ONCO3 chega a disparar mais de 26% após anúncio de recuperação extrajudicial
Papéis da companhia encerraram o pregão com alta de 26,32%, impulsionados pelo pedido de recuperação extrajudicial e pela notícia de um possível investimento da gestora IG4.
Imagem: Divulgação
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) registraram forte valorização no pregão desta terça-feira (14), encerrando o dia com alta de 26,32%, cotadas a R$ 0,96. O movimento ocorreu após uma forte recuperação ao longo da sessão, já que, nas primeiras horas de negociação, os papéis chegaram a operar em queda de quase 4%, atingindo a mínima de R$ 0,73.
A reação positiva do mercado ocorreu um dia após a companhia anunciar o protocolo do pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Recuperação extrajudicial
Na segunda-feira (13), a Oncoclínicas informou que recorreu à recuperação extrajudicial como estratégia para renegociar passivos financeiros com seus credores. Segundo a companhia, a medida busca estabelecer um ambiente jurídico que facilite as negociações e permita a reorganização da estrutura de capital sem comprometer as operações da empresa.
Em fato relevante, a Oncoclínicas informou que já conta com a adesão de credores que representam cerca de 37% dos créditos abrangidos pelo plano, percentual suficiente para o ajuizamento do processo.
A partir do processamento da recuperação extrajudicial, a empresa terá até 90 dias para alcançar o quórum mínimo necessário para homologação do plano e tornar obrigatórias as novas condições de pagamento para todos os credores envolvidos.
Plano prevê diferentes alternativas
A proposta apresentada pela companhia contempla diversas possibilidades para reduzir o endividamento. Entre as medidas estudadas estão aportes de recursos pelos acionistas, conversão de parte da dívida em participação acionária, emissão de novos financiamentos para substituir dívidas existentes e alongamento dos prazos de amortização.
A empresa ressaltou, entretanto, que essas alternativas ainda dependem das negociações com os credores e poderão ser adotadas de forma combinada.
Além da reestruturação financeira, duas controladas rescindiram contratos de locação do tipo built-to-suit. Um deles envolve um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo, cuja multa estimada é de aproximadamente R$ 76 milhões. Outro contrato refere-se a um projeto hospitalar em Goiânia, cujo valor da rescisão ainda será definido.
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Mercado repercute possível investimento da IG4
Outro fator que contribuiu para a valorização das ações foi uma informação divulgada pelo Valor Econômico. Segundo o jornal, a gestora brasileira de private equity IG4 estuda adquirir debêntures conversíveis emitidas pela Oncoclínicas, em uma operação estimada em cerca de R$ 500 milhões.
Caso a transação seja concretizada, os recursos poderão fortalecer a liquidez da companhia durante o processo de reestruturação. A IG4 não comentou a informação.
Recentemente, a gestora ganhou destaque após assumir o controle compartilhado da Braskem (BRKM5) e também demonstrar interesse na aquisição do controle da Raízen (RAIZ4), outra empresa que atravessa um processo de reorganização financeira.
O que explica a forte alta de ONCO3?
Movimentos expressivos como o registrado por ONCO3 costumam ocorrer quando o mercado passa a enxergar maior probabilidade de sucesso em processos de reestruturação financeira.
A combinação entre o avanço da recuperação extrajudicial, a adesão inicial de parte relevante dos credores e a possibilidade de entrada de um investidor estratégico pode ter colaborado para ajudar na melhora da percepção dos investidores sobre a capacidade da empresa de reorganizar seu balanço.
Apesar da forte valorização desta terça-feira, analistas destacam que a companhia ainda enfrenta desafios relevantes. O sucesso da recuperação extrajudicial dependerá da aprovação do plano pelos credores, da homologação judicial e da capacidade da Oncoclínicas de voltar a gerar caixa suficiente para sustentar sua operação no longo prazo.