações e suspende nova ofensiva contra Caracas

Na sexta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou publicamente a libertação dos primeiros presos políticos e afirmou que, em resposta, cancelou uma “segunda onda de ataques” contra a Venezuela.

A declaração indica que as libertações podem ter impacto direto na política externa americana em relação ao país sul-americano, inclusive no que diz respeito a sanções e pressões diplomáticas.

Prisões aumentaram após eleições contestadas de 2024

O contexto das detenções remonta às eleições presidenciais de 2024, nas quais Nicolás Maduro foi declarado vencedor em meio a acusações de fraude eleitoral. Após o pleito, protestos se espalharam pelo país, resultando em um aumento significativo no número de prisões.

Organizações internacionais e governos estrangeiros passaram a classificar parte dessas detenções como prisões de motivação política, o que intensificou o isolamento diplomático da Venezuela e ampliou as pressões por libertações.

Por que a libertação é relevante no cenário internacional

A soltura de cidadãos americanos presos na Venezuela é vista como um sinal de possível distensão diplomática, mas também expõe as fragilidades institucionais do país, especialmente no que diz respeito à transparência e ao respeito aos direitos humanos.

Enquanto Washington vê o gesto como positivo, entidades independentes alertam que sem informações claras e verificáveis, é impossível avaliar se o processo representa uma mudança estrutural ou apenas uma concessão pontual em meio a negociações políticas.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook