Santander (SANB11) estima até US$ 45 bilhões em fluxo estrangeiro para a Bolsa do Brasil

Banco vê espaço para entrada adicional de capital diante de cenário global mais favorável

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09 de fev, 2026 às 16:30
Notas de real e moedas sobrepostas, ilustrando fluxo estrangeiro para a Bolsa do Brasil. Foto: Envato Elements

O Santander (SANB11) afirmou, nesta segunda-feira (9), que uma realocação global de recursos para mercados emergentes pode gerar fluxo estrangeiro adicional entre US$ 6,5 bilhões e US$ 45 bilhões para a Bolsa do Brasil.

A projeção considera um movimento gradual de investidores internacionais, que podem reduzir exposição a mercados desenvolvidos e ampliar participação em países emergentes diante de um cenário externo mais equilibrado.

Segundo o banco, essa possível mudança de posição ocorre após anos de forte concentração em ações de países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos.

Com avaliações mais atrativas em emergentes, expectativa de estabilização dos juros globais e um dólar menos fortalecido, o ambiente tende a favorecer ativos de maior risco fora do eixo americano.

Bolsa brasileira já registra entrada de capital

O mercado acionário brasileiro começou 2026 em alta. O Ibovespa acumula valorização de 13 por cento no ano, enquanto o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas no exterior, sobe 16 por cento no mesmo período.

As entradas líquidas de investidores estrangeiros já somam R$ 28,4 bilhões, superando o total registrado em 2025.

Para o Santander, o fluxo externo tem papel central na reavaliação recente do mercado. Mesmo com a alta das ações nas primeiras semanas do ano, o Brasil ainda apresenta desconto em relação a outros mercados emergentes relevantes.

Estimativas consideram peso em índices globais

A análise do banco utiliza como base o índice MSCI ACWI, que reúne ações de mercados desenvolvidos e emergentes.

Atualmente, os emergentes representam cerca de 11 por cento do índice, abaixo do pico histórico de 14 por cento.

Em um cenário conservador, caso a participação dos emergentes suba para 12 por cento, aproximadamente US$ 150 bilhões poderiam migrar para esses países.

Como o Brasil representa cerca de 4,3 por cento do índice MSCI Emerging Markets, isso implicaria fluxo adicional estimado em US$ 6,5 bilhões.

Em um cenário mais amplo, com retorno ao peso máximo histórico dos emergentes, os fluxos para o Brasil poderiam alcançar cerca de US$ 19,4 bilhões.

Já em uma hipótese mais otimista, que considera aumento da participação brasileira no índice, o volume potencial poderia chegar a US$ 45 bilhões.

Contexto internacional pode sustentar movimento

O Santander destaca que mercados emergentes costumam se beneficiar quando há estabilização ou redução dos juros reais globais e leve enfraquecimento do dólar.

Além disso, parte dos emergentes já negocia acima de suas médias históricas, enquanto o Brasil ainda apresenta múltiplos considerados competitivos.

Na avaliação do banco, esse conjunto de fatores pode manter o país como destino relevante de capital estrangeiro ao longo de 2026, caso a rotação global para mercados emergentes se consolide.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.