General da China acusado de vazamento nuclear aos EUA abala cúpula militar de Xi Jinping
O general Zhang Youxia, um dos militares mais influentes da China e aliado histórico de Xi Jinping, é investigado por corrupção e pelo suposto vazamento de informações nucleares estratégicas aos Estados Unidos.
Imagem: REUTERS / Foto de Arquivo
O general da China acusado de vazamento nuclear aos Estados Unidos tornou-se o centro de uma das mais graves crises políticas e militares enfrentadas por Pequim nas últimas décadas. Zhang Youxia, até recentemente o militar mais influente do país e aliado histórico do presidente Xi Jinping, é investigado por suspeitas que vão de corrupção e abuso de poder até o suposto repasse de informações sensíveis do programa nuclear chinês a autoridades americanas.
As revelações constam de um briefing interno de alto nível relatado por fontes ao The Wall Street Journal (WSJ) e foram discutidas em uma reunião fechada realizada no último sábado (20), poucos dias antes de o Ministério da Defesa da China confirmar oficialmente a abertura de uma investigação contra o general.
Leia também:
A acusação mais grave envolve o possível vazamento de dados nucleares estratégicos para os Estados Unidos, incluindo informações técnicas centrais sobre armas nucleares chinesas. Segundo fontes ouvidas pelo WSJ, essa frente da apuração é considerada a mais sensível e politicamente explosiva, dado o impacto direto sobre a segurança nacional e a rivalidade estratégica entre Pequim e Washington.
Investigadores avaliam que o suposto vazamento teria ocorrido durante o período em que Zhang exercia forte influência sobre decisões relacionadas à modernização militar e ao setor nuclear, áreas classificadas como estratégicas pelo Partido Comunista Chinês (PCC).
Investigação oficial por corrupção e venda de cargos
Além do possível vazamento nuclear, o general da China é acusado de receber grandes quantias em dinheiro em troca de promoções dentro das Forças Armadas. De acordo com o briefing, Zhang teria transformado posições de comando em moedas de troca política, violando regras centrais de disciplina partidária.
O Ministério da Defesa informou que o general é investigado por “graves violações da disciplina do Partido e das leis do Estado”, linguagem padrão utilizada em casos de corrupção de alto escalão. Até o momento, Zhang não se manifestou publicamente.
Formação de cliques políticos e ameaça à unidade do Partido
Outro ponto-chave da apuração envolve a criação de redes internas de influência, conhecidas como “cliques políticos”. Segundo as autoridades chinesas, Zhang teria usado sua posição para consolidar aliados em postos estratégicos, enfraquecendo a cadeia formal de comando e colocando em risco a unidade do Partido Comunista.
Para Xi Jinping, a existência de grupos autônomos dentro das Forças Armadas representa uma ameaça direta ao controle do regime. Não por acaso, o caso é tratado internamente como uma questão de segurança política, e não apenas disciplinar.
Comissão Militar Central no centro das apurações
Grande parte da investigação se concentra na atuação de Zhang na Comissão Militar Central, o órgão máximo de comando das Forças Armadas chinesas. Ele teve influência direta sobre decisões de pesquisa, desenvolvimento e compras de equipamentos militares — um dos setores com maior orçamento do Estado chinês.
Analistas destacam que o acesso privilegiado a informações estratégicas pode ter facilitado tanto esquemas de corrupção quanto o suposto vazamento de dados nucleares.
Conexão com o setor nuclear e o caso Gu Jun
Parte das evidências teria emergido a partir da investigação contra Gu Jun, ex-presidente da estatal China National Nuclear Corp, responsável pelos programas nuclear civil e militar. Pequim anunciou na semana passada que Gu também é alvo de apuração por suspeitas semelhantes.
Investigadores analisam se houve troca de informações sensíveis entre autoridades militares e dirigentes do setor nuclear, ampliando o alcance do escândalo.
Relação com a queda do ex-ministro da Defesa Li Shangfu
O briefing interno também relaciona Zhang à ascensão e posterior queda de Li Shangfu, ex-ministro da Defesa expulso do Partido em 2024 por corrupção. Segundo fontes, Zhang teria facilitado sua promoção em troca de subornos, reforçando a tese de que o general operava como articulador de um sistema paralelo de poder.
Nova ofensiva de Xi Jinping sobre o Exército
Como parte da resposta, Xi Jinping autorizou a criação de uma força-tarefa para reexaminar períodos anteriores da carreira de Zhang, incluindo seu comando da Região Militar de Shenyang, entre 2007 e 2012. Investigadores já apreenderam celulares de oficiais ligados a Zhang e a outros membros do alto comando, como o general Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto.
Especialistas veem o movimento como o expurgo mais agressivo da cúpula militar chinesa desde a era Mao Tsé-tung.
Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: