Renato Machado morre aos 83 anos e deixa legado no telejornalismo brasileiro

Renato Machado morreu aos 83 anos nesta quinta-feira (16), no Rio de Janeiro. Com uma carreira de mais de 40 anos na TV Globo, o jornalista se destacou como apresentador do Bom Dia Brasil, correspondente internacional e repórter especial.

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Última atualização:  16 de jul, 2026 às 12:33
Foto em preto e branco do jornalista brasileiro Renato Machado. Ele é um homem de pele clara, cabelos brancos e curtos, usa óculos de grau com armação discreta e sorri para a câmera. Veste um terno escuro, camisa social clara e uma gravata estampada com bolinhas (póas). O fundo apresenta um painel com linhas horizontais paralelas. Foto: Reprodução

O jornalista Renato Machado morreu aos 83 anos na manhã desta quinta-feira (16), no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória que marcou a história do telejornalismo brasileiro. Ex-apresentador do Bom Dia Brasil e um dos profissionais mais respeitados da TV Globo, ele faleceu na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul da capital fluminense. A causa da morte não foi divulgada. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Renato Machado participou da cobertura de alguns dos principais acontecimentos nacionais e internacionais, consolidando seu nome como uma das maiores referências da imprensa brasileira.

Renato Machado morre aos 83 anos e deixa legado no telejornalismo brasileiro

A morte de Renato Machado foi confirmada nesta quinta-feira (16) e provocou repercussão entre colegas de profissão, telespectadores e admiradores de seu trabalho. Conhecido pela postura serena diante das câmeras e pela credibilidade construída ao longo dos anos, o jornalista tornou-se uma das figuras mais importantes da televisão brasileira.

Renato atuou em diferentes funções dentro da TV Globo. Além de apresentar o Bom Dia Brasil, comandou o Jornal da Globo, o RJTV, participou da bancada do Jornal Nacional, foi correspondente internacional e também trabalhou como repórter especial. Sua carreira foi marcada pela cobertura de eventos históricos que ajudaram a informar gerações de brasileiros.

A Clínica São Vicente, onde o jornalista estava internado, divulgou uma nota lamentando o falecimento e prestando solidariedade aos familiares. Até o momento, a causa da morte não foi informada.

Bom Dia Brasil marcou a principal fase da carreira

Embora tenha desempenhado diversas funções ao longo da carreira, Renato Machado ficou especialmente conhecido pelo período em que esteve à frente do Bom Dia Brasil. Entre 1996 e 2010, ele acumulou os cargos de apresentador e editor-chefe do telejornal.

Durante esse período, participou diretamente da modernização do programa. O jornalístico passou a investir em uma linguagem mais dinâmica, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de correspondentes e comentaristas e um formato que aproximou ainda mais o público das principais notícias do dia.

Ao lado de jornalistas como Leilane Neubarth e, posteriormente, Renata Vasconcellos, Renato ajudou a consolidar o Bom Dia Brasil como um dos principais telejornais matinais do país.

Trajetória começou antes da televisão

Carioca e formado em Direito, Renato Machado chegou a ser aprovado no concurso do Itamaraty. No entanto, decidiu abrir mão da carreira diplomática para seguir sua vocação pelo jornalismo.

Antes de ingressar definitivamente na imprensa, também trabalhou como ator e dublador. Sua experiência internacional começou ainda no fim da década de 1960, quando passou a integrar o serviço brasileiro da BBC, em Londres.

Em 1969, iniciou uma nova etapa no Jornal do Brasil, onde permaneceu por 13 anos. Durante esse período, atuou como repórter e, posteriormente, editor internacional, adquirindo experiência que seria fundamental para sua carreira na televisão.

Foi em 1982 que Renato Machado chegou à TV Globo, emissora onde construiria a maior parte de sua trajetória profissional.

Cobertura de acontecimentos históricos marcou sua carreira

Ao longo de mais de 40 anos de jornalismo, Renato Machado esteve presente na cobertura de alguns dos acontecimentos mais importantes das últimas décadas.

Logo após entrar na TV Globo, participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes desafios internacionais da emissora naquele período.

Pouco depois, assumiu o posto de correspondente em Londres. Durante sua permanência na Europa, acompanhou fatos históricos como o desastre nuclear de Chernobyl, atentados terroristas na França e outros episódios que tiveram repercussão mundial.

Em 1990, transferiu-se para a TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. No ano seguinte, retornou à TV Globo e passou a atuar como repórter especial.

Entre os trabalhos realizados após seu retorno estão as coberturas do impeachment do então presidente Fernando Collor, da morte de Ayrton Senna e de diversos acontecimentos políticos, econômicos e sociais que marcaram a história recente do Brasil.

Sua atuação sempre foi reconhecida pela apuração cuidadosa, linguagem clara e compromisso com a informação de qualidade.

Correspondente internacional e indicação ao Emmy

Depois de deixar a apresentação do Bom Dia Brasil, Renato Machado voltou à função de correspondente internacional em Londres, em 2011.

Durante esse período, acompanhou acontecimentos relevantes como os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, a crise econômica da Grécia e outras coberturas europeias.

Além do jornalismo diário, também produziu reportagens especiais voltadas à cultura e ao comportamento. Uma das séries de maior destaque abordou a região da Provença, na França, mostrando aspectos relacionados à produção de vinhos, gastronomia e tradições locais.

Ao retornar ao Brasil, passou a integrar a equipe do Globo Repórter. Um de seus trabalhos de maior repercussão foi a reportagem “A arte como passaporte”, que mostrou como projetos sociais ligados à música e à dança transformavam a vida de crianças e jovens. A produção recebeu indicação ao Emmy Internacional, reforçando o reconhecimento da qualidade do trabalho desenvolvido pelo jornalista.

Uma referência para diferentes gerações

Renato Machado encerrou sua passagem pela TV Globo em novembro de 2021, após construir uma carreira marcada pela credibilidade, equilíbrio e dedicação ao jornalismo.

Ao longo de décadas, tornou-se referência para profissionais da comunicação e para milhões de telespectadores que acompanharam seu trabalho nos principais telejornais do país.

Sua morte representa a despedida de um dos nomes mais importantes do telejornalismo brasileiro, cuja contribuição permanece na memória da televisão nacional e na formação de novas gerações de jornalistas.