Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada em 8 de maio, o Banco Central (BC) tomou uma decisão por uma medida cautelosa, reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 10,50% ao ano. Essa decisão marca uma mudança de ritmo, após seis cortes consecutivos de 0,50 ponto. Mais notavelmente, o Copom decidiu abandonar as indicações futuras sobre os próximos movimentos na política monetária.

Além disso, a ata da reunião revelou que todos os membros da diretoria do Banco Central defenderam uma postura mais contracionista e cautelosa em relação à política monetária. Essa unanimidade reflete uma abordagem mais conservadora diante do atual cenário econômico.

Detalhes da decisão do BC e divergências

A redução da Selic em 0,25 ponto percentual foi uma decisão tomada com divergência dos quatro diretores indicados pelo presidente Lula. Estes últimos defendiam a manutenção de cortes mais agressivos nos juros básicos, de 0,50 ponto.

Essa divergência evidencia as diferentes perspectivas dentro da diretoria do Banco Central, com alguns membros argumentando pela necessidade de medidas mais enérgicas para impulsionar a economia.

Durante a reunião do Copom, houve intensas discussões sobre o cenário econômico, as expectativas de inflação e a orientação futura da política monetária. Os membros do comitê apresentaram análises detalhadas sobre esses aspectos, buscando embasar suas decisões.

Uma análise das perspectivas revelou que o cenário esperado não se confirmou devido à desancoragem adicional das expectativas, à elevação das projeções de inflação, ao cenário internacional mais adverso e à atividade econômica mais dinâmica do que o esperado.

Impacto das Chuvas no Rio Grande do Sul

A tragédia provocada pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul também foi mencionada durante a reunião do Copom. Além disso, além dos impactos humanitários, os membros do comitê reconheceram que essa tragédia terá desdobramentos econômicos significativos. O Copom afirmou, portanto, que seguirá acompanhando de perto esses desdobramentos.

Considerações sobre o ‘Guidance’ e credibilidade

Houve uma discussão sobre o ‘forward guidance’ e sua importância para a credibilidade do Banco Central. Enquanto alguns membros defendiam seguir as indicações anteriores, outros questionavam se o cenário econômico havia mudado o suficiente para justificar uma alteração no ‘guidance’.

Em última análise, a maioria dos membros concordou que o compromisso com a meta de inflação é fundamental, mesmo que isso signifique abandonar indicações prévias. O Copom reiterou que a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta.

Julia Peres

Redatora do Melhor Investimento.