Mulheres recebem 21,3% a menos que homens em grandes empresas, aponta MTE

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que mulheres recebem 21,3% a menos que homens em empresas com mais de 100 funcionários, com aumento da desigualdade em relação a 2023.

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Última atualização:  27 de abr, 2026 às 15:06
Close-up das mãos de duas pessoas sobre uma mesa de madeira durante um procedimento administrativo. Uma pilha de carteiras de trabalho azuis (CTPS - Brasil) está no centro; uma das pessoas folheia um dos documentos. Imagem: Melhor Investimento

A desigualdade salarial no Brasil voltou a crescer: mulheres recebem 21,3% a menos que homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O levantamento revela que, apesar do avanço na participação feminina no mercado de trabalho, a diferença na remuneração segue como um dos principais desafios estruturais do país.

O estudo considera dados atualizados até 2025 e mostra que o problema não apenas persiste, como se intensificou em relação a 2023. A desigualdade salarial afeta diferentes níveis de carreira e ocorre desde o momento da contratação, indicando um cenário amplo e contínuo de disparidade.

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O principal destaque do levantamento é o aumento da diferença de rendimentos. Em média, mulheres recebem 21,3% a menos que homens em grandes empresas. Em 2023, essa diferença era de 20,7%, o que evidencia uma piora no período recente.

Quando analisado o salário mediano de admissão — indicador que reduz distorções provocadas por salários muito altos — a desigualdade também aumentou. Nesse caso, mulheres ganham 14,3% a menos que homens, frente aos 13,7% registrados anteriormente. Isso mostra que a desigualdade salarial começa já na entrada no mercado de trabalho.

Esse cenário ocorre mesmo com avanços em políticas corporativas e discussões públicas sobre equidade de gênero. Na prática, os números indicam que essas iniciativas ainda não foram suficientes para reduzir o gap salarial de forma consistente.

Mais mulheres no mercado, mas com menor participação na renda

Apesar da desigualdade salarial, houve crescimento relevante na presença feminina no mercado de trabalho. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas em empresas com mais de 100 funcionários aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões.

Com isso, as mulheres passaram a representar 41,4% da força de trabalho nessas empresas. No entanto, essa participação não se reflete na distribuição de renda. A massa salarial feminina corresponde a apenas 35,2% do total pago pelas companhias.

A diferença evidencia que, mesmo ocupando quase metade dos postos de trabalho, as mulheres seguem concentradas em funções com menor remuneração ou enfrentam dificuldades para alcançar cargos mais altos.

De acordo com o próprio Ministério, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões na renda das mulheres para que a participação nos rendimentos fosse proporcional à presença no mercado.

Empresas ampliam ações, mas impacto ainda é limitado

O levantamento também aponta avanços nas iniciativas corporativas voltadas à equidade de gênero. A proporção de empresas que afirmam adotar políticas para promover mulheres subiu de 38,8% em 2023 para 48,7% em 2025.

Embora o crescimento seja significativo, os dados mostram que o impacto dessas ações ainda não foi suficiente para reduzir a desigualdade salarial de forma concreta. Isso sugere que as medidas podem estar mais concentradas em processos formais do que em mudanças estruturais dentro das organizações.

Outras iniciativas de diversidade, como contratação de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família, permaneceram praticamente estáveis no período analisado.

Inclusão de mulheres negras avança, mas desafios persistem

Outro ponto relevante do estudo é o aumento da presença de mulheres negras no mercado de trabalho. O número de trabalhadoras negras empregadas cresceu 29% entre 2023 e 2026, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

Além disso, houve avanço na presença desse grupo dentro das empresas. O total de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras em seus quadros subiu 3,6%, chegando a 21.759 empresas entre as 53,5 mil analisadas.

Apesar do crescimento, os dados indicam que ainda há um longo caminho para alcançar maior representatividade e igualdade de oportunidades, especialmente em cargos de liderança e maior remuneração.

Por que a desigualdade salarial ainda persiste?

A desigualdade salarial entre homens e mulheres está ligada a fatores estruturais, como segregação ocupacional, menor presença feminina em cargos de liderança e diferenças nas oportunidades de progressão profissional.

Além disso, aspectos culturais e históricos ainda influenciam decisões de contratação, promoção e remuneração. Mesmo com maior escolaridade média em diversos casos, as mulheres continuam enfrentando barreiras que impactam diretamente seus rendimentos.