Fifa negocia aumento das premiações da Copa do Mundo de 2026 para evitar prejuízos às seleções
A FIFA negocia aumento das premiações da Copa do Mundo de 2026 após pressão de federações preocupadas com custos elevados e impostos nos Estados Unidos.
Imagem: Reuters/Brendan MCDermid
A FIFA negocia aumento das premiações da Copa do Mundo de 2026 em meio à pressão crescente de federações nacionais preocupadas com os custos elevados do torneio. A decisão, que será debatida nos próximos encontros do Conselho da entidade, surge como resposta direta ao risco financeiro enfrentado pelas 48 seleções que disputarão a competição nos Estados Unidos, Canadá e México. O tema ganhou urgência principalmente por conta da carga tributária norte-americana e das despesas logísticas mais altas em comparação a edições anteriores.
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A discussão sobre o reajuste das premiações ocorre em um momento decisivo para a organização do torneio. Diferentemente da edição realizada no Catar, em 2022, a Fifa não conseguiu garantir isenção fiscal ampla junto ao governo dos Estados Unidos. Com isso, as seleções estarão sujeitas a impostos federais, estaduais e municipais, o que pode reduzir significativamente os valores líquidos recebidos.
Estados como Califórnia e Nova Jersey, que sediarão partidas importantes — incluindo a final no MetLife Stadium — possuem alíquotas relevantes, podendo ultrapassar dois dígitos. Esse cenário levanta preocupações especialmente entre federações europeias, que lideraram as críticas e pedidos de revisão do modelo financeiro.
Além da tributação, os custos operacionais também pesam. As longas distâncias entre cidades-sede na América do Norte, somadas ao alto preço de hospedagem e transporte, ampliam o orçamento necessário para participação no torneio. Como resultado, diversas associações avaliam que o formato atual de premiação pode não ser suficiente para cobrir todas as despesas.
Valores atuais e necessidade de revisão
Inicialmente, a Fifa havia aprovado um fundo recorde de aproximadamente US$ 727 milhões para a Copa do Mundo de 2026. Pelo modelo original, cada seleção receberia cerca de US$ 10,5 milhões pela participação na fase de grupos, além de um adicional para custos de preparação. O campeão, por sua vez, levaria um prêmio estimado em US$ 50 milhões.
No entanto, diante do novo cenário econômico, a entidade reconhece que será necessário ajustar esses valores. A proposta em discussão inclui o aumento das cotas fixas e dos bônus por desempenho em cada fase da competição. A expectativa é que equipes eliminadas nas etapas iniciais também recebam quantias maiores do que as previstas inicialmente.
Esse movimento busca equilibrar as contas das federações, que argumentam ser necessário chegar, no mínimo, às fases mais avançadas para evitar prejuízos financeiros. A diária oferecida pela organização, considerada baixa por algumas delegações, também entrou no debate como ponto de revisão.
Pressão internacional e impacto político
A pressão por mudanças não vem de um único bloco. Embora as federações europeias estejam na linha de frente das negociações, associações de outros continentes também demonstraram preocupação com a viabilidade econômica do torneio.
O tema ganhou relevância política dentro da própria Fifa, liderada por Gianni Infantino. A gestão atual busca evitar desgastes com as entidades membros em um momento estratégico, marcado pela expansão do Mundial para 48 seleções — a maior da história.
A reunião do Conselho da Fifa, prevista para ocorrer no Canadá, será decisiva para definir os novos valores. A expectativa é que a entidade apresente uma solução que atenda às demandas financeiras sem comprometer sua sustentabilidade econômica.
Receita recorde pode viabilizar aumento
Apesar dos desafios, a Fifa aposta em um cenário de receitas robustas para justificar o aumento das premiações. A entidade projeta arrecadar mais de US$ 11 bilhões no ciclo entre 2023 e 2026, impulsionada por contratos de patrocínio e direitos de transmissão.
O ineditismo do formato com 48 seleções e a realização do torneio em três países — Estados Unidos, Canadá e México — também contribuem para o potencial de crescimento comercial. Com mais jogos e maior alcance global, a competição tende a atrair novos mercados e ampliar a audiência.
Esse cenário reforça o argumento de que há espaço financeiro para aumentar os repasses às seleções, garantindo maior equilíbrio econômico entre os participantes.
Objetivo é garantir estabilidade e foco no torneio
Ao negociar o aumento das premiações da Copa do Mundo de 2026, a Fifa busca evitar que questões financeiras comprometam o ambiente do torneio. A entidade entende que a estabilidade das federações é fundamental para o sucesso da competição dentro e fora de campo.
A decisão final deve considerar não apenas os números, mas também o impacto político e esportivo das medidas. O objetivo é assegurar que todas as seleções possam competir em igualdade de condições, sem que os custos operacionais se tornem um obstáculo.
Dessa forma, a Fifa tenta alinhar interesses econômicos e esportivos, garantindo que a Copa do Mundo de 2026 seja marcada pelo desempenho em campo — e não por problemas financeiros nos bastidores.