Consulado em Lisboa confirma recebimento de passaporte de Eliza Samudio
Documento encontrado em Portugal foi comunicado ao Itamaraty, que avalia quais serão os próximos passos
Foto: Reprodução/Redes sociais
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que recebeu um passaporte atribuído a Eliza Samudio, modelo assassinada em 2010, e que já comunicou oficialmente o Itamaraty sobre a localização do documento.
O caso veio à tona nesta semana após o documento ser entregue às autoridades portuguesas, levantando questionamentos sobre como o passaporte foi parar no país europeu mais de uma década após o crime que chocou o Brasil. O consulado afirma que aguarda orientações do Ministério das Relações Exteriores para definir o destino do material.
Segundo a representação diplomática brasileira em Portugal, o passaporte chegou ao consulado na última sexta-feira. No mesmo dia, foi feita uma consulta formal ao Itamaraty, em Brasília, para esclarecer quais procedimentos devem ser adotados em relação ao documento.
Até o momento, não houve resposta oficial da pasta, e o consulado reforça que não pode tomar nenhuma decisão sem essa orientação.
Documento foi encontrado em residência em Portugal
De acordo com relatos divulgados por veículos de imprensa, o passaporte teria sido encontrado em uma estante de livros dentro de uma casa em Portugal.
Um homem, que preferiu não se identificar, afirmou em entrevista que localizou o documento em dezembro, no imóvel onde vive com a esposa, a filha e outros moradores.
Ele contou que o passaporte foi emitido em 2006 e registra apenas uma entrada em país estrangeiro, justamente em Portugal, em maio de 2007. Segundo o relato, não há carimbo de saída no documento, o que gerou ainda mais dúvidas sobre sua trajetória ao longo dos anos.
O homem disse ter ficado surpreso e abalado ao perceber a quem pertencia o passaporte. Segundo ele, o nome e a foto foram suficientes para reconhecer imediatamente Eliza Samudio, cujo caso teve grande repercussão nacional e internacional.
Após a descoberta, o documento foi encaminhado às autoridades, que o repassaram ao consulado brasileiro.
Consulado aguarda decisão do Itamaraty
Em nota, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa afirmou que não cabe à representação diplomática definir o destino do passaporte sem uma orientação clara do governo brasileiro. “Aguardamos instruções do Itamaraty sobre como proceder em relação ao documento”, informou o órgão.
O Itamaraty foi procurado por diferentes veículos de comunicação, mas ainda não se manifestou oficialmente. Não está claro se o passaporte passará por perícia, se será devolvido à família ou se ficará sob guarda das autoridades brasileiras.
Especialistas em relações exteriores explicam que, nesses casos, documentos oficiais encontrados no exterior costumam ser analisados para verificar autenticidade e possíveis implicações legais ou administrativas. Mesmo sem impacto jurídico direto, o procedimento segue protocolos diplomáticos.
Família reafirma que Eliza está morta
A localização do passaporte reacendeu a atenção pública sobre um caso que permanece sensível para os familiares de Eliza Samudio. Representantes da família afirmaram que o surgimento do documento não muda em nada a convicção de que Eliza foi assassinada.
A família também informou que deseja ter acesso ao passaporte, caso a autenticidade seja confirmada, mas reforçou que não há qualquer dúvida sobre a morte de Eliza.
Caso Eliza Samudio segue como um dos mais marcantes do país
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, aos 25 anos. O corpo nunca foi encontrado, mas a Justiça brasileira reconheceu oficialmente sua morte. À época, ela era mãe de um bebê recém-nascido, fruto de um relacionamento com o goleiro Bruno Fernandes, então jogador do Flamengo.
Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, além da ocultação do cadáver.
Outros envolvidos também foram condenados, incluindo o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como “Bola”, apontado como executor do crime.
Apesar das condenações, o caso continuou a gerar debates ao longo dos anos, tanto pela brutalidade dos fatos quanto pela ausência do corpo da vítima.
A descoberta do passaporte, mesmo sem alterar os desdobramentos judiciais, reacendeu discussões nas redes sociais e na opinião pública.
Repercussão e cuidados com a informação
O episódio levanta novamente a importância do cuidado na divulgação de informações relacionadas a crimes de grande impacto. Especialistas em comunicação e direito apontam que a circulação de notícias sem contexto adequado pode gerar especulações e afetar emocionalmente familiares das vítimas.
Do ponto de vista institucional, o caso também evidencia como documentos oficiais podem permanecer fora dos sistemas de controle por longos períodos, especialmente quando há mudanças de país e de moradores em imóveis.
Enquanto o Itamaraty não se manifesta, o passaporte segue sob custódia do Consulado do Brasil em Lisboa. A expectativa é de que os próximos passos sejam definidos de forma técnica e respeitosa, levando em conta tanto os procedimentos legais quanto o impacto humano de um caso que ainda provoca comoção no Brasil.
Este conteúdo foi útil? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: