Compra da Petrobras (PETR3; PETR4) na Namíbia é barrada por autoridades e levanta alerta regulatório

A compra da Petrobras na Namíbia sofreu um entrave após o governo local afirmar que não reconhece, por enquanto, a aquisição de participação em um bloco de exploração de petróleo.

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09 de fev, 2026 às 15:00
Entrada da Refinaria de Lubrificantes e Derivados do Nordeste (LUBNOR) da Petrobras. Imagem: Divulgação / Petrobras

A compra da Petrobras (PETR3; PETR4) na Namíbia entrou em um impasse após o governo do país africano informar que, por enquanto, não reconhece a aquisição anunciada pela estatal brasileira em um bloco de exploração de petróleo na costa sudoeste da África. A manifestação oficial das autoridades introduz incertezas regulatórias sobre a operação e acende um alerta para o mercado quanto aos riscos de execução em projetos internacionais.

O acordo havia sido divulgado na última sexta-feira (6), por meio de fato relevante ao mercado, mas passou a enfrentar questionamentos poucos dias depois, quando o Ministério da Indústria, Minas e Energia da Namíbia afirmou que a transação não seguiu os procedimentos legais obrigatórios de notificação prévia, exigidos pela legislação local.

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Segundo comunicado das autoridades namibianas, a transferência de participações em licenças de exploração de hidrocarbonetos só pode ocorrer após o envio formal da documentação necessária e a devida aprovação ministerial. Como esse processo não teria sido concluído antes do anúncio, o governo afirmou que não reconhecerá o acordo até que todas as exigências legais sejam cumpridas.

Na prática, isso significa que a operação não está cancelada, mas fica temporariamente suspensa, sem possibilidade de avanço regulatório até que a Petrobras e sua parceira apresentem os documentos exigidos.

Entenda o que a Petrobras comprou na Namíbia

A Petrobras anunciou a aquisição de 42,5% de participação no Bloco 2613, localizado na Bacia de Lüderitz, na costa da Namíbia. A área possui aproximadamente 11 mil quilômetros quadrados, dimensão equivalente a cerca de metade do estado de Sergipe.

A petroleira francesa TotalEnergies adquiriu outros 42,5% do bloco, enquanto a estrutura societária inclui ainda:

  • Namcor Exploration and Production, estatal da Namíbia, com 10%;
  • Eight Offshore Investment Holdings, com 5%.

As participações adquiridas pela Petrobras e pela TotalEnergies pertenciam às empresas Eight e Maravilla Oil & Gas. O valor da transação não foi divulgado.

Desde o início, a estatal brasileira destacou que a conclusão do negócio dependia do cumprimento de condições precedentes, incluindo aprovações governamentais e regulatórias no país africano.

Compra da Petrobras na Namíbia e a avaliação do mercado

Antes mesmo do entrave regulatório, analistas já apontavam que a compra da Petrobras na Namíbia envolve riscos elevados, por se tratar de um ativo ainda em fase exploratória.

O JPMorgan classificou o anúncio como uma notícia neutra para a Petrobras, destacando que:

  • O projeto ainda não gera produção nem fluxo de caixa;
  • O risco exploratório é elevado;
  • A operação está alinhada ao plano estratégico da companhia;
  • Não há impacto nas projeções de investimentos (capex).

Após a manifestação do governo namibiano, a Genial Investimentos avaliou que o episódio introduz um risco adicional de execução regulatória e de cronograma, reforçando que acordos internacionais exigem estrita conformidade com os marcos legais locais.

A casa também reiterou sua visão negativa sobre a aquisição de blocos exploratórios fora do Brasil, especialmente após a liberação da exploração na margem equatorial brasileira, considerada uma fronteira de alto potencial dentro do país.

Já o Bradesco BBI adotou um tom mais moderado, afirmando que o problema é provavelmente solucionável, uma vez que se trata de um investimento estrangeiro relevante para a economia local.

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