Bancos credores apresentam nova proposta de reestruturação da Raízen e pressionam por mudanças na gestão
Bancos credores apresentaram uma nova proposta de reestruturação da Raízen, incluindo o uso de 30% da venda de ativos para reduzir dívidas e a possível saída de Rubens Ometto da presidência.
Imagem: Tomas Cuesta/Bloomberg
A nova reestruturação da Raízen ganhou um capítulo decisivo após bancos credores apresentarem uma proposta atualizada para equacionar a dívida da companhia. O plano, revelado por fontes próximas às negociações, inclui medidas financeiras e mudanças na governança, indicando um momento crítico para a empresa de bioenergia controlada pela Cosan em parceria com a Shell.
A proposta foi apresentada recentemente, em meio às tratativas iniciadas após o pedido de reestruturação extrajudicial feito pela empresa em março. O objetivo é evitar um cenário mais grave, como uma recuperação judicial, enquanto se busca uma solução para o passivo estimado em cerca de R$ 65 bilhões.
Reestruturação da Raízen envolve venda de ativos e redução de dívida
No centro da nova proposta de reestruturação da Raízen, os credores sugerem que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam destinados diretamente à amortização das dívidas. A medida pretende acelerar o processo de desalavancagem financeira e melhorar a confiança do mercado na capacidade de recuperação da companhia.
A estratégia surge como resposta ao cenário de pressão sobre o caixa da empresa, que vem sendo impactada por juros elevados, investimentos ainda não maturados e dificuldades operacionais. Esses fatores comprometeram os resultados recentes e levaram à necessidade de renegociação com credores.
Além disso, o plano não especifica um valor total de aporte por parte dos bancos, mas reforça a necessidade de ajustes estruturais para garantir sustentabilidade no longo prazo.
Mudança na liderança é condição central
Outro ponto sensível da proposta de reestruturação da Raízen é a exigência de mudança na alta gestão. Os credores defendem a saída de Rubens Ometto da presidência da companhia.
A substituição do executivo, que também é fundador da Cosan, já havia sido sugerida anteriormente por detentores de títulos da empresa. Agora, o pedido ganha força com o apoio dos bancos, sinalizando uma pressão crescente por mudanças na governança.
Para os credores, a troca de liderança pode facilitar a implementação de um novo modelo de gestão e aumentar a credibilidade da reestruturação da Raízen perante investidores.
Disputa entre credores marca negociação
As negociações envolvendo a reestruturação da Raízen também evidenciam divergências entre diferentes grupos de credores. Enquanto os bancos priorizam medidas como amortização de dívida e ajustes operacionais, os detentores de títulos (bondholders) apresentaram uma proposta alternativa.
Esse grupo sugere uma injeção de até R$ 8 bilhões na companhia, além de exigir maior participação na gestão. Tanto bancos quanto bondholders, no entanto, convergem em um ponto: o interesse em ampliar sua participação acionária, que pode chegar a até 90% em troca de cerca de 45% da dívida.
Em paralelo, a própria empresa já havia colocado na mesa uma proposta que permitiria aos credores deter até 70% das ações ordinárias, tentando avançar nas negociações.
Aportes já anunciados tentam estabilizar situação
Antes da nova rodada de negociações, a Shell havia concordado em aportar R$ 3,5 bilhões como parte do processo de reestruturação da Raízen. Já Rubens Ometto se comprometeu com um investimento adicional de R$ 500 milhões.
Esses recursos são considerados essenciais para dar fôlego imediato à empresa, mas ainda insuficientes para resolver o problema estrutural da dívida, o que explica a necessidade de novas propostas.
Contexto explica crise financeira da empresa
A atual situação da empresa é resultado de uma combinação de fatores que pressionaram sua estrutura financeira. Entre eles, destacam-se:
- Taxas de juros elevadas, que aumentaram o custo da dívida
- Investimentos de longo prazo ainda sem retorno, impactando o fluxo de caixa
- Desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol
Esse cenário levou a companhia a registrar resultados abaixo do esperado, intensificando a necessidade de reestruturação da Raízen.