Dívidas no Imposto de Renda: regras para cartão e empréstimos

A declaração de dívidas no Imposto de Renda 2026 segue regras específicas da Receita Federal e pode gerar dúvidas entre os contribuintes.

imagem do autor
Última atualização:  26 de maio, 2026 às 10:11
Uma imagem vista de cima sobre um fundo verde sólido mostra um smartphone e uma calculadora analógica marrom posicionada à direita. A tela do celular está acesa e exibe o logotipo oficial da Receita Federal do Brasil para a declaração do Imposto de Renda de 2026. O texto na tela diz "DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA" em letras maiúsculas nas cores azul e verde, com o ano "2026" estilizado à esquerda e a assinatura da "Receita Federal" logo abaixo. Foto: Blossom Stock Studio Shutterstock

Declarar dívidas no Imposto de Renda é uma obrigação que ainda gera dúvidas entre os contribuintes brasileiros. Em 2026, a Receita Federal mantém regras específicas sobre quando empréstimos, cheque especial e até dívidas de cartão de crédito precisam ser informados na declaração anual. Entender essas exigências é essencial para evitar inconsistências fiscais e possíveis problemas com a malha fina.

A regra geral determina que determinadas obrigações financeiras devem ser informadas quando ultrapassam determinados limites, especialmente quando há impacto na evolução patrimonial do contribuinte.

O que precisa ser declarado no Imposto de Renda?

A principal regra para quem precisa declarar dívidas no Imposto de Renda é objetiva: qualquer dívida com saldo superior a R$ 5 mil em 31 de dezembro do ano-base deve ser informada na ficha “Dívidas e Ônus Reais”.

Isso inclui diferentes tipos de obrigações financeiras, como empréstimos pessoais, crédito consignado, saldo negativo em conta corrente, cheque especial e dívidas de cartão de crédito em atraso ou no rotativo.

O objetivo da Receita Federal é monitorar a coerência entre renda e patrimônio. Ou seja, quando há aumento de bens ou movimentação financeira significativa, a existência de dívidas declaradas ajuda a explicar a origem dos recursos.

Quando declarar dívidas no Imposto de Renda?

A dúvida mais comum entre contribuintes é sobre o momento exato da obrigatoriedade.

A resposta é simples: a dívida só precisa ser declarada se, em 31 de dezembro do ano-base, o saldo devedor ultrapassar R$ 5 mil.

Além disso, não basta apenas existir o empréstimo ou crédito utilizado. É necessário que haja saldo em aberto naquela data.

Se a dívida foi totalmente quitada antes do fim do ano, ela não precisa ser informada na declaração daquele exercício.

Cartão de crédito, cheque especial e empréstimos: como funciona?

Cartão de crédito

O uso do cartão de crédito não gera obrigação automática de declaração. O contribuinte só precisa informar a dívida quando houver:

  • Fatura em atraso
  • Uso do crédito rotativo
  • Saldo devedor superior a R$ 5 mil em 31 de dezembro

Se todas as faturas forem pagas em dia, o cartão não precisa ser incluído na declaração.

Cheque especial e saldo negativo

O cheque especial é considerado um tipo de empréstimo automático. Por isso, quando a conta corrente permanece negativa acima de R$ 5 mil no final do ano, essa dívida deve ser informada.

Se o saldo for regularizado antes da virada do ano, não há necessidade de declaração.

Empréstimos pessoais e consignados

Empréstimos bancários, incluindo o consignado, também entram na regra geral. Caso o saldo devedor ultrapasse R$ 5 mil em 31 de dezembro, eles devem ser informados.

Mesmo que os bancos enviem informações à Receita Federal por meio da e-Financeira, o contribuinte ainda precisa declarar os dados manualmente.

Como declarar dívidas corretamente

As dívidas devem ser informadas na ficha “Dívidas e Ônus Reais” do programa do Imposto de Renda.

O contribuinte deve preencher:

  • Nome e CNPJ do credor (banco ou instituição financeira)
  • Tipo da dívida (empréstimo, cheque especial, cartão de crédito etc.)
  • Número do contrato, se existir
  • Saldo devedor em 31/12 do ano anterior
  • Saldo devedor em 31/12 do ano-base

No caso de empréstimos entre pessoas físicas, é necessário informar o CPF do credor e detalhar o tipo de operação.

Empréstimos entre pessoas físicas exigem atenção

Quando o empréstimo ocorre fora do sistema bancário, como entre familiares, amigos ou sócios, a Receita Federal exige atenção redobrada.

O devedor deve declarar a dívida normalmente, enquanto o credor precisa informar o valor como crédito a receber na ficha “Bens e Direitos”.

Essa simetria evita divergências entre as declarações e reduz o risco de inconsistências fiscais.

O que não precisa ser declarado?

Nem todas as movimentações financeiras geram obrigação de informar dívidas.

Não precisam ser declarados:

  • Cartão de crédito sem atraso
  • Contas zeradas ou sem saldo negativo em 31/12
  • Dívidas quitadas antes do fim do ano

Além disso, financiamentos de imóveis e veículos não entram na ficha de dívidas. Nesse caso, o contribuinte deve declarar apenas o bem na ficha “Bens e Direitos”, informando o valor efetivamente pago até o final do ano.

Por que a Receita exige essas informações?

A exigência de declarar dívidas no Imposto de Renda tem como principal objetivo garantir transparência na evolução patrimonial do contribuinte.

Quando há aumento de patrimônio sem renda compatível, a declaração das dívidas ajuda a justificar a origem dos recursos e evita suspeitas de omissão de renda.

Além disso, o cruzamento de dados entre bancos, financeiras e contribuintes permite à Receita Federal identificar inconsistências automaticamente.