Em um cenário de incertezas nas negociações sobre o limite da dívida dos Estados Unidos, com riscos elevados de recessão e uma postura mais agressiva do Federal Reserve (Fed), Marko Kolanovic, do JPMorgan, aconselha seus clientes a venderem suas ações e manterem dinheiro em caixa.

A equipe de estrategistas liderada por Kolanovic reduziu sua exposição a ações e títulos corporativos, enquanto aumentou sua posição em dinheiro em 2%.

No que se refere às commodities, o banco optou por substituir investimentos em energia por ouro, devido à demanda por ativos seguros e proteção contra a crise da dívida.

“Embora as esperanças de uma rápida solução para o limite da dívida dos EUA tenham impulsionado a confiança do mercado”, afirmou Kolanovic em uma nota aos clientes, “os ativos de risco continuam dentro dos mesmos patamares de preços do ano passado, e os investimentos em renda fixa e commodities estão sendo negociados no limite inferior dos intervalos anuais.”

O portfólio modelo do banco sofreu perdas no mês passado, sendo a terceira queda em quatro meses, de acordo com Kolanovic.

Os investidores aguardam respostas de Washington sobre quais medidas o governo tomará para evitar um calote catastrófico. Na noite de segunda-feira (22), o presidente Joe Biden e o presidente republicano da Câmara, Kevin McCarthy, tiveram o que ambos descreveram como uma “discussão produtiva”, mas não chegaram a um acordo.

Kolanovic, que foi um dos mais otimistas de Wall Street durante a maior parte da queda do mercado em 2022, mudou sua perspectiva devido às previsões econômicas piores para este ano. Ele reduziu a alocação em ações do modelo do banco em meados de dezembro, janeiro, março e novamente em maio.

De forma mais ampla, Kolanovic e sua equipe afirmam que as ações parecem estar desconectadas dos mercados de títulos e dos dados econômicos mais fracos, além dos riscos relacionados ao limite da dívida.

“Há uma divergência persistente entre os mercados de juros, que esperam um corte do Fed este ano, e os mercados de ações, que interpretam esses possíveis cortes como positivos para o risco, ao mesmo tempo em que observamos uma postura mais hawkish do Fed”, declarou ele. “É provável que essa discrepância seja resolvida às custas das ações.”

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Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.