Correios pausam plano de reestruturação após ameaça de greve

A estatal interrompeu temporariamente parte das medidas de reestruturação para negociar com sindicatos, enquanto busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para enfrentar a crise financeira.

imagem do autor
Última atualização:  09 de jul, 2026 às 15:48
Imagem de um computador com um martelo de leilão, e a logo dos Correios, indicando o Leilão dos Correios

Os Correios interromperam temporariamente parte das medidas previstas em seu plano de reestruturação financeira após a ameaça de paralisação por parte dos funcionários. A decisão ocorre em um momento delicado para a estatal, que busca reverter sucessivos prejuízos e negocia um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar seu caixa.

Entre as iniciativas suspensas estão o fechamento de agências, a retirada da gratificação de R$ 500 paga a empregados que atuam no atendimento ao público e a implementação de um sistema voltado ao mapeamento dos recursos necessários para as operações de entrega.

Segundo a empresa, a pausa tem caráter temporário e busca abrir espaço para o diálogo com as entidades sindicais, que manifestaram preocupação com os impactos das mudanças sobre os trabalhadores.

Mudanças adiadas

A suspensão das medidas acontece após representantes dos empregados indicarem a possibilidade de uma greve em resposta ao plano de reestruturação.

Como alternativa, a direção dos Correios iniciou negociações com os sindicatos para discutir as propostas e receber sugestões antes da retomada das ações previstas.

Apesar disso, nem todas as iniciativas foram interrompidas. A venda de imóveis e outras medidas voltadas à redução de despesas seguem normalmente, dentro da estratégia de recuperação financeira da estatal.

Leia também: Leilão dos Correios: conheça o funcionamento e como participar

Fechamento de agências continua nos planos

Um dos principais pontos do plano de reestruturação é o encerramento de aproximadamente mil agências em todo o país.

Até o momento, 256 unidades foram desativadas. A expectativa da empresa é que a conclusão dessa etapa gere uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões.

Outro tema que deve voltar às negociações é um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), direcionado aos funcionários das unidades que poderão ser fechadas.

A primeira edição do programa ficou abaixo das expectativas. Dos cerca de 10 mil desligamentos esperados, apenas 3.075 empregados aderiram à iniciativa, reduzindo a economia inicialmente projetada de R$ 1,4 bilhão para aproximadamente R$ 700 milhões. Agora, a estatal pretende atrair entre 2 mil e 3 mil novos participantes.

Prejuízo bilionário pressiona a estatal

O plano de reestruturação foi elaborado diante da deterioração das contas dos Correios. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e continuou registrando perdas expressivas neste ano. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o resultado líquido negativo alcançou R$ 3,158 bilhões, acima do déficit de R$ 1,725 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior.

De acordo com a companhia, o desempenho reflete fatores estruturais, como a redução das receitas dos serviços postais tradicionais e o aumento da concorrência em segmentos mais rentáveis da logística, especialmente no comércio eletrônico.

Saiba+

Novo empréstimo

Enquanto negocia com os trabalhadores, a direção dos Correios também busca reforçar sua estrutura financeira.

Após contratar um financiamento de R$ 12 bilhões junto a um grupo de cinco bancos em dezembro de 2025, a estatal trabalha agora para viabilizar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões.

Os recursos fazem parte da estratégia de recuperação da empresa e deverão contribuir para reorganizar o fluxo de caixa e dar continuidade às medidas de reestruturação.

Contrato com Banco do Brasil amplia receitas

Em paralelo às iniciativas de redução de custos, os Correios seguem buscando ampliar suas fontes de receita. Nesta semana, o Banco do Brasil anunciou a assinatura de um contrato de R$ 2,3 bilhões com a estatal para a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, em operações nacionais e internacionais pelos próximos cinco anos.

Segundo o banco, a contratação passou por todas as etapas técnicas e jurídicas necessárias antes da formalização do acordo.

Embora o contrato represente um reforço importante para as receitas futuras, especialistas avaliam que a recuperação financeira dos Correios continuará dependendo da combinação entre aumento da eficiência operacional, redução de despesas e fortalecimento das atividades em segmentos mais competitivos do mercado logístico.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.