Deolane Bezerra é presa em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Influenciadora e advogada é investigada por suposta ligação financeira com integrantes da facção criminosa
Foto: Reprodução/Instagram
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
A ação, chamada de Operação Vérnix, também teve como alvo familiares de Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança da facção criminosa.
Segundo os investigadores, a operação busca desarticular uma estrutura financeira usada para ocultar e movimentar recursos atribuídos ao crime organizado.
Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de bloqueio de bens, apreensão de veículos de luxo e sequestro de imóveis ligados aos investigados.
As autoridades afirmam que as apurações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha referências a integrantes do PCC, movimentações financeiras e possíveis ataques contra agentes públicos.
Investigação chegou a empresas e movimentações milionárias
De acordo com a Polícia Civil, as investigações avançaram após a identificação de uma transportadora suspeita de funcionar como empresa de fachada para lavagem de dinheiro da facção. A empresa teria sido usada para movimentar recursos de origem ilícita e dar aparência legal às operações financeiras.
Durante uma das etapas da investigação, agentes apreenderam um celular que continha mensagens, comprovantes bancários e registros financeiros relacionados ao grupo investigado.
O conteúdo revelou contatos com pessoas próximas à cúpula do PCC e indicou possíveis conexões financeiras envolvendo Deolane Bezerra.
Segundo os investigadores, a influenciadora passou a ser alvo da operação após o surgimento de indícios de movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada e de relações comerciais com pessoas ligadas ao esquema.
As autoridades apontam que houve circulação de valores milionários, uso de empresas para movimentação financeira e aquisição de bens de alto padrão. A suspeita é de que a estrutura empresarial servisse para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
O que a polícia apreendeu na operação
Além das prisões preventivas, a Justiça autorizou uma série de medidas patrimoniais contra os investigados. Entre elas estão:
- Bloqueio de mais de R$ 357 milhões em bens e valores;
- Apreensão de dezenas de veículos de luxo;
- Sequestro de imóveis ligados aos investigados;
- Cumprimento de mandados de busca e apreensão;
- Pedidos de cooperação internacional.
A operação também alcançou investigados que estariam fora do Brasil. Segundo a Polícia Civil, alguns alvos teriam deixado o país e podem ser incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.
Quem é Deolane Bezerra
Deolane Bezerra ganhou projeção nacional inicialmente como advogada criminalista e, depois, como influenciadora digital. Ela ampliou a presença nas redes sociais nos últimos anos e passou a atuar em publicidade, negócios próprios e programas de entretenimento.
A influenciadora soma milhões de seguidores nas plataformas digitais e frequentemente aparece em conteúdos relacionados a luxo, viagens e empreendedorismo.
O nome dela já esteve envolvido em outras polêmicas e disputas judiciais, mas esta é uma das investigações de maior repercussão envolvendo a influenciadora.
Após a prisão, a defesa de Deolane ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações até a última atualização desta reportagem.
Operação também mira familiares de Marcola
Além de Deolane, a operação também teve como alvos familiares e supostos operadores financeiros ligados à facção criminosa. Entre eles estão parentes de Marcola, que já está preso no sistema penitenciário federal.
Segundo os investigadores, o grupo utilizaria empresas, contas bancárias e terceiros para movimentar recursos e dificultar a identificação da origem do dinheiro.
A Polícia Civil afirma que a estrutura investigada tinha atuação sofisticada e movimentava grandes quantias por meio de operações fracionadas, transferências e empresas registradas em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível.
Caso aumenta pressão sobre investigações financeiras
A operação reforça o foco das autoridades no combate à lavagem de dinheiro e no rastreamento de recursos ligados ao crime organizado.
Nos últimos anos, investigações desse tipo passaram a mirar não apenas integrantes diretos das facções, mas também empresas, operadores financeiros e pessoas suspeitas de auxiliar na ocultação patrimonial.
Especialistas apontam que o avanço da tecnologia bancária e dos sistemas de monitoramento financeiro tem ampliado a capacidade de identificar movimentações consideradas atípicas ou incompatíveis com a renda declarada.
A investigação segue em andamento e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.
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FAQ
Deolane Bezerra foi presa durante a Operação Vérnix, da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo as autoridades, há indícios de movimentações financeiras suspeitas e conexões com investigados ligados à facção criminosa.
Além de Deolane, a operação também teve como alvo familiares de Marcola, apontado como líder do PCC, além de operadores financeiros e empresários suspeitos de participação no esquema investigado. Parte dos investigados estaria fora do Brasil.
A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 357 milhões em bens e valores, além da apreensão de veículos de luxo, imóveis e documentos. A investigação também incluiu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.