Dados preliminares divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam um aumento significativo na produção de petróleo e gás natural no Brasil durante o mês de maio, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de queda. Essa é a primeira vez em seis meses que o país registra um aumento na produção, indicando possíveis mudanças no cenário econômico e operacional do setor.

Tendência anterior

Durante os últimos meses, a produção de petróleo e gás natural no Brasil vinha apresentando uma tendência de declínio, com quedas mensais consecutivas. Esse recuo foi atribuído a uma série de fatores, incluindo interdições em unidades de produção, paradas programadas e não programadas, além de problemas operacionais enfrentados pelas empresas do setor.

Empresas petroleiras têm relatado impactos decorrentes de uma greve no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No entanto, a ANP declarou não dispor de dados específicos sobre esse tema no momento. Apesar das quedas consecutivas nos últimos meses, a produção acumulada durante o período de dezembro de 2023 a abril de 2024 ainda supera a produção registrada no mesmo intervalo do ano anterior, sugerindo um possível aumento na produção anual de petróleo e gás natural no país.

Comentários e opiniões de especialistas

O analista de mercado da consultoria StoneX, Bruno Cordeiro, ressaltou que, além das paradas programadas em plataformas, o declínio na produção brasileira também pode ser atribuído ao esgotamento de campos considerados maduros, o que impacta diretamente na capacidade de extração de petróleo.

A ANP planeja publicar os dados completos de maio no início do próximo mês de julho, o que proporcionará uma visão mais abrangente e detalhada sobre a produção de petróleo e gás natural no país.

Dados comparativos e estatísticas

No mês de abril, a produção de petróleo no Brasil totalizou uma média de 3,194 milhões de barris por dia, registrando o menor volume em 12 meses e uma queda de 4,8% em comparação com o mês anterior, de acordo com informações da agência reguladora.

A retomada do crescimento na produção de petróleo ocorre em meio a planos de intensificação de movimentos grevistas por parte dos servidores do Ibama, que vêm atrasando a emissão de licenças ambientais como parte de uma disputa salarial e de condições de trabalho com o governo.

Preocupações do setor

O Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) alertou que os movimentos grevistas no Ibama e na ANP podem criar uma situação desafiadora para o setor, calculando que o impacto da greve no órgão ambiental já está afetando significativamente a produção brasileira de petróleo, com uma redução estimada de 80 mil barris por dia.

Julia Peres

Redatora do Melhor Investimento.