Boa Safra (SOJA3) tem recomendação rebaixada após queda no retorno sobre capital e ação recua

A Boa Safra (SOJA3) teve sua recomendação rebaixada pelo Bradesco BBI após forte queda no retorno sobre o capital investido (ROIC).

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Última atualização:  27 de mar, 2026 às 11:10
Se o artigo for especificamente sobre o desempenho da ação SOJA3, você pode adaptar para: "Logotipo da Boa Safra (SOJA3) sobre campo de soja, representando a produção de sementes da companhia. Foto: Canva

A Boa Safra (SOJA3) teve sua recomendação rebaixada pelo Bradesco BBI, em meio a uma deterioração relevante nos indicadores de retorno. A decisão, anunciada nesta terça-feira (24), levou o banco a cortar o preço-alvo da companhia e reforçou a percepção de menor potencial de valorização no curto e médio prazo.

A revisão acontece após mudanças significativas na tese de investimento da empresa, especialmente devido à queda expressiva no ROIC. Como resultado, as ações da Boa Safra reagiram negativamente ao longo do pregão.

Boa Safra (SOJA3): rebaixamento reflete queda no retorno sobre capital

O Bradesco BBI reduziu a recomendação da Boa Safra de “compra” para “neutro”, ao mesmo tempo em que cortou o preço-alvo para o final de 2026 de R$ 14 para R$ 9 — uma redução de aproximadamente 35%.

O principal motivo por trás dessa decisão foi a forte queda no retorno sobre o capital investido. Segundo estimativas do banco, o ROIC da companhia deve cair de 26,4% em 2023 para apenas 7,8% em 2025. Essa redução indica uma perda significativa de eficiência na alocação de recursos, o que impacta diretamente a atratividade do papel.

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Pressão na lucratividade impacta desempenho da Boa Safra (SOJA3)

Outro fator determinante para o rebaixamento da Boa Safra foi a piora na rentabilidade. O Ebitda por “big bag” — unidade comum no setor agrícola — caiu cerca de 55% em relação ao pico registrado em 2022.

Esse desempenho mais fraco está ligado a uma combinação de fatores:

  • Aumento nas taxas de descarte de produtos
  • Ambiente de preços mais pressionado no setor
  • Elevação dos custos operacionais e de atendimento

Esse cenário mais desafiador reduz a capacidade de geração de caixa da empresa, o que pesa na avaliação dos analistas.

Capital de giro elevado reduz eficiência operacional

A estratégia adotada pela Boa Safra nos últimos anos também contribuiu para a queda nos retornos. Desde 2020, a companhia destinou cerca de R$ 1,2 bilhão para capital de giro, principalmente ao ampliar os prazos de pagamento concedidos aos clientes.

Embora essa medida possa favorecer o crescimento das vendas, ela também gera efeitos negativos:

  • Diminuição da rotatividade dos ativos
  • Maior necessidade de capital
  • Pressão sobre o retorno investido

Na prática, a empresa cresce, mas com menor eficiência — o que ajuda a explicar a queda do ROIC.

Crescimento mais lento limita avanço da Boa Safra (SOJA3)

Após um período de forte expansão, a Boa Safra deve entrar em uma fase de estabilização. A expectativa é que a produção atinja cerca de 280 mil “big bags” em 2025 e permaneça praticamente estável em 2026.

De acordo com o Bradesco BBI, essa decisão é coerente diante de um cenário de excesso de oferta no mercado. No entanto, ela também indica que a empresa pode ter mais dificuldade para continuar ganhando participação de mercado nos próximos anos.

Esse ponto reforça a mudança na percepção dos analistas, que agora veem um crescimento mais limitado para a companhia.

Ação da Boa Safra (SOJA3) cai após revisão

A reação do mercado foi imediata. As ações da Boa Safra abriram o dia cotadas a R$ 7,97, mas passaram a recuar ao longo do pregão.

Durante a sessão:

  • Os papéis chegaram a R$ 7,66 na mínima
  • Por volta das 14h, registravam queda de 4,47%, a R$ 7,70

O movimento reflete a reavaliação dos investidores diante do novo cenário traçado pelo Bradesco BBI.

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