Petrobras (PETR4) lucra R$ 32,6 bilhões no 1T26, mas ações caem após dividendos abaixo do esperado
Fluxo de caixa pressionado e distribuição menor de proventos reduziram entusiasmo dos investidores com balanço da estatal
Foto: Adobe Stock/Reprodução
As ações da Petróleo Brasileiro S.A. operaram em queda nesta segunda-feira (11) após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 e da nova distribuição de dividendos anunciada pela estatal.
Os papéis preferenciais PETR4 recuavam cerca de 1,08% por volta das 13h10, negociados a R$ 45,93, em meio à avaliação do mercado sobre a qualidade da geração de caixa da companhia e o volume de remuneração aos acionistas.
Cotação ao vivo:
Petrobras registra lucro de R$ 32,6 bilhões no trimestre
A estatal encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,66 bilhões. O resultado ficou praticamente em linha com as estimativas de analistas consultados pela LSEG, que projetavam lucro próximo de R$ 30 bilhões para o período.
Apesar do desempenho robusto, houve queda de 7,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando a companhia havia registrado lucro de R$ 35,2 bilhões. A Petrobras também reportou Ebitda ajustado de R$ 59,6 bilhões entre janeiro e março, com leve retração anual de 2,4%.
Segundo a companhia, os ajustes realizados no indicador consideram fatores recorrentes ligados às operações da empresa, incluindo participação em investimentos, impairment, acordos de coparticipação e alienação de ativos.
Fluxo de caixa preocupa parte do mercado
Embora os números principais tenham vindo próximos das projeções, analistas demonstraram preocupação com a composição do fluxo de caixa livre da companhia.
A Petrobras informou fluxo de caixa livre de R$ 20 bilhões no trimestre, queda de 22,9% em relação aos R$ 26 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Já o fluxo de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, recuo de 10,9%.
Segundo a empresa, parte da pressão ocorreu devido ao impacto do capital de giro, especialmente em estoques, exportações em andamento e fornecedores. A estatal também destacou efeitos relacionados à subvenção do óleo diesel e valores a receber do governo federal, que encerraram o trimestre em R$ 741 milhões.
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Dividendos frustram expectativas do mercado
Outro ponto que pesou sobre as ações foi o anúncio de remuneração aos acionistas abaixo do esperado por parte do mercado financeiro.
O conselho de administração da Petrobras aprovou pagamento de R$ 9,03 bilhões em proventos, equivalente a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial. O valor será distribuído em duas parcelas na forma de juros sobre capital próprio (JCP).
A primeira parcela será paga em 20 de agosto de 2026, enquanto a segunda está prevista para 21 de setembro do mesmo ano.
Para investidores com ações negociadas na B3, a data-base será 1º de junho. A partir de 2 de junho, os papéis passarão a ser negociados na condição de ex-direitos.
Analistas apontam qualidade menor na geração de caixa
Instituições financeiras avaliaram que o resultado operacional ficou próximo das expectativas, mas observaram deterioração na qualidade da geração de caixa.
Segundo o Itaú BBA, o fluxo de caixa livre veio em linha com as projeções, porém com dependência maior de fatores ligados ao capital de giro. Já o BTG Pactual estimou impacto de aproximadamente US$ 1,3 bilhão provocado por aumento de estoques e fornecedores durante o período de exportações em andamento.
Na visão de parte do mercado, esses fatores ajudaram a reduzir o entusiasmo em torno da distribuição de dividendos anunciada pela companhia.
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Petrobras reforça sustentabilidade financeira
Em comunicado, a Petrobras afirmou que a distribuição aprovada segue sua Política de Remuneração aos Acionistas.
Segundo a estatal, a regra prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa livre sempre que o endividamento bruto estiver abaixo do limite definido no plano estratégico da empresa. A companhia ainda destacou que a remuneração anunciada permanece compatível com sua sustentabilidade financeira e estratégia de longo prazo.
O mercado segue acompanhando os próximos passos da empresa em meio ao cenário de petróleo elevado, tensão geopolítica no Oriente Médio e expectativa sobre investimentos futuros da estatal.