Itaú BBA corta preço-alvo da Yduqs após 4T25 fraco
O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações da Yduqs (YDUQ3) de R$ 19 para R$ 17 após resultados do quarto trimestre de 2025 abaixo das expectativas.
Foto: Adobe Stock
O Itaú BBA corta preço-alvo da Yduqs após revisar suas projeções para a companhia de educação, refletindo resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) abaixo do esperado. Mesmo com a redução da estimativa de valor das ações, o banco manteve uma visão positiva para os papéis da empresa listada na B3.
A instituição reduziu o preço-alvo das ações YDUQ3 de R$ 19 para R$ 17, mas reiterou recomendação outperform, que indica expectativa de desempenho superior à média do mercado. Segundo o relatório, apesar de pressões operacionais de curto prazo, a empresa ainda apresenta valuation atrativo e forte geração de caixa.
No pregão mais recente, por volta das 11h15, as ações da companhia avançavam 5,60%, negociadas a R$ 10,74, reagindo às análises do mercado e às perspectivas para os próximos anos.
O movimento ocorre após a divulgação dos resultados do 4T25, que trouxeram preocupações principalmente sobre o ritmo de crescimento da base de alunos e mudanças regulatórias no setor de educação superior.
Itaú BBA corta preço-alvo da Yduqs, mas destaca forte geração de caixa
Mesmo após o desempenho mais fraco no trimestre, o Itaú BBA destacou que a companhia segue apresentando capacidade relevante de geração de caixa, um dos fatores que sustentam a recomendação positiva para as ações.
O banco projeta um rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) de cerca de 18%, nível considerado elevado em comparação com outras empresas do setor educacional listadas na bolsa.
Em 2025, a companhia registrou aproximadamente R$ 500 milhões em fluxo de caixa livre ao acionista. Para 2026, a expectativa é que o valor permaneça próximo desse patamar, com projeção de cerca de R$ 486 milhões.
De acordo com os analistas, alguns fatores podem favorecer a geração de caixa no próximo ano, como:
- crescimento do EBITDA
- redução de efeitos não recorrentes
- possível queda da taxa de juros no Brasil
Esses elementos podem compensar parte das pressões operacionais observadas recentemente.
Captação de alunos mais fraca pode limitar crescimento em 2026
Um dos principais pontos de atenção destacados pelo relatório é a possibilidade de crescimento mais lento na captação de novos estudantes, o que pode afetar os resultados da companhia nos próximos anos.
Durante a teleconferência de resultados, executivos da empresa mencionaram que o ambiente para expansão da base de alunos está mais desafiador, principalmente no segmento de ensino digital.
Entre os fatores apontados estão:
- novas regras regulatórias para determinados cursos
- aumento da concorrência no setor educacional
- dificuldade de ampliar a base após vários anos de forte crescimento
Além disso, a própria companhia indicou que a captação no ensino digital no primeiro trimestre de 2026 deve apresentar queda, o que reforça a cautela em relação ao crescimento de volume.
Mudança no modelo de ensino deve alterar composição das receitas
Outro ponto relevante na análise é a mudança esperada no mix de receitas da empresa.
Segundo o banco, a tendência para os próximos anos é de maior participação de programas híbridos, que combinam atividades presenciais e digitais.
Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que o ensino a distância tradicional (EAD), historicamente mais rentável, pode perder participação.
Como o EAD costuma apresentar margens mais elevadas, a transição para modelos híbridos pode gerar impactos na rentabilidade da companhia.
Apesar disso, os analistas destacam que o comportamento da demanda por cursos presenciais ou híbridos varia entre as instituições, dependendo de fatores como:
- reconhecimento da marca
- ticket médio dos cursos
- posicionamento no mercado educacional.
Reestruturação busca aumentar eficiência antes de novas regras
Para enfrentar esse novo cenário, a Yduqs iniciou um processo de ajustes internos. No quarto trimestre de 2025, a empresa anunciou uma reestruturação do corpo docente, com foco em melhorar a eficiência operacional.
A medida faz parte da preparação para novas normas regulatórias no setor de ensino superior, que podem alterar a dinâmica de cursos digitais no país.
Na avaliação do Itaú BBA, essa iniciativa deve contribuir para otimizar custos ao longo dos próximos anos. O banco incorporou em suas projeções uma redução anual de aproximadamente 0,5 ponto percentual nas despesas com pessoal em 2026.
Esse movimento pode ajudar a compensar eventuais pressões de receita e preservar a rentabilidade da companhia.
Expectativa de melhora na rentabilidade e no lucro
Apesar dos desafios no crescimento da base de estudantes, os analistas projetam melhora gradual na rentabilidade da empresa.
A estimativa do banco é de que a margem EBITDA ajustada alcance cerca de 33,7% em 2026.
Esse desempenho deve ser impulsionado por alguns fatores específicos, como:
- queda da inadimplência
- menor impacto do programa DIS
- melhora nas taxas de renovação de alunos
Além disso, a expectativa de redução das despesas financeiras, influenciada por um possível cenário de juros menores no país, pode contribuir para o avanço do lucro líquido.
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