Ex-presidente do Rioprevidência diz à PF que aporte de R$ 970 milhões no Banco Master foi sugerido por diretor

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou à Polícia Federal que o aporte de R$ 970 milhões no Banco Master foi sugerido pelo então diretor de investimentos da autarquia.

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16 de abr, 2026 às 17:00
Retrato de rosto de Deivis Marcon Antunes. Imagem: Divulgação Rioprevidência

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o aporte de R$ 970 milhões no Banco Master foi sugerido pelo então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues. A declaração coloca no centro da apuração a origem da decisão que envolveu um dos maiores investimentos recentes do fundo previdenciário do estado do Rio de Janeiro.

O depoimento foi prestado no dia 3 de fevereiro, após Deivis ser preso na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Itatiaia (RJ), enquanto retornava dos Estados Unidos. A investigação busca esclarecer possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores estaduais.

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Durante o depoimento à Polícia Federal, Deivis Marcon Antunes detalhou como ocorreu o processo que resultou no investimento de quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master. Segundo ele, a proposta partiu diretamente da Diretoria de Investimentos, comandada à época por Euchério Lerner Rodrigues.

O ex-presidente afirmou que sua função era formalizar a operação após a recomendação técnica. Ele destacou que o fluxo interno do Rioprevidência prevê que a diretoria responsável apresente os investimentos, cabendo à presidência apenas a assinatura conjunta para validação.

Negativa de propina no caso Rioprevidência

Questionado diretamente pelos investigadores, Deivis negou ter recebido qualquer tipo de vantagem indevida relacionada ao aporte de R$ 970 milhões no Banco Master. Segundo ele, não houve pagamento de propina, nem de forma direta nem indireta.

A negativa é um dos pontos centrais do depoimento, já que a investigação conduzida pela Polícia Federal busca identificar eventuais irregularidades ou favorecimentos indevidos na escolha da instituição financeira.

Como funcionava a aprovação de investimentos

Deivis também explicou o funcionamento interno do Rioprevidência no que diz respeito à aprovação de investimentos. De acordo com ele, o Comitê de Investimentos não tem poder de autorizar operações, atuando mais como um órgão consultivo.

Na prática, segundo o ex-presidente, a decisão parte da Diretoria de Investimentos, que analisa e propõe as aplicações financeiras. Após essa etapa, o investimento é formalizado com a assinatura do diretor da área e do presidente da autarquia.

Ele ainda ressaltou que o grande volume de operações exige a assinatura em bloco de diversos documentos diariamente. Segundo o relato, seriam centenas de autorizações por dia, incluindo pagamentos de contratos e benefícios previdenciários.

Justificativa para escolha do Banco Master

Ao ser questionado sobre os motivos que levaram à escolha do Banco Master, Deivis argumentou que o Rioprevidência não tinha estrutura suficiente para detectar possíveis problemas na instituição financeira.

Ele afirmou que a equipe responsável pelos investimentos era reduzida, com cerca de nove a dez profissionais, o que dificultaria uma análise mais aprofundada. Além disso, destacou que até órgãos de controle enfrentam desafios para identificar riscos com antecedência.

O ex-presidente também mencionou que não havia obrigatoriedade formal de realizar análise reputacional dos sócios da instituição, ponto que chegou a ser levantado posteriormente por órgãos de fiscalização.

Indicação ao cargo e possível influência política

Outro ponto abordado no depoimento foi a forma como Deivis chegou à presidência do Rioprevidência. Ele negou que sua indicação tenha sido política, embora fontes apontem que seu nome teria sido sugerido por Antônio Rueda, presidente do União Brasil.

Já o ex-governador Cláudio Castro declarou não se lembrar exatamente quem indicou Deivis para o cargo, afirmando que recebeu diversas sugestões à época.