Datafolha: 70% das famílias têm dívidas e 45% vivem sob pressão financeira
Cartão de crédito lidera atrasos, e população corta até gastos básicos para lidar com dívidas
Imagem: Freepick
Quase 70% das famílias brasileiras convivem com algum tipo de dívida, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (18). O levantamento mostra que o endividamento se tornou um fenômeno disseminado no país, atingindo desde linhas formais de crédito até compromissos informais, como empréstimos entre amigos e familiares.
Entre aqueles que recorreram a esse tipo de ajuda informal, 41% ainda não conseguiram quitar os valores, o que evidencia o impacto prolongado das dificuldades financeiras.
Cartão de crédito lidera inadimplência
Entre os brasileiros endividados, uma parcela relevante enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia.
O principal vilão é o cartão de crédito:
- 29% estão inadimplentes nessa modalidade
- 26% têm atrasos em empréstimos bancários
- 25% enfrentam dificuldades com carnês de lojas
Outro ponto de atenção é o uso do crédito rotativo, acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura. Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados utilizam essa opção, conhecida por ter juros elevados e potencial de agravar o endividamento.
Leia também:
Dívidas já afetam contas essenciais
As pendências financeiras não se restringem ao consumo — elas já atingem despesas básicas do dia a dia. Cerca de 28% dos entrevistados relataram atraso em contas essenciais, como:
- telefonia e internet (12%)
- tributos como IPTU e IPVA (12%)
- energia elétrica (11%)
- água (9%)
Esse dado reforça o nível de pressão enfrentado pelas famílias brasileiras.
Pressão no orçamento cresce
O impacto das dívidas aparece de forma clara no orçamento doméstico. De acordo com o levantamento:
- 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão financeira
- sendo 27% em situação “apertada”
- e 18% em condição mais grave
Outros 36% enfrentam dificuldades moderadas, enquanto apenas 19% relatam menor grau de restrição financeira.
População reduz consumo
Para tentar equilibrar as contas, os brasileiros vêm cortando gastos em diversas áreas. A liberdade de poder de compra forçou uma mudança drástica nos hábitos de consumo. Inicialmente, o ajuste concentrou-se em gastos discricionários: 64% dos entrevistados reduziram atividades de lazer, enquanto 60% passaram a fazer menos refeições fora de casa ou optaram por marcas mais econômicas.
Contudo, a pressão inflacionária já avançou sobre categorias essenciais, comprometendo a subsistência básica:
- Alimentação: 52% dos lares diminuíram a compra de mantimentos.
- Serviços Básicos: reduziram em 50% o consumo de itens essenciais como água, luz e gás.
O cenário de insolvência é agravado pela inadimplência de obrigações fundamentais. Cerca de 40% dos consumidores admitiram o atraso no pagamento de contas mensais, e 38% chegaram ao ponto crítico de interrupção da quitação de dívidas ou da compra de medicamentos essenciais.
A pesquisa também mostra que a questão financeira passou a ocupar o topo das preocupações da população. Para 37% dos brasileiros, problemas como renda insuficiente, endividamento e custo de vida são hoje os principais desafios.