Nos primeiros seis meses de 2023, o montante financeiro movimentado por pessoas físicas em corretoras, instituições bancárias e plataformas de investimento atingiu a marca de R$ 5,37 trilhões. Isso representa um aumento de 7,3% em comparação ao semestre anterior, conforme anunciado hoje (8) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O crescimento no patrimônio líquido (PL) durante o primeiro semestre deste ano foi impulsionado predominantemente pela categoria de varejo de alta renda (+10,1%), seguida pelo segmento de varejo tradicional (+6,4%). Enquanto isso, o setor privado apresentou um crescimento de 5,9% no mesmo período. No panorama geral, o varejo representa R$ 3,37 trilhões do total do patrimônio líquido, distribuído entre 148,5 milhões de contas, enquanto o segmento privado detém R$ 1,97 trilhão, com 153,7 mil contas e 69,9 mil grupos econômicos.

Sinal de mais interesse por investimentos de renda variável

A renda fixa foi o segmento que mais cresceu na carteira dos investidores durante o semestre, pulando de 31,8% do total em dezembro para 33,9% em junho. Já a renda variável foi de 34,4% para 34,1% e os ativos híbridos – fundos multimercado, fundos de índice (ETFs), fundos imobiliários e certificados de operações estruturadas (COEs) -, de 29,2% para 27,4%. O segmento de previdência segue ocupando 4,6% das carteiras.

No segmento de varejo, as movimentações foram mais contidas. A renda fixa teve redução de 79,3% para 78,6%, a renda variável cresceu de 9% para 9,4% e os ativos híbridos apresentaram leve alta de 9,8% para 9,9%.

Segundo os dados da Anbima, metade do volume financeiro aplicado pelos investidores está em títulos e valores mobiliários, um avanço de 15% em relação a dezembro de 2022. O produto favorito do varejo ainda são os certificados de depósito bancário (CDBs), com 41,9%, enquanto o do private permanecem as ações, com 44,1%. Em termos de crescimento, os produtos isentos são destaque, com alta de 22% no semestre.

Já a poupança, que representa 17% do total, teve queda de 3,4% no período, enquanto os fundos de investimento, que são 29%, cresceram 2%. Os fundos de ações voltaram a apresentar alta, chegando a 19,4% da participação no total, e retornaram ao nível de dezembro de 2021.

Na avaliação de Ademir Correa, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, os dados relativos ao primeiro semestre de 2023 ainda mostram variações pequenas e a busca por proteção em ativos considerados mais conservadores. No entanto, ele vê investidores já atentos para a recuperação do mercado de renda variável.

“As ações crescem 8,7% comparado ao mesmo período do ano passado, quando estava negativo, e pode sinalizar o otimismo dos investidores em relação ao cenário macroeconômico nacional e internacional”, disse Correa, em entrevista coletiva hoje. Para ele, alguns fatores de destaque são a aprovação do novo arcabouço fiscal e a expectativa em relação à queda da Selic – confirmada na última quarta-feira.

Volume financeiro por região

No primeiro semestre de 2023, a região Centro-Oeste registrou o maior aumento no volume financeiro, com uma elevação de 9,4%. Esse crescimento é atribuído principalmente ao progresso do setor de agronegócio, que desempenha um papel significativo na economia da região e no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Por outro lado, a região mais influente em termos de volume total ainda é o Sudeste, que experimentou um aumento de 7,4%. O Nordeste também viu um aumento percentual equivalente. Logo após, vêm as regiões Norte, com um crescimento de 6,4%, e Sul, com um incremento de 6,1%.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgou informações específicas sobre os investidores de varejo em cada região. Na região Norte, com um volume financeiro de R$ 71,5 bilhões, a maioria dos investimentos em renda fixa está concentrada, sendo 43% destinados à poupança.

Na região Centro-Oeste, dos R$ 220,5 bilhões, 25% estão alocados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). O Sul lidera em investimentos em produtos isentos, representando 21% dos R$ 592,8 bilhões. Por outro lado, o Sudeste concentra a maioria dos ativos em investimentos de renda variável e híbridos, totalizando 23% dos R$ 2,1 trilhões. Quanto ao Nordeste, ocupa a segunda posição em investimentos em produtos híbridos, contribuindo com 9% dos R$ 350,1 bilhões.

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Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.