Brasil ultrapassa EUA em ranking de liberdade de imprensa e registra avanço histórico
O Brasil superou os Estados Unidos no ranking global de liberdade de imprensa divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras, alcançando a 52ª posição após subir 58 colocações desde 2022.
Imagem: Shutterstock
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos no ranking de liberdade de imprensa pela primeira vez, segundo levantamento divulgado na úlima quinta-feira (30) pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O país alcançou a 52ª posição no relatório global, consolidando um salto expressivo de 58 colocações desde 2022. O resultado chama atenção em um cenário internacional marcado pela piora generalizada das condições para o exercício do jornalismo.
O ranking avalia anualmente a situação da liberdade de imprensa em diversos países, considerando critérios como segurança dos jornalistas, ambiente político, estrutura legal e independência da mídia. Em 2026, o estudo apontou que mais da metade das nações enfrenta condições consideradas difíceis ou graves — o que torna o desempenho brasileiro ainda mais relevante.
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O avanço do Brasil no ranking de liberdade de imprensa é atribuído a uma combinação de fatores institucionais e conjunturais. De acordo com o diretor da RSF para a América Latina, Artur Romeu, houve uma melhora significativa no relacionamento entre governo e imprensa nos últimos anos.
Segundo ele, após um período de tensão marcado por ataques recorrentes a jornalistas durante o governo de Jair Bolsonaro, o país passou a viver um momento de maior estabilidade institucional. Esse novo ambiente favoreceu a retomada do diálogo e o fortalecimento de práticas democráticas.
Outro ponto relevante foi a redução da violência extrema contra profissionais da imprensa. Desde 2022, quando ocorreu o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia, não há registros de casos semelhantes no Brasil. Entre 2010 e 2022, foram contabilizados 35 assassinatos de jornalistas no país.
Além disso, iniciativas recentes contribuíram para melhorar a proteção ao trabalho jornalístico. Entre elas estão a criação de um observatório nacional para monitorar a violência contra jornalistas e a adoção de protocolos específicos para investigar crimes contra a imprensa. Também ganham destaque ações voltadas à regulação de plataformas digitais, combate à desinformação e discussão sobre o uso de inteligência artificial no ambiente informacional.
Estados Unidos caem no ranking e influenciam cenário internacional
Enquanto o Brasil avança no ranking de liberdade de imprensa, os Estados Unidos seguem trajetória oposta. O país caiu para a 64ª posição e passou a ser considerado um exemplo negativo pela RSF.
De acordo com o relatório, práticas como ataques frequentes à imprensa, retórica hostil e tentativas de deslegitimar o trabalho jornalístico contribuíram para esse resultado. A entidade também aponta que esse comportamento tem influenciado outros países, incentivando posturas semelhantes.
O relatório cita ainda o impacto político dessas ações, que acabam alimentando a polarização e fragilizando a confiança pública na mídia — fenômeno observado em diferentes regiões do mundo.
Desafios persistem para a liberdade de imprensa no Brasil
Apesar do avanço no ranking de liberdade de imprensa, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais pontos de atenção é o aumento de processos judiciais considerados abusivos contra jornalistas e veículos de comunicação.
Além disso, persistem problemas como campanhas de desinformação, ataques virtuais e queda na confiança da população na imprensa. Esses fatores afetam diretamente a percepção sobre a credibilidade do jornalismo e podem levar à autocensura por parte dos profissionais da área.
Segundo Artur Romeu, dos cinco indicadores avaliados pela RSF, apenas o que mede a confiança social e o ambiente informacional apresentou piora recente no Brasil. Os demais registraram evolução.
América Latina e cenário global: maioria dos países em queda
O relatório da Repórteres Sem Fronteiras mostra que a melhora do Brasil contrasta com a realidade de outros países da América Latina. A Argentina, sob o governo de Javier Milei, caiu para a 98ª posição, acumulando uma perda de 69 colocações desde 2022.
Outros países também enfrentam retrocessos significativos. O Equador registrou uma das maiores quedas da região devido à violência ligada ao crime organizado, enquanto o Peru perdeu posições após casos de assassinato de jornalistas. Já El Salvador mantém uma tendência de deterioração desde 2019.
Na América do Norte, o México segue entre os países mais perigosos para o exercício do jornalismo, enquanto Nicarágua, Cuba e Venezuela aparecem entre os piores colocados do continente.
Globalmente, os primeiros lugares do ranking são ocupados por países europeus. A Noruega lidera, seguida por Holanda e Estônia. O Canadá é o melhor colocado das Américas, na 20ª posição.