Brasil vira protagonista global no avanço das stablecoins

Estudo da TRM Labs mostra crescimento acelerado, avanço regulatório e impacto nos pagamentos internacionais

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Última atualização:  20 de jan, 2026 às 15:06
Tether, a criptomoeda dourada. Imagem: Envato Elements

As stablecoins, criptoativos lastreados em moedas fiduciárias como o dólar, deixaram de ser um nicho do mercado cripto e passaram a ocupar uma posição central na infraestrutura financeira global. É o que aponta um estudo recente da TRM Labs, que revela um avanço acelerado desses ativos nos fluxos financeiros digitais.

    Segundo o levantamento, as stablecoins movimentaram cerca de US$ 4 trilhões entre janeiro e julho de 2025, um crescimento de 83% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse volume já responde por aproximadamente 30% de toda a atividade on-chain global, evidenciando a consolidação do segmento.

    Brasil se destaca entre os maiores mercados do mundo

    Nesse cenário, o Brasil desponta como um dos principais polos de adoção de stablecoins. O país figura entre os cinco maiores mercados globais, ao lado de Índia, Estados Unidos, Paquistão e Filipinas, consolidando sua relevância tanto no uso cotidiano quanto em aplicações corporativas.

    O avanço expressivo tem ampliado o debate regulatório em diversas regiões. Enquanto a União Europeia avança com a implementação do MiCA (Markets in Crypto-Assets) e os Estados Unidos discutem o Clarity Act, o Brasil já definiu um cronograma para suas novas regras.

    O Banco Central publicou resoluções que passam a valer a partir de fevereiro, estabelecendo um marco regulatório mais claro para o setor. As normas formalizam o papel das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), que ficarão responsáveis por atividades como intermediação, custódia e negociação de criptoativos.

    A expectativa do mercado é que a regulamentação traga maior segurança jurídica e estimule a integração das stablecoins com o sistema financeiro tradicional, especialmente em um cenário projetado de juros mais baixos nos Estados Unidos em 2026, o que tende a favorecer ativos de maior risco.

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    Stablecoins deixam disputa com bancos e focam eficiência

    Para executivos do setor, o debate deixou de ser uma oposição direta entre cripto e instituições financeiras tradicionais. Segundo um executivo da Lumx, a competição agora gira em torno da capacidade de oferecer liquidez, segurança e eficiência em escala global.

    A transformação também começa a atingir o comércio internacional. Para Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil, as stablecoins têm potencial para provocar uma ruptura semelhante à causada pelo Pix nos meios de pagamento domésticos, desta vez substituindo o tradicional sistema SWIFT em transferências internacionais.

    “As transferências via stablecoins estão para o SWIFT como o Pix está para o cheque. É uma mudança estrutural”, afirmou o executivo a revista Startups.

    Segundo ele, enquanto uma remessa internacional tradicional ainda funciona como o envio de uma carta, as operações via stablecoins se assemelham ao envio de um e-mail.

    A Jeeves anunciou recentemente o lançamento de uma nova rota de stablecoins entre Brasil e Estados Unidos, incorporando o país à estratégia global da fintech. A empresa estima processar mais de US$ 500 milhões por ano por meio de sua infraestrutura baseada em stablecoins.

    Além disso, a expectativa é conectar cerca de 80% das rotas comerciais mais relevantes dos clientes até o fim de 2026, reforçando o papel do Brasil como um dos mercados mais promissores para a expansão desse tipo de tecnologia financeira.

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    Lucas Machado

    Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.