JPMorgan reduz projeções para o Bradesco (BBDC4) e vê teto da rentabilidade em 17%
O JPMorgan revisou para baixo suas projeções para o Bradesco após os resultados do quarto trimestre de 2025, citando o aumento dos custos operacionais.
Imagem: Multiplan
O JPMorgan reduziu suas projeções para o Bradesco (BBDC4) após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, apontando que a rentabilidade do banco deve encontrar um teto próximo de 17% no médio prazo. A revisão, divulgada em relatório recente, reflete principalmente o aumento dos custos operacionais e reforça uma visão mais cautelosa sobre a capacidade do banco de retomar níveis históricos mais elevados de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE).
A análise ocorre no contexto da temporada de balanços do 4T25, período em que grandes instituições financeiras brasileiras têm ajustado expectativas para os próximos anos. Mesmo com o corte nas estimativas, o JPMorgan manteve recomendação neutra para BBDC4, com preço-alvo de R$ 22, destacando que o papel ainda oferece atrativos, mas enfrenta desafios estruturais relevantes.
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Segundo o JPMorgan, as projeções de lucro do Bradesco para 2026 foram revisadas para baixo após a análise dos números mais recentes. A estimativa de receita foi reduzida em 2,5%, para R$ 27,5 bilhões, enquanto o ROE projetado após o 4T25 ficou em 15,5%.
A principal explicação para o ajuste está no avanço dos custos operacionais, que continuam pressionando a rentabilidade do banco. Apesar dos esforços de eficiência anunciados pela administração, os analistas avaliam que a recuperação dos indicadores de retorno deve ocorrer de forma gradual e com limitações claras no médio prazo.
Projeções ainda acima do mercado, mas com limite claro de ROE
Mesmo com a revisão negativa, o JPMorgan ressalta que suas estimativas seguem acima da mediana das projeções do mercado e também da orientação oficial do Bradesco para o lucro líquido ajustado e a alíquota efetiva de imposto, estimada entre 16% e 21%.
Ainda assim, o banco norte-americano destaca que o ponto central do debate deixou de ser apenas o crescimento do lucro e passou a ser o limite estrutural de rentabilidade. Para os analistas, o teto do ROE do Bradesco deve ficar em torno de 17%, um patamar inferior aos níveis observados em ciclos anteriores.
Esse cenário reforça uma mudança de percepção sobre o papel dentro do setor, especialmente quando comparado a outros grandes bancos listados na B3.
Custos, impostos e ativos fiscais seguem como obstáculos
Outro fator relevante na avaliação do JPMorgan é o impacto contínuo dos ativos fiscais diferidos, que seguem reduzindo a eficiência do capital do banco. Além disso, a normalização da alíquota de imposto deve ocorrer de forma lenta, o que tende a manter a pressão sobre os resultados nos próximos trimestres.
De acordo com o relatório, esses elementos dificultam uma recuperação mais rápida da rentabilidade, mesmo em um cenário macroeconômico mais favorável. O banco avalia que, sem mudanças estruturais mais profundas, o Bradesco terá dificuldade para ultrapassar o limite de ROE projetado.
Comparação com o Itaú reforça visão mais conservadora
Na comparação com o Itaú Unibanco (ITUB4), considerado referência em rentabilidade no setor, o JPMorgan afirma que o Bradesco dificilmente superará um ROE entre 17% e 17,5%, a menos que ocorram dois movimentos relevantes: uma melhora expressiva no patrimônio tangível ou uma queda mais intensa das taxas de juros no Brasil.
Essa diferença de desempenho ajuda a explicar por que o JPMorgan mantém preferência pelo Itaú em suas recomendações setoriais, mesmo reconhecendo avanços operacionais recentes do Bradesco.
Otimização de custos pode afetar receitas no futuro
O relatório também chama atenção para um possível efeito colateral das estratégias de eficiência. A expectativa é que a otimização de custos a partir de 2027 possa acabar pressionando receitas com tarifas e outras fontes, criando um trade-off entre eficiência operacional e crescimento de receitas.
Esse ponto adiciona incerteza ao cenário de médio prazo e reforça a postura cautelosa adotada pelo banco de investimento.
Valuation, dividendos e recomendação para BBDC4
Apesar das limitações apontadas, o JPMorgan reconhece que o Bradesco ainda apresenta fundamentos atrativos. A ação é negociada atualmente a cerca de 1,3 vez o valor patrimonial e 7,9 vezes o lucro estimado para 2026, além de oferecer um dividend yield projetado de 7,6%.
O crescimento de lucro esperado é de aproximadamente 12% em 2026 e 2027, o que sustenta a manutenção da recomendação neutra. Ainda assim, o JPMorgan reforça que, dentro do setor bancário, prefere ativos com maior previsibilidade de retorno e menor pressão estrutural sobre a rentabilidade.
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