Judiciário pagou diárias a seguranças em cidade com resort ligado a Toffoli

Pagamentos somam cerca de R$ 450 mil entre 2022 e 2025 e envolveram apoio a autoridade do STF no Paraná

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23 de jan, 2026 às 11:00
Toffoli durante sessão no STF, usando toga e gravata roxa, em imagem de arquivo que mostra o ministro em ambiente institucional. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) pagou cerca de R$ 450 mil em diárias a servidores do Judiciário para atuar em segurança e transporte de autoridade do Supremo Tribunal Federal (STF) na cidade de Ribeirão Claro, no norte do Paraná, entre 2022 e 2025.

O município abriga o Tayayá Resort, empreendimento que já teve participação de familiares do ministro Dias Toffoli, integrante da Corte. As informações constam em registros oficiais do painel da transparência do tribunal.

Os pagamentos foram destinados a 25 servidores, responsáveis por prestar apoio durante deslocamentos e estadias na região.

Ao todo, foram contabilizadas quase 600 diárias, distribuídas em 16 ocasiões distintas ao longo do período analisado. O mês com maior concentração de registros foi julho de 2025, quando houve 28 dias de pagamento.

O que dizem os registros oficiais

De acordo com os dados disponíveis, as diárias foram classificadas como despesas para apoio logístico e de segurança a uma autoridade do STF.

Não há, porém, detalhamento público sobre qual ministro foi atendido em cada deslocamento, nem informações específicas sobre compromissos oficiais realizados na cidade.

As despesas incluem hospedagem, alimentação e custos relacionados ao deslocamento dos servidores. Esse tipo de pagamento é previsto nas normas do Judiciário para garantir a segurança de autoridades em viagens, especialmente em deslocamentos fora de Brasília.

Ligação com o Tayayá Resort

O Tayayá Resort ganhou destaque recente por ter integrado, até fevereiro de 2025, o quadro societário de empresas ligadas a irmãos de Dias Toffoli.

A participação ocorreu por meio da Maridt Participações S.A., empresa que pertenceu a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli.

Segundo dados da Receita Federal e registros da Junta Comercial, a Maridt adquiriu cotas do resort e de uma empresa associada, a DGEP Empreendimentos, fundada por um primo do ministro. Os documentos não detalham os valores pagos inicialmente pelas participações.

Entrada de fundo ligado ao mercado financeiro

Em setembro de 2021, parte das cotas dos irmãos de Toffoli foi adquirida pelo Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Reag Investimentos.

Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que o fundo aportou cerca de R$ 20 milhões no Tayayá Resort e na DGEP ao longo do período.

Desse total, mais de R$ 3 milhões teriam sido pagos por metade da participação dos irmãos no empreendimento. Como os documentos públicos não informam o valor investido inicialmente pela família Toffoli, não é possível determinar se houve lucro na operação.

O fundo Arleen não é alvo direto das investigações criminais em curso, mas a Reag é citada em apurações que envolvem o Banco Master, instituição investigada por suspeitas de irregularidades financeiras.

Contexto do caso Banco Master

A Polícia Federal investiga o Banco Master por supostas operações financeiras ilegais, incluindo a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) em valores elevados, com promessa de rendimentos acima do mercado e sem comprovação suficiente de liquidez.

O ministro Dias Toffoli é relator no STF de investigações relacionadas ao caso, após concentrar os processos em sua relatoria no fim de 2025. Algumas decisões adotadas no andamento do processo geraram questionamentos de integrantes do meio jurídico e político.

Venda das participações

A família Toffoli deixou completamente a sociedade do Tayayá Resort em fevereiro de 2025. Já o fundo Arleen saiu do empreendimento em julho do mesmo ano, encerrando a relação societária.

Apesar disso, a divulgação dos pagamentos de diárias do Judiciário para a região reacendeu o debate sobre transparência, conflito de interesses e critérios para despesas públicas, especialmente quando envolvem autoridades que atuam em processos sensíveis no STF.

Posicionamentos

A administradora Reag informou que não comentará o caso. Também foram procurados o gabinete do ministro Dias Toffoli, o Tayayá Resort, a DGEP Empreendimentos e outros citados.

Especialistas em contas públicas destacam que o pagamento de diárias é legal e previsto, mas defendem que informações mais detalhadas sobre o motivo das viagens e a autoridade atendida ajudam a fortalecer a confiança da sociedade no uso dos recursos públicos.

Encontros de Toffoli com empresários em resort no Paraná ampliam questionamentos

Reportagem recente revelou que Dias Toffoli recebeu o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o empresário Luiz Pastore no resort Tayayá, no interior do Paraná.

Imagens mostram o ministro do STF em reuniões informais com os empresários no empreendimento, que já foi alvo de controvérsias envolvendo uso de recursos públicos e vínculos familiares.

O resort tem sido utilizado por Toffoli como local de encontros privados desde ao menos 2019, período em que o ministro chegou a usar aeronave da Força Aérea Brasileira para se deslocar à região.

Dados oficiais indicam gastos elevados com segurança custeada pelo poder público durante as estadias, o que reacendeu debates sobre transparência, conflito de interesses e limites na atuação de autoridades públicas fora do exercício formal do cargo.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.