Durante visita à Paris na última quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu uma entrevista coletiva na qual expressou sua insatisfação com a proposta da União Europeia em relação ao acordo de livre comércio com o Mercosul

Segundo Lula, a proposta europeia, que prevê punições para os países sul-americanos que não cumprirem os termos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, é considerada “inaceitável” pelo mandatário brasileiro.

Para o presidente, o acordo proposto pela União Europeia não atende aos interesses dos países da América Latina, e a tentativa do bloco europeu de impor punições aos países que não cumpram o acordo ambiental é injusta. Lula ressaltou que o Brasil deseja recuperar sua capacidade de industrialização, uma vez que o país já teve um PIB industrial de 30%, mas atualmente essa parcela representa apenas 10% do PIB total. 

Ele também criticou a postura europeia, afirmando que a União Europeia não cumpriu os compromissos do Acordo de Paris, do Protocolo de Kyoto e da decisão de Copenhague. Lula argumentou que é necessário mais sensibilidade e humildade por parte dos europeus.

Por fim, Lula enfatizou que o governo brasileiro trabalhará para que o acordo final entre Mercosul e União Europeia seja favorável aos dois continentes. O acordo, que foi aprovado em 2019 após longas negociações que duraram duas décadas, ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos 31 países envolvidos nos dois blocos para entrar em vigor.

A posição crítica do presidente em relação à proposta europeia reflete a preocupação do Brasil em preservar seus interesses comerciais e a soberania nacional, ao mesmo tempo em que busca soluções para questões ambientais globais de forma justa e equilibrada. O desfecho desse acordo continuará sendo acompanhado atentamente por diversos setores da sociedade e pelos parlamentos envolvidos, pois terá impactos significativos nas relações comerciais e ambientais entre as regiões envolvidas.

Equipe MI

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