Google e Cade entram em choque por uso de conteúdo jornalístico em IA

O Google afirmou que o Cade teve uma interpretação equivocada ao ampliar a investigação sobre o uso de conteúdo jornalístico em inteligência artificial.

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Última atualização:  24 de abr, 2026 às 17:41
Tela de computador exibindo a página inicial do Google, com o logotipo colorido no centro da tela. Ao lado, uma parte do teclado do computador portátil. Foto: Divulgação

A disputa entre o Google e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (24), após a empresa afirmar que o órgão teve uma “compreensão equivocada” ao ampliar a investigação sobre o uso de conteúdo jornalístico em inteligência artificial. O caso coloca em debate o papel das grandes plataformas digitais no mercado de notícias e o impacto de ferramentas baseadas em IA sobre veículos de mídia.

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O Cade decidiu, por unanimidade, encaminhar o processo à sua Superintendência-Geral para aprofundar a apuração. Na prática, a medida abre caminho para um processo administrativo que pode resultar em sanções por supostas infrações à ordem econômica.

A decisão foi tomada na quinta-feira (23), em Brasília, e amplia o escopo da investigação, que inicialmente focava em práticas concorrenciais no mercado de notícias digitais. Agora, o uso de inteligência artificial pelo Google — especialmente sistemas que sintetizam informações diretamente na busca — passa a integrar a análise.

Em resposta, o Google afirmou que a decisão do Cade parte de uma interpretação incorreta sobre o funcionamento de seus produtos e o impacto deles para o ecossistema de informação online.

“Acreditamos que a decisão reflete uma compreensão equivocada sobre como nossos produtos funcionam e o valor que entregamos aos editores de notícias”, disse a empresa em nota.

O que está em jogo na investigação

O centro da disputa envolve o uso de conteúdo jornalístico para alimentar ferramentas de inteligência artificial, como o AI Overviews — recurso que apresenta resumos de informações diretamente na página de busca.

Segundo representantes de veículos de mídia brasileiros, esse modelo pode reduzir significativamente o tráfego para sites jornalísticos, já que o usuário obtém respostas completas sem precisar acessar as páginas originais.

Além disso, há críticas sobre a chamada “raspagem” de conteúdo (scraping), prática em que informações de terceiros são utilizadas para compor resultados exibidos na própria plataforma.

Para os veículos, isso levanta dúvidas sobre remuneração, concorrência e sustentabilidade do jornalismo profissional.

Por que o Cade investiga o Google

A investigação teve origem em denúncias de possíveis práticas anticompetitivas no mercado de notícias digitais. Empresas de mídia alegam que o Google:

  • Não remunera adequadamente o uso de conteúdo jornalístico
  • Dificulta o acesso direto dos usuários aos sites originais
  • Se beneficia economicamente da exibição de conteúdos de terceiros

Com a evolução do caso, o Cade passou a considerar também o impacto das ferramentas de inteligência artificial, que ampliam a capacidade da plataforma de reter a atenção do usuário dentro do próprio ambiente.

Como o Google se defende

O Google rebate as acusações e afirma que seus produtos, incluindo os baseados em IA, foram projetados para ampliar a descoberta de conteúdo.

Segundo a empresa, ferramentas como o AI Overviews exibem links para diversas fontes, criando novas oportunidades para que sites relevantes sejam encontrados pelos usuários.

A companhia também destaca que continua sendo uma das principais portas de entrada para o jornalismo digital, enviando bilhões de cliques diariamente para páginas de notícias em todo o mundo.

Além disso, reforça o compromisso com a chamada “web aberta”, defendendo que seu modelo beneficia tanto usuários quanto produtores de conteúdo.

Como o caso evoluiu até aqui

Inicialmente, o processo no Cade não incluía a análise de inteligência artificial. O foco estava restrito ao funcionamento do buscador e à relação com veículos de mídia.

No entanto, com o avanço das tecnologias de IA e a introdução de respostas automatizadas mais completas, o órgão decidiu ampliar o escopo da investigação.

Agora, a Superintendência-Geral ficará responsável por conduzir a análise detalhada, podendo recomendar a aplicação de penalidades caso identifique infrações.