Nintendo avalia desfazer participações cruzadas em operação de US$ 1,9 bilhão

A Nintendo avalia desfazer participações cruzadas em uma operação estimada em 300 bilhões de ienes (US$ 1,9 bilhão), segundo fontes ouvidas pela Reuters. O movimento pode incentivar bancos como MUFG Bank e Banco de Kyoto a venderem suas participações na empresa.

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Última atualização:  27 de fev, 2026 às 18:45
Prateleira de loja exibindo diversos jogos de Nintendo Switch em destaque. Ao fundo, um painel vermelho vibrante exibe o logotipo branco da "Nintendo Switch". Foto: Philip FONG/AFP.

A informação de que a Nintendo avalia desfazer participações cruzadas representa um dos movimentos mais relevantes da companhia nos últimos anos em termos de governança corporativa.

O que está em jogo é a alienação de participações estratégicas mantidas dentro de um modelo tradicional no Japão, no qual empresas e bancos possuem ações uns dos outros para fortalecer relações comerciais e estabilidade societária.

De acordo com as fontes, o montante envolvido pode chegar a 300 bilhões de ienes. A empresa também considera anunciar um programa de recompra de ações, medida que tende a ser bem recebida por investidores por sinalizar confiança na geração de caixa e compromisso com retorno ao acionista.

O anúncio pode ocorrer já nesta sexta-feira, embora a companhia ainda não tenha se pronunciado oficialmente.

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Bancos podem reduzir participação na fabricante do “Super Mario”

Entre os principais acionistas institucionais que podem ser impactados pela decisão estão o MUFG Bank e o Banco de Kyoto.

Segundo dados públicos mais recentes:

  • O Banco de Kyoto detinha 4,19% da Nintendo até setembro do ano passado.
  • O MUFG Bank possuía 3,62% da empresa, por meio de um banco fiduciário.

Ambas as instituições já vêm adotando políticas internas para reduzir participações cruzadas, alinhando-se às novas diretrizes de governança no Japão.

Caso a Nintendo avance com a estratégia, esses bancos podem vender suas fatias no mercado, aumentando a oferta de ações no curto prazo. Esse cenário pode gerar volatilidade inicial, embora a recompra planejada pela empresa possa ajudar a equilibrar o fluxo vendedor.

Pressão regulatória acelera mudanças estruturais

A decisão ocorre em um contexto de mudanças estruturais no mercado japonês. A Bolsa de Valores de Tóquio e órgãos reguladores têm incentivado companhias listadas a reduzir participações acionárias cruzadas.

Essa prática, comum no Japão por décadas, passou a ser criticada por investidores estrangeiros e especialistas em governança corporativa. Entre os principais pontos levantados estão:

  • Redução da pressão por eficiência operacional
  • Blindagem da administração contra acionistas minoritários
  • Menor dinamismo estratégico

Ao se alinhar a esse movimento, a Nintendo sinaliza adaptação às novas exigências do mercado e maior foco em eficiência de capital.

Tendência também atinge outras gigantes japonesas

O movimento não é isolado. A Toyota também planeja reduzir participações estratégicas, o que pode levar bancos e seguradoras a venderem cerca de US$ 19 bilhões em ações, conforme reportado recentemente.

Esse processo indica uma transformação mais ampla no modelo corporativo japonês, tradicionalmente caracterizado por relações societárias estáveis e de longo prazo entre conglomerados.

Histórico reforça mudança gradual

A Nintendo já participou de uma operação semelhante em 2019, quando uma venda de ações envolvendo instituições financeiras movimentou aproximadamente 71 bilhões de ienes.

Agora, no entanto, o volume potencial é significativamente maior, o que amplia o impacto no mercado e reforça a relevância estratégica da decisão.

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