EMBR3 cai 8% e reage após tarifas de Trump

A Embraer (EMBR3) viveu forte volatilidade após o anúncio das tarifas de Trump, mas recuperou as perdas quando aeronaves civis foram isentas da medida. Entenda os impactos para a empresa e o que esperar das ações.

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Última atualização:  09 de jul, 2026 às 19:51
Fachada de uma loja da Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, com destaque para o logotipo em letras brancas e fundo azul, visível no centro da imagem. Foto: : Paulo Whitaker/REUTERS

A Embraer EMBR3 tarifas Trump voltou ao centro das atenções nesta semana com uma das sessões mais voláteis do papel na B3. Após o anúncio de sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, as ações da fabricante de aeronaves chegaram a despencar mais de 8% antes de virar e fechar em alta superior a 6%. O catalisador da recuperação foi a divulgação de que aeronaves civis, seus motores e componentes foram isentos do decreto. Entenda o que aconteceu e o que esperar de EMBR3 daqui para frente.

A sessão de alta volatilidade

No pregão desta semana, as ações da Embraer (EMBR3) chegaram a cair mais de 8% logo após a divulgação do decreto de Trump implementando sobretaxas de 50% sobre produtos brasileiros. Portanto, o impacto inicial foi imediato e refletiu o medo do mercado de que as aeronaves — principal produto de exportação da empresa para os EUA — fossem afetadas. A ação chegou a ser cotada próxima de R$ 67, bem abaixo dos R$ 73 que vinha sendo negociada.

Entretanto, no final da sessão, uma reviravolta: foi divulgado que “aeronaves civis, seus motores, peças e componentes” estavam expressamente excluídos das novas tarifas. Consequentemente, as ações da Embraer viraram e fecharam em alta de mais de 6%. Assim, o episódio mostrou a sensibilidade do papel a qualquer movimentação do governo americano — e a importância de entender as exceções de cada decreto.

O decreto de Trump e a sobretaxa de até 50% sobre o Brasil

O governo Trump vem adotando postura cada vez mais agressiva nas negociações comerciais com o Brasil. De fato, a nova sobretaxa de 50% incide sobre produtos selecionados e se soma às tarifas já anunciadas em abril de 2026. A medida tem prazo de revisão definido: o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) deve anunciar sua decisão final até 15 de julho.

As práticas investigadas pelo USTR incluem o Pix, o mercado de etanol brasileiro e questões de propriedade intelectual. Em suma, Washington quer pressionar Brasília a fazer concessões em frentes estratégicas, e as tarifas são o principal instrumento de barganha.

Por que as aeronaves foram isentas das tarifas americanas

A exclusão das aeronaves civis não foi uma concessão política — foi uma necessidade econômica dos próprios EUA. Afinal, as companhias aéreas americanas são as maiores compradoras dos jatos da família E-Jets da Embraer, em especial o E175, que domina o mercado regional norte-americano. Portanto, taxar as aeronaves equivaleria a penalizar as próprias empresas americanas que dependem desses aviões para manter suas rotas de curto e médio alcance.

Paralelamente, uma nova norma aprovada em fevereiro de 2026 formalizou a isenção do setor aeroespacial das cobranças adicionais previstas na Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA. Como resultado, a Embraer ficou protegida do principal risco que o mercado temia — e o papel reagiu em alta expressiva assim que a informação foi confirmada.

Impacto no balanço da Embraer e entregas do segundo trimestre de 2026

Mesmo com a isenção das aeronaves, o decreto de Trump tem impacto indireto sobre a Embraer. Todavia, trata-se de um impacto administrável. A empresa reportou entregas positivas no 2T26: 20 aeronaves comerciais (ante 19 no 2T25) e 45 jatos executivos (ante 38 no mesmo período anterior). Consequentemente, o pipeline de pedidos segue robusto e os números operacionais sustentam uma tese de crescimento.

No segmento de Defesa e Segurança, a receita cresceu 47% na comparação anual, enquanto a Aviação Comercial avançou 32% e a Aviação Executiva subiu 17%. De fato, a Embraer vive um dos melhores momentos operacionais de sua história — o que torna o risco tarifário mais gerenciável do que parece no curto prazo.

Embraer EMBR3 tarifas Trump: comprar na volatilidade ou aguardar?

A questão central é se o episódio de volatilidade representa uma oportunidade de entrada ou um sinal de alerta duradouro. Para investidores de longo prazo, o fato de as aeronaves estarem isentas das tarifas remove o principal risco sistêmico para a tese de EMBR3. Em suma, a empresa continua com seu ciclo de crescimento operacional intacto.

Entretanto, o prazo de 15 de julho — quando o USTR anuncia sua decisão final sobre as tarifas gerais sobre o Brasil — pode gerar nova volatilidade. Portanto, investidores com menor tolerância ao risco podem aguardar a resolução desse evento antes de montar posição. Já para perfis mais arrojados, as quedas abruptas como a observada nesta semana são historicamente oportunidades de entrada em EMBR3.

Leticia Carvalho

Formada em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gestão de Marketing pela Anhembi Morumbi, é autora do portal com atuação focada em economia, negócios e tecnologia. Possui mais de 15 anos de experiência em administração e empreendedorismo, aliando análise de dados à produção de conteúdo jornalístico. Já teve passagem profissional por grandes portais de conteúdo do Brasil, onde desenvolveu trabalhos voltados à informação financeira, tendências de mercado e transformação digital.