Multimercados voltam ao radar com expectativa de queda de juros no Brasil
Especialistas afirmam no Smart Summit 2026 que cenário de queda da Selic pode voltar a favorecer os fundos multimercados.
Foto: Melhor Investimento
Depois de um período de forte captação e bom desempenho, os fundos multimercados passaram por uma fase de resgates relevantes nos últimos anos. Ainda assim, especialistas avaliam que o cenário pode voltar a favorecer essa classe de ativos, principalmente em um ambiente de possível queda de juros no Brasil.
O tema foi discutido no painel “Multimercado: o investidor deve aumentar exposição agora?”, no palco do Smart Summit 2026.
Participaram da conversa Jonatas Castro, sócio da Vinland Capital e responsável pela área de relações com investidores; Mônica Araújo, economista-chefe, sócia e membro da Diretoria de Alocação e Distribuição; e Sara Paixão, analista de macroeconomia.
Resgates vieram após fase de forte captação
Durante o painel, Jonatas Castro explicou que o movimento recente dos multimercados é resultado de um ciclo claro vivido pela indústria.
“Esse é um segmento que passou por momentos bem difíceis. Acho que ele teve um grande boom lá depois de 2021, com uma captação muito significativa. E depois, nos últimos dois anos, foi uma saída muito forte, mais de 200 bilhões do segmento.”
Segundo ele, parte desse movimento aconteceu porque, com os juros mais altos, muitos investidores migraram para a renda fixa.
“Quando a Selic começa a ir para 15%, aparecem várias opções de renda fixa pagando bem. Tem fundo de crédito pagando CDI mais um, CDI mais dois, além de ativos isentos. Enquanto isso, os multimercados estavam com desempenho mais fraco depois de um período muito bom.”
Nesse contexto, a mudança de alocação acabou sendo natural para muitos investidores.
“Então é natural ver investidores saindo de multimercados e indo para a renda fixa de crédito quando os juros estão muito altos e os fundos macro não estão performando bem.”
Mudanças rápidas de cenário desafiam gestores
Para Mônica Araújo, um dos fatores que mais dificultaram a atuação dos gestores nos últimos anos foi a velocidade das mudanças no cenário macroeconômico.
“Depois da pandemia, vimos movimentos muito rápidos de mudança de cenário.”
Segundo ela, isso afeta diretamente as equipes que acompanham indicadores econômicos e tendências globais.
Mônica destacou que as expectativas sobre juros e política monetária têm mudado com frequência, exigindo ajustes constantes nas estratégias de investimento.
Gestores precisam se adaptar rapidamente ao cenário
Outro ponto discutido no painel foi a velocidade com que o cenário macroeconômico tem mudado desde a pandemia. Para gestores de multimercados, isso exige ajustes frequentes nas posições.
Jonatas explicou que a flexibilidade para rever decisões faz parte do processo de gestão.
Ele afirmou que a equipe acompanha constantemente os dados e ajusta as posições sempre que surgem novas informações.
“No nosso estilo de gestão, olhamos para o médio prazo e o horizonte para definir o direcionamento principal”.
Na prática, isso significa revisar estratégias com frequência.
“Então a gente precisa mudar de opinião o tempo todo. Se sai um dado diferente, a gente ajusta a visão.”
Incertezas globais aumentam a volatilidade
Durante o debate, Sara Paixão também destacou como eventos recentes têm impactado as expectativas para juros e inflação.
“Vimos dados de inflação muito conflitantes e também tem a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Tudo isso mudou bastante a expectativa que existia sobre quando os juros começariam a cair no Brasil e qual seria o ritmo dessa queda.”
Para Jonatas, o momento atual exige cautela por parte dos gestores. Ele citou, por exemplo, o impacto de fatores como a alta do petróleo e conflitos internacionais nas decisões de política monetária.
“Em um cenário como esse, com o petróleo subindo, guerra e muita incerteza, o mercado fica muito volátil. Então não dá para simplesmente dizer: ‘a curva de juros abriu muito, vou investir porque tenho certeza que o próximo corte será de 0,50’.”
Queda de juros pode abrir espaço para os multimercados
Apesar do período difícil, o cenário pode mudar caso os juros iniciem um ciclo de queda.
Jonatas destacou que, nesse ambiente, os investidores tendem a voltar a comparar o retorno entre diferentes classes de ativos.
“Hoje, o cenário que a gente considera mais provável é o juro cair para perto de 12% ainda este ano. E, dependendo do resultado das eleições, essa queda pode ser ainda maior.”
Começar aos poucos pode ser uma estratégia
Para quem ainda tem receio de investir em multimercados depois das saídas recentes, a sugestão é começar com posições menores.
Segundo Jonatas, a experiência do próprio investidor com a classe de ativos pode ajudar a entender melhor o papel dos multimercados na carteira.
“Então, eu sempre digo, a experiência do cliente vai fazer total diferença no todo.”
Para ele, à medida que o investidor compara os resultados entre diferentes ativos, pode surgir novamente espaço para aumentar a exposição a essa estratégia.
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