Tokenização pode ampliar acesso a investimentos e reduzir custos, dizem especialistas no Smart Summit 2026

Especialistas explicam como a tokenização pode reduzir intermediários, ampliar a liquidez e abrir novas oportunidades para investidores.

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Última atualização:  12 de mar, 2026 às 18:28
Painel de negócios no Smart Summit 2026 com três palestrantes debatendo investimentos em palco diante do público. Foto: Melhor Investimento

A tokenização de ativos foi um dos temas debatidos no Smart Summit 2026. Durante o painel, especialistas explicaram como a tecnologia pode abrir novas oportunidades no mercado financeiro ao permitir que ativos do mundo real sejam representados digitalmente.

Segundo eles, o modelo pode reduzir custos nas operações, ampliar o acesso dos investidores e trazer mais eficiência para a estrutura de investimentos.

O que é a tokenização de ativos

Durante a conversa, Ricardo Cargianno, Founder da Capitare Mobiup, explicou que a tokenização consiste em transformar um ativo real em uma representação digital registrada em blockchain.

Segundo ele, a blockchain funciona como um registro compartilhado e imutável que guarda todas as transações realizadas. Isso permite acompanhar com precisão a movimentação de cada ativo.

“A tokenização é basicamente a representação digital de um ativo que existe no mundo real. Quando usamos blockchain, conseguimos registrar a transferência desse ativo de uma carteira para outra com segurança”, afirmou.

Essa tecnologia também permite rastrear as operações e garante que o ativo não seja duplicado ou alterado após o registro.

Menos intermediários e mais eficiência

Outro ponto destacado no painel foi o impacto da tokenização na estrutura de custos das operações.

No modelo tradicional de emissão de ativos financeiros, diversas instituições participam do processo, como escrituradores, bancos liquidantes e outros intermediários.

De acordo com Cargianno, em algumas operações esse processo pode envolver até nove agentes.

Com o uso da blockchain, parte dessas funções pode ser automatizada ou integrada pela própria tecnologia.

“Em uma emissão tradicional você pode ter nove agentes participando da operação. No modelo tokenizado esse número pode cair para cerca de quatro, o que já traz uma redução importante de custos”, explicou.

Além disso, a automação de processos pode gerar ganhos relevantes de eficiência para gestoras e plataformas que utilizam essa estrutura.

Fracionamento amplia o acesso dos investidores

Para Paulo Braga, CEO da Amex Capital, uma das principais vantagens da tokenização é a possibilidade de dividir ativos em partes menores.

Na prática, cada token representa um ativo ou parte de um ativo do mundo real, como imóveis, debêntures ou até obras de arte.

“O token representa um ativo subjacente. Pode ser um imóvel, uma debênture ou outros ativos do mundo real. O investidor precisa olhar para o que está por trás daquele token”, explicou.

Com esse modelo, o valor mínimo de investimento pode ser menor, o que facilita o acesso de mais pessoas a determinados ativos.

“Quando você consegue fracionar um ativo, o custo unitário diminui e mais investidores conseguem participar”, afirmou.

Mercado ainda exige atenção aos riscos

Apesar das vantagens, os participantes lembraram que o mercado de ativos tokenizados ainda exige atenção a alguns riscos.

Entre os pontos citados estão questões relacionadas à custódia dos ativos digitais e à segurança dos protocolos utilizados nas operações.

Segundo Paulo Braga, esses fatores são diferentes do que ocorre no mercado financeiro tradicional e exigem uma análise cuidadosa.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que a tokenização tende a ganhar cada vez mais espaço no mercado.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.