Governo avança em negociação para adquirir mais 20 caças Gripen produzidos no país
Acordo de intenções firmado com a Suécia prevê ampliação da parceria estratégica e pode fortalecer a indústria de defesa brasileira com transferência de tecnologia e geração de empregos.
Imagem: Reprodução
Brasil e Suécia deram mais um passo na cooperação militar entre os dois países. Nesta quinta-feira (4), representantes dos governos assinaram um acordo de intenções que abre caminho para uma possível compra de 20 novos caças Gripen E e F pela Força Aérea Brasileira (FAB).
O anúncio foi feito durante encontro realizado em Estocolmo entre o ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, e o ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson. Segundo as autoridades suecas, as aeronaves poderão ser produzidas em território brasileiro, ampliando o nível de participação da indústria nacional no programa.
Nova etapa amplia parceria iniciada em 2014
A negociação representa uma continuação da cooperação iniciada há mais de uma década. Em 2014, o Brasil fechou contrato para a aquisição de 36 aeronaves Gripen, em um acordo avaliado em cerca de US$ 4,5 bilhões. Desde então, parte dos caças já foi entregue à FAB, enquanto as demais unidades devem chegar gradualmente até 2027.
Na concorrência internacional realizada à época, o modelo da fabricante sueca Saab superou propostas apresentadas pela americana Boeing, com o F-18 Super Hornet, e pela francesa Dassault Aviation, responsável pelo Rafale.
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Produção nacional ganha protagonismo
Um dos principais diferenciais do programa Gripen é a transferência de tecnologia para empresas brasileiras. Em 2023, a Saab e a Embraer inauguraram uma linha de produção em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, destinada à fabricação de parte das aeronaves contratadas pelo Brasil.
O projeto prevê que 15 dos 36 caças do contrato original sejam montados no país. Em março deste ano, foi apresentado o primeiro Gripen produzido em solo brasileiro, considerado um marco para a indústria nacional de defesa.
A iniciativa busca ampliar a autonomia tecnológica do país e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em áreas estratégicas.
Governo destaca ganhos econômicos e tecnológicos
Além do reforço à capacidade operacional da FAB, o governo brasileiro avalia que o programa pode trazer impactos positivos para a economia. Estimativas oficiais apontam para a geração de aproximadamente 13 mil empregos, entre vagas diretas e indiretas, ao longo da cadeia produtiva ligada ao projeto.
A parceria também prevê capacitação de profissionais, transferência de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias avançadas para o setor aeroespacial.
Segundo o Palácio do Planalto, o programa contribui para fortalecer a base industrial de defesa brasileira e ampliar oportunidades de negócios no mercado internacional.
Centro de inovação está entre os próximos passos
A declaração conjunta assinada pelos dois países inclui ainda planos para a criação de um centro de inovação voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias relacionadas aos caças Gripen.
O objetivo é criar soluções para operação, manutenção e modernização das aeronaves, além de explorar novos sistemas que possam ser utilizados em futuras aplicações militares e civis. A iniciativa poderá ampliar a cooperação tecnológica entre Brasil e Suécia nos próximos anos.
Valor da operação ainda será discutido
Apesar da assinatura do acordo de intenções, os detalhes financeiros de uma eventual compra dos novos caças ainda não foram divulgados. O ministro sueco Pal Jonson afirmou que as condições comerciais continuam em fase de discussão entre o governo brasileiro e a Saab.
A possível ampliação do programa ocorre em um momento de restrições orçamentárias para o Ministério da Defesa, que enfrenta cortes relevantes em suas despesas neste ano.
Mesmo assim, o governo avalia que investimentos estratégicos em defesa e tecnologia podem gerar benefícios de longo prazo para a indústria nacional e para a capacidade operacional das Forças Armadas.
Gripen se consolida como principal caça da FAB
Com a possível aquisição das novas unidades, o Gripen reforçaria sua posição como principal aeronave de combate da Força Aérea Brasileira. Os caças são utilizados em missões de defesa aérea, treinamento de pilotos e operações estratégicas, além de incorporarem tecnologias de última geração em comunicação, sensores e combate.
Caso a negociação avance, o Brasil ampliará ainda mais sua parceria com a Suécia em um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados no setor de defesa nacional.